A cinco dias do evento-teste de vela para os Jogos Olímpicos de 2016, o presidente da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), Marco Aurélio Ribeiro, defendeu nesta segunda-feira a Baía de Guanabara para as disputas da modalidade no grande evento que começará daqui menos de um ano. O local vem sendo alvo de muitas críticas por causa da poluição das águas. Há inclusive lobby para tirar as provas da Baía e transferi-las para a cidade de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.

O dirigente admite que há problemas de sujeira nas águas da Baía de Guanabara. Mas considera que as raias onde as provas serão realizadas não serão afetadas por detritos sólidos. Eles seriam capazes de prejudicar o desempenho dos atletas, sobretudo devido à proximidade que as raias de com o mar aberto.

“Até o momento não tive conhecimento de reclamação formal das federações (sobre o lixo)”, contou Ribeiro. Ele explicou ainda que a realização das regatas na Baía de Guanabara, perto da praia do Flamengo e da Marina da Glória, permite que mais pessoas assistam gratuitamente as provas. “Seria até antidemocrático tirar a disputa daqui.”

O governo do Estado do Rio, por sua vez, já admitiu que não cumprirá a promessa de tratar 80% do esgoto despejado na Baía de Guanabara até 2016. O governador Luiz Fernando Pezão, de forma otimista, já afirmou que o nível de tratamento deve chegar a 65% – atualmente, são 49%. A situação motivou comerciantes e membros do setor hoteleiro da cidade de Búzios a pleitear a disputa.

Em nota, Thomas Weber, vice-presidente da associação Búzios Convention &Visitors Bureau, pede a mudança de locais e defende que Búzios dispõe da infraestrutura necessária para sediar o evento, assim como exalta a limpeza das águas da região. “Em respeito ao espírito olímpico, que deve privilegiar os seus principais atores, os atletas, e ao bom senso, fica a pergunta: por que não Búzios?”, questionou.

O Comitê Rio-2016, porém, não cogita retirar as provas da Baía. Segundo o diretor de instalações da entidade, Gustavo Nascimento, as águas estão sendo despoluídas. Ele considera também que a permanência das regatas no local motiva os esforços pela despoluição e faz parte do legado olímpico.

O bicampeão olímpico (1996 e 2004) e, atualmente, coordenador da seleção brasileira de vela, Torben Grael, também apoiou as provas na Baía de Guanabara. Segundo ele, o local privilegia a capacidade técnica dos atletas, por causa de suas particularidades naturais – de vento e corrente marítimas -, em detrimento de locais de mar aberto, nos quais seleções com investimento maior e equipamentos mais modernos poderiam largar com vantagem.