Os dois principais líderes de classe entre os pilotos da F1, David Coulthard e Michael Schumacher, querem que a FIA mude o formato do treino de classificação.
Eles pretendem agendar uma reunião com os chefes de equipe em Barcelona para propor alterações na última parte da sessão, aquela disputada entre os dez mais rápidos que define o pole position.
Do jeito que está hoje, esses remanescentes das duas primeiras partes do treino são obrigados a iniciar a "superpole" com o combustível que vão usar na corrida. Depois da sessão, a gasolina é recolocada. Assim, eles passam vários minutos "queimando" combustível para baixar o peso e fazer uma ou duas tentativas de voltas rápidas no final.
"Ficar queimando gasolina não é legal. Isso não é classificação. Vamos nos reunir em Barcelona para discutir o que queremos que seja modificado", falou o escocês da Red Bull. "Se todos concordarem, podemos mudar."
Para Coulthard, o que os pilotos querem é ver "o carro mais rápido na pole". E foi além: "Se eles querem um grid embaralhado, que ponham os nomes em um chapéu e façam um sorteio".
FIA sugere e Aguri afasta o "barbeiro" Yuji Ide
Foi apenas uma sugestão, mas a Super Aguri não pensou duas vezes. Se a FIA acha melhor, Yuji Ide não corre mais. Terminou assim, com um breve comunicado de imprensa, a carreira do estreante japonês na Fórmula 1. Ele já não corre neste fim de semana no GP da Europa, em Nürburgring. Foi relegado a piloto de testes. O novo titular é Franck Montagny, francês de 28 anos.
Ide tem pouquíssima rodagem em carros de F1, e vinha sendo muito mais lento que Takuma Sato no velho carro da equipe ? um Arrows 2002 adaptado ao novo regulamento da categoria, enquanto um modelo novo não fica pronto. A lerdeza, porém, não era o único problema. Yuji vinha atrapalhando os pilotos mais experientes e a gota d’água foi o acidente com Christijan Albers na primeira volta do GP de San Marino. Albers capotou três vezes.
"Aceitamos o conselho da FIA em permitir que Yuji acumule mais quilometragem para melhorar na F1 só nos nossos dias de testes", disse o chefe do time, Aguri Suzuki. "O time fez todos os esforços para que ele entrasse no ambiente da F-1, e acho que ele lidou muito bem com as circunstâncias."
Montagny era piloto de testes da Renault, mas perdeu a vaga neste ano para o finlandês Heikki Kovalainen, que pode ser alçado à condição de titular no ano que vem, com a saída de Fernando Alonso para a McLaren. Ele já negociava para correr nos EUA quando Suzuki o chamou para as funções de "test-driver".
Alguns pilotos confessaram certo alívio com a saída de Ide. "Ele é um cara legal, mas estava muito lento e rodava demais, e a gente nunca sabia se poderia ser na nossa frente", disse Kimi Raikkonen. "Em Mônaco isso poderia ser desastroso."
Nick Heidfeld, da BMW Sauber, foi mais ácido. "Sem querer julgar sua pilotagem, não acho que vai melhorar muito se treinar mais", falou o alemão. A Super Aguri, equipe estreante montada às pressas para que a Honda pudesse dar um cockpit a Sato, espera estrear um carro de verdade apenas no GP da França. Até lá, continuará andando entre cinco e oito segundos mais lenta do que os times de ponta, dependendo da pista.
É o que vai acontecer hoje nos primeiros treinos em Nürburgring, que acontecem a partir das 6h de Brasília. A corrida de domingo tem sua largada prevista para as 9h, com 60 voltas.