Desta vez, o arquiteto Hermann Tilke deu uma dentro. O circuito de Istambul, que recebeu ontem a Fórmula 1 pela primeira vez, caiu no gosto dos pilotos.

Eles ficaram apaixonados pelo traçado de 5.340 m cheio de subidas e descidas, e com curvas de todos os tipos. ?É um tesão, amei?, resumiu Felipe Massa, da Sauber.

Tilke, o alemão que desenhou os extravagantes autódromos de Sepang, Xangai e Bahrein, as mais recentes pistas da categoria, foi também co-responsável por projetos mais antigos e menos elogiados, como Magny-Cours, Barcelona, Zeltweg e as reformulações de Nürburgring e Hockenheim – esta, uma verdadeira mutilação.

Nenhuma delas é unanimidade. Istambul, não. ?Não tem nada igual no mundo?, derreteu-se Ralf Schumacher, da Toyota.

?É uma pista interessante, completamente diferente das outras às quais estamos acostumados?, emendou seu companheiro Jarno Trulli. Rubens Barrichello definiu o traçado turco como ?um sucesso?.

Tilke escolheu o local para o autódromo da Turquia em função de sua topografia. ?Adaptamos uma pista ao solo, e não o contrário. E como é uma região repleta de colinas, ficou muito interessante?, disse. Ontem, ele demonstrava nervosismo antes do veredito dos pilotos. ?Estou a ponto de ter um ataque do coração.?

Preocupação desnecessária. Todos curtiram, e uma das qualidades mais desejadas pelo arquiteto quando desenha uma pista, a dificuldade e o desafio para os pilotos, foi destacada pelo melhor deles, Michael Schumacher. ?Quando andei de lambreta para fazer um reconhecimento na quinta-feira, achei que seria fácil.

Mas num carro de F-1, é bem diferente. Não que seja difícil de decorar, aprender para que lado virar. É duro, mesmo, para dirigir e acertar o carro?, falou o alemão.

Hoje sai o grid do GP turco, o 14.º do ano, a partir das 7h de Brasília. A largada é amanhã, às 9h. O país, que estréia na F-1, começou com o pé direito.

Brawn diz que Rubens poderia ter sido campeão

Se não fosse Schumacher, Barrichello poderia ter sido campeão mundial. Uma ou duas vezes. A afirmação parece óbvia. O brasileiro, afinal, foi vice em 2002 e 2004 pela Ferrari. Mas quem diz isso é Ross Brawn, o que confere certo peso à profecia. ?Rubens teve ótimos anos aqui, melhorou a cada dia. Pena que isso está acontecendo, mas entendo seus motivos?, falou o diretor-técnico do time vermelho.

Barrichello é um caso raro de piloto que chegou na hora certa à equipe certa, mas com o companheiro errado. Como Berger, na McLaren de Senna. ?Ele tinha o trabalho mais difícil da F-1: derrotar Schumacher com o mesmo equipamento. Ninguém conseguiu isso antes. É o tipo de experiência que pode ser muito frustrante.? Para Brawn, sem Michael ao lado, o brasileiro poderia conquistar um ou dois títulos. ?Para mim, essa é a imagem que vai ficar de Rubens, a de um piloto que sempre trabalhou muito bem.?

Até o fim do ano, Barrichello deve participar de poucos testes da Ferrari. Na semana que vem, em Monza, quem vai andar por dois dias é Felipe Massa, seu substituto para 2006.