Por que o Atlético não consegue reforçar? Essa é a pergunta que domina a cabeça do torcedor rubro-negro, e cuja resposta passa por um planejamento mal executado. Desde o final da temporada passada, quando o Atlético fez um Campeonato Brasileiro fraco e quase caiu à Série B, já era explícita a necessidade de contratações. A ideia original para 2010 era manter os jogadores que renderam na temporada passada e incorporar reforços. Porém, da teoria à prática criou-se um abismo. O elenco foi enxugado, os reforços não vieram e quem incorporou ao elenco foram os juniores e os jogadores para compor grupo.

Pior: duas boas contratações do ano passado foram embora – no caso, Marcinho, que saiu por empréstimo, e Wesley, que retornou ao Santos. Além desses dois jogadores, o último reforço que fez valer o investimento foi Paulo Baier. Nas demais contratações, só jogadores que causaram irritação na torcida, como Jorge Preá, Eduardo e Brasão, entre outros.

Para chegar à situação atual, um dos erros estratégicos do Atlético foi não ter ido às compras entre dezembro de 2009 e janeiro deste ano, quando os grandes clubes correm para se reforçar. O mercado oferecia opções, mas na visão rubro-negra era melhor esperar, já que os preços estavam inflacionados. Com dinheiro curto, e não querendo elevar a folha de pagamento durante o Campeonato Paranaense, o Rubro-negro esperou e os bons jogadores foram sendo absorvidos por outras equipes. Resultados: sobraram os baratos e os não tão bons.

Agora, o Atlético corre contra o tempo, mas encontrar sérias dificuldades. O momento é de escassez de nomes no mercado interno, os clubes que dispõem de jogadores com qualidade, mesmo na reserva, não querem se desfazer deles porque temem pela janela internacional ou estão disputando competições paralelas. Além disso, o Rubro-Negro não consegue competir em investimento com os times do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Porto Alegre.

Para complementar, a política adotada pelo Atlético, de não fazer parcerias com empresas ou empresários, revela-se um problema, pois muitos bons jogadores estão vinculados a esse esquema. O que sobra é tentar barganhar revelações de outros times, como Branquinho (Santo André) e Maikon Leite (Santos), oferecendo outros jogadores como “moeda de troca”, mas que nem sempre agradam quem está do outro lado do balcão. A frase dita pelo diretor de futebol, Ocimar Bolicenho, em recente entrevista – domingo, após o jogo contra o Corinthians -resume bem o atual momento do clube. “Em uma negociação, você trata com o clube, com o procurador e agora com o investidor. Por isso, as coisas não são tão rápidas”, disse o dirigente.

Assim, enquanto os reforços do “R” maísculo não vêm, o Atlético vai duelando no Brasileiro com seu elenco cheio de carências. As mesmas carências que já o fizem perder o estadual e sair precocemente da Copa do Brasil.