O Paraná Clube não terá Paulo Comelli à margem do gramado em sua última partida na temporada. Responsável direto pela guinada do Tricolor, que se livrou matematicamente do risco da degola, o técnico terá que cumprir a partir de hoje 34 dias de suspensão.

O pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva manteve a pena (45 dias, dos quais 11 já foram cumpridos) anteriormente aplicada pela Primeira Comissão Disciplinar.

Na prática, Comelli só estará fora do jogo do próximo dia 28, contra o Santo André-SP, voltando às atividades normais em 2009, já que o “gancho” expira no dia 23 de dezembro, em pleno recesso do futebol brasileiro. Se não obteve sucesso na tentativa de absolvição do treinador, a tática do departamento jurídico funcionou.

Sob a proteção de um efeito suspensivo e com sucessivos adiamentos do julgamento do recurso, os advogados garantiram a presença de Comelli durante um período crítico, onde o Tricolor definiu sua permanência na Série B.

Paulo Comelli foi expulso contra o América-RN, no dia 23 de setembro, por ofender o árbitro carioca Pablo dos Santos Alves. Caso tivesse que cumprir a pena quando julgado pela primeira vez, o treinador só poderia ficar no banco de reservas justamente nesta última rodada.

O efeito suspensivo permitiu um caminho inverso. Comelli ficou de fora de apenas um jogo até aqui – na derrota para o Brasiliense (3×1) – e depois voltou ao seu posto normal nas últimas seis partidas, de onde viu o Paraná vencer quatro vezes e se garantir na Segundona para 2009.

Contra o Santo André, o auxiliar-técnico André Chita deverá mais uma vez ocupar a área técnica. Comelli, desta vez, sequer foi ao julgamento. Preferiu ficar em Curitiba, ainda curtindo a meta atingida.

“Para mim, valeu como um título”, frisou o técnico, após a décima vitória à frente do Tricolor. “Sei que o torcedor esperava mais. Porém, o segundo turno da equipe foi muito forte. Estamos, hoje, apenas atrás do Corinthians”, lembrou. “Não era uma missão fácil e sei que muitos não encarariam esse desafio.”

Comelli assumiu o Tricolor na 15.ª colocação e em queda livre. Pouco mais de cem dias depois e com uma reformulação profunda no elenco, o técnico colocou o Paraná em 10.º lugar, a melhor posição ao longo de toda a temporada.

“Vamos agora tentar fechar o ano com mais um resultado positivo”, arrematou o comandante paranista, no aguardo de uma definição quanto ao seu futuro no clube.