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Por ‘ajuda no calendário’, tenistas brasileiros aprovam a ‘nova’ Copa Davis

  • Por Estadão Conteúdo

A temporada 2019 contará com uma mudança de peso no circuito masculino de tênis. A tradicional Copa Davis será totalmente reformulada, com consequências dentro e fora das quadras. Para os críticos, será o fim da mais famosa competição entre equipes do mundo. Mas, para os tenistas brasileiros, será uma oportunidade para renovar o torneio centenário e aliviar o calendário da temporada.

A principal alteração é a concentração de toda a disputa do Grupo Mundial, a elite da Davis, em apenas um lugar e em somente uma semana de jogos. Em 2019, a sede será Madri. A cidade espanhola vai receber as 18 melhores equipes do mundo para os confrontos entre 18 e 24 de novembro.

A concentração em apenas uma cidade gerou críticas semelhantes as que foram feitas à Conmebol em razão da final única da Copa Libertadores em uma cidade neutra. Para os fãs de tênis, a ausência de jogos diante das torcidas locais acabaria com a tradição da Davis, conhecida pela festa e participação dos fãs nas partidas.

Mas os tenistas do País pensam de forma diferente. “Achei interessante as mudanças. É um formato diferente, novo, moderno. É uma Copa do Mundo, acho que tem tudo para dar certo. Se a gente entrar no mérito da história e tradição da Davis, vamos ficar três dias conversando sobre isso. Mas o mais importante é que a Copa Davis estava precisando de uma mudança”, opina Bruno Soares, em entrevista ao Estado.

Acostumado a defender o Brasil nos jogos de duplas na Davis, o tenista revela que as alterações eram um pedido antigo dos próprios jogadores. “Tem muitos anos que os jogadores estão brigando com a ITF [Federação Internacional de Tênis] para fazer alguma coisa. Agora estão tentando. Se é o ideal, não sabemos. Mas acho mais válido eles tentarem alguma coisa nova ao invés de ficarem na mesmice”, diz Soares, que faz parte do Conselho dos Jogadores da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

Na avaliação do duplista, que voltará a defender o Brasil em 2019, o formato antigo da Davis estava afastando os melhores tenistas do mundo por causa do calendário apertado e também em razão do sistema de jogo, considerado mais cansativo. A “velha” Davis era disputada em melhor de cinco sets – as partidas passavam de três horas de duração com frequência – e tinha confrontos em melhor de cinco jogos. A partir do próximo ano, serão duelos de apenas três sets e apenas três partidas: duas de simples e uma de duplas.

“A Davis é uma competição fantástica. Mas não consigo aceitar que aquela que é considerada a Copa do Mundo do tênis não estava contando com os melhores em quadra. E era o que vinha acontecendo. Tivemos nos últimos dez, 15 anos, histórias de equipes chegando à final sem vencer nenhum jogador Top 50. Isso não é Copa do Mundo do tênis, é apenas uma copa de nações aleatória. Espero que isso mude, mas só o tempo vai dizer”, analisa o brasileiro, que ficou de fora dos duelos de 2018 por causa do nascimento do seu segundo filho.

Com 11 temporadas de Davis no currículo, Thomaz Bellucci também aprovou as alterações. “Eram necessárias estas mudanças, tanto para os atletas quanto para os organizadores. Não estava legal o formato. A maioria dos tenistas tops não estava jogando, para quem jogava era muito desgastante”, comenta o ex-número 1 do Brasil.

“Teve gente que não gostou, mas acho que tem coisas que precisam evoluir no esporte. E o tênis é assim, praticamente nada mudou nos últimos 50 anos no circuito. Com o desgaste físico que temos atualmente nos jogos, não dava para jogar de janeiro até dezembro, praticamente. Era precisa diminuir as semanas”, afirma o tenista que não competiu na Davis neste ano em função do desgaste físico e dos resultados irregulares.

Com as mudanças, na prática a Davis vai continuar ocupando o mesmo espaço no calendário do circuito. A alteração vai acontecer somente para as melhores equipes, que jogarão apenas a parte final, concentrada em apenas uma semana, no fim do ano. Para os demais times, haverá pouca novidade nos Zonais, com o mesmo número de datas e duelos “em casa” e “fora de casa”.

Referência do time brasileiro neste ano na Davis, Thiago Monteiro aprovou a mudança também devido ao melhor calendário para os jogadores. “Vai se perder um pouco deste espírito da competição por ser apenas uma semana, em um campo neutro. Vai ser diferente, mas a maioria dos jogadores apoiou. Deve ajudar um pouco no calendário e isso pode ter sido necessário. Quem sabe, no futuro, a gente vai se acostumando.”

Convocado novamente para a equipe, ele alerta que o duelo com a Bélgica na fase qualificatória em fevereiro pode ser o último confronto do Brasil em casa pelos próximos anos. Para isso, claro, a equipe precisará permanecer na elite da Davis. “Pode ser o nosso último confronto em casa. E, dos seis confrontos que joguei, nenhum foi no Brasil. Será uma experiência única.”

Guilherme Clezar, opção recorrente do capitão João Zwetsch, encara as mudanças como positivas. “Acho que é um pouco controverso. Mas, em questão de calendário, para os jogadores será um pouco mais fácil encaixar os confrontos. Muitas vezes a Davis caía numa semana que envolvia uma viagem muito longa, uma troca de piso, o que podia influenciar um jogador a não querer jogar. Agora fica mais fácil.”

Com menos datas de jogos da Davis para as melhores equipes, há ainda dúvida em como a ATP vai preencher estas lacunas do calendário. Segundo Bruno Soares, que faz parte das discussões do Conselho dos Jogadores, já houve muita negociação, novas ideias, mas nenhuma definição até agora. A maior preocupação entre os tenistas é a escolha do fim do ano para receber os confrontos do Grupo Mundial da Davis.

Em 2019, será logo após o fim de semana do torneio que costuma encerrar a temporada masculina. Geralmente os tenistas saem de férias logo em seguida. O cansaço pode pesar para causar desfalques entre os grandes jogadores. “Não é a data ideal, por ser logo após o ATP Finals. Vai acabar sendo uma escolha pessoal”, avalia Soares.

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