Quando Geninho e os jogadores do Corinthians falam das dificuldades de jogar em Belém, por causa do calor e umidade, estão certos. Mas daí restringir a análise do empate de ontem por 2 a 2 com o Paysandu às condições climáticas adversas da cidade é, no mínimo, superficial. Exceção às atuações do lateral-direito Rogério, autor dos dois gols corintianos, e do goleiro Rubinho, responsável por evitar, pelo menos, outros dois, os demais tiveram desempenho que variou de médio a medíocre. No primeiro grupo estão o volante Fabrício e o meia Robert. No segundo, os zagueiros e, para variar, os atacantes.

Se nas últimas semanas o treinador tem estudado, sem sucesso (pelo menos por enquanto) alternativas para o péssimo momento dos atletas de frente, como Gil (desmotivado), Liedson (desconcentrado) e Jamelli (fora de ritmo), viu seu problema ficar ainda mais grave. Tão mal quanto o ataque mostrou-se a defesa ontem. Não fossem as boas defesas de Rubinho e a falta de precisão nas finalizações dos paraenses, a equipe do Parque São Jorge não teria chegado aos 37 pontos e se mantido na nona posição do Campeonato Brasileiro.

Quem não tem cão…

A cada jogo o ataque corintiano prova que seus bons momentos (como na vitória sobre o Atlético-MG) são exceção à regra. Em Belém, Liedson manteve o jejum e chegou à oitava partida sem marcar. Jamelli tentou, mas encontra-se visivelmente sem ritmo e entrosamento. Gil, por sua vez, só não decepcionou porque estava suspenso. A alternativa foi Rogério fazer as vezes de artilheiro. Marcou de pênalti aos 44? do 1º tempo e com um bom chute aos 39? do 2º. Para o Paysandu marcaram Aldrovani, aos 19 do 1º, e Júnior Amorim aos 36 do 2º.

Ficha Técnica

Paysandu: Ronaldo; Wellinton (Lecheva), Jorginho, André Dias e Luiz Fernando; Sandro, Magnum (Alexandre), Jairo e Velber; Aldrovani e Zé Augusto (Júnior Amorim). Técnico: Ivo Wortmann. Corinthians: Rubinho; Rogério, César (Marcus Vinícius), Ânderson e Kleber; Fabinho, Fabrício, Renato e Robert (Wilson); Jamelli (Jô) e Liedson. Técnico: Geninho. Gols: Aldrovani aos 19? e Rogério (pênalti) aos 44? do 1.º tempo; Júnior Amorim aos 36? e Rogério aos 39? do 2.º. Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS). Cartão amarelo: Liedson, Robert, Bruno, Renato, Jô e Jorginho. Público: 37.177 presentes. Local: Mangueirão.

Técnico corintiano aprova resultado em Belém

O treinador Geninho disse que o empate por 2 a 2 contra o Paysandu foi resultado do melhor desempenho do Corinthians no segundo tempo, quando o time aproveitou as falhas de posicionamento do time paraense e soube igualar o marcador. “É muito difícil ganhar em Belém, porque a torcida exerce uma pressão muito grande contra os times de fora”, justificou.

Ele disse que as maiores falhas do time paulista ocorreram depois de ter levado o primeiro gol. O Corinthians começou a querer sair de qualquer maneira em busca do empate e quase permite ao adversário a ampliação do marcador. “A nossa zaga estava muito no mano a mano, o Paysandu enfiou quatro bolas na área e quase faz um estrago, mas felizmente eles não marcaram”.

O posicionamento de Fabinho, no segundo tempo, corrigiu a marcação, fazendo com que o meio-campo pudesse apoiar melhor o ataque. “O Paysandu teve mais chances de gol e maior adaptação ao clima, mas felizmente não soube aproveitar. O empate, para nós, acabou sendo um bom resultado”.

Geninho lembrou que neste campeonato tem ocorrido situações atípicas.

“No jogo contra o Figueirense nós metemos cinco bolas na trave e perdemos o jogo”, resumiu. Para Fabinho, o resultado acabou sendo favorável ao Corinthians, que jogou contra um bom time, o Paysandu, e também contra o calor do Pará. “Não temos do que reclamar.”

Enquanto os corintianos demonstravam satisfação com o empate, os jogadores do Paysandu reclamavam do juiz Carlos Eugênio Simon, afirmando que ele favoreceu o time paulista. “O penalti marcado em favor do Corinthians não existiu. Depois, no segundo tempo, houve um penalti claro no Magnum que ele não marcou”, reclamaram os jogadores Sandro e Jorginho.

Para o técnico Ivo Wortmann, o Paysandu deveria ter administrado a posse da bola depois de ter feito 2 a 1 aos 36? do segunto tempo. “Houve muita afobação em querer marcar o terceiro gol. Isso acabou prejudicando o time, que ficou vulnerável nos contra-ataques. O Corinthians soube explorar isso com mais competência e empatou a partida.”