Um corredor de longa distância português se tornou o primeiro competidor de atletismo a ser suspenso por doping em um caso baseado no programa chamado de Passaporte Biológico do Atleta. A Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) informou nesta quarta-feira que Helder Ornelas, de 38 anos, foi banido das competições por quatro anos pela federação portuguesa da modalidade após realizar vários testes e ser considerado culpado.

O atleta em questão foi punido com base em uma série de exames de sangue coletados pela Iaaf entre dezembro de 2009 e novembro de 2010. Ao tornar público o caso, a entidade que comanda o atletismo mundial confirmou que o fundista foi penalizado por este tipo de doping, que monitora o perfil de um competidor durante um longo período para verificar evidências do uso de substâncias dopantes.

Com esse tipo de monitoramento, é possível traçar um perfil individualizado e detalhado de um atleta, cuja variação dos resultados dos exames realizados pode indicar o uso de doping ou métodos proibidos para melhorar seu rendimento.

A Iaaf revelou que o perfil sanguíneo de Ornelas foi considerado anormal em maio do ano passado, fato que desencadeou novas investigações em relação ao atleta, considerado culpado posteriormente por doping após ter seus exames analisados por três peritos especializados em hematologia.

“A punição imposta está alinhada com a velha postura da Iaaf em favor de endurecer a punição para a primeira infração em casos graves de doping”, informou a entidade, ao justificar a decisão de suspender Hornelas por quatro anos, punição sugerida e ratificada pela Federação Portuguesa de Atletismo.

A Iaaf ainda ressaltou que Ornelas não exerceu o seu direito de recorrer contra a suspensão junto à Corte Arbitral do Esportes (CAS), e por isso a punição contra ele é de caráter definitivo.