Marco Polo Del Nero deu uma estocada nesta quinta-feira no técnico Luiz Felipe Scolari, que comandou a seleção brasileira na Copa do Mundo e foi contratado com sua aprovação. Ao falar sobre a “tragédia” que foi a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, ele disse que a seleção trocou a filosofia da “família” pela modernidade.

“Foi uma tragédia naquele dia (em que a seleção foi goleada). Mas hoje temos outra mentalidade. O Dunga não gosta desse negócio de família”, disse. “Ninguém tem cadeira cativa. Ele costuma dizer aos jogadores que se alguém deixa a cadeira vazia vem outro e senta. É assim que eu entendo que deve ser”.

Nas suas duas passagens pela seleção brasileira – tanto na vitoriosa campanha de 2002 como no fracasso do ano passado – Felipão trabalhou a partir de determinado momento com um grupo fechado de jogadores. No ano do penta, o grupo ficou conhecido como “a família Scolari”.

Del Nero entende que a seleção vai recuperar o prestígio rapidamente, “porque temos mais a ensinar do que a aprender” em nível mundial. Mas também porque hoje o comando está em boas mãos. “O Dunga e o Gilmar (Rinaldi, coordenador) gostam de trabalhar, estudar. É disso que precisamos. Trabalhar na evolução técnica, científica. É outra mentalidade. Eu percebo que o trabalho deles é muito bom”.

O presidente, porém, admitiu que é um erro o Brasil continuar a agir com arrogância, usando os cinco títulos mundiais para isso. “Não podemos ficar achando que somos deuses do futebol. Em cima desse estudo técnico e científico vamos usar algumas coisas deles (as principais escolas do futebol), mas eles também usam as nossas”.