Paulo Campos está de volta, mas vai
pegar um time na lanterna, em crise
e pertinho da segunda divisão.

A recontratação de Paulo Campos detonou uma crise sem precedentes no departamento de futebol do Paraná. Durval Lara Ribeiro e Paulo Welter deixaram seus cargos, insatisfeitos com os sucessivos desmandos no clube. Responsável pela montagem do grupo que no ano passado terminou o Brasileiro na 10.ª colocação, Vavá admite ter cometido erros na atual temporada, mas garante que muitas de suas idéias foram “barradas” pelo presidente José Carlos de Miranda, alvo principal de suas críticas. “Acho que se cometi um grande erro, foi ter trabalhado para elegê-lo presidente”, disparou.

Durval Lara Ribeiro procurou a Tribuna para expor “verdades” sobre o atual momento do Paraná, que culminaram com seu afastamento. “Só lamento não ter tomado essa posição lá atrás. Mas não queria tumultuar o clube”, comentou. Para Vavá, o primeiro deslize ocorreu no momento em que o Paraná contratou Paulo Campos. “Ele chegou e já exigiu a contratação de um preparador físico (William Hauptman). Eu e o Paulo (Welter) fomos votos vencidos, pois não queríamos a saída do Fabiano Rosenau, um profissional de muita qualidade”, recordou. Foi Vavá quem alinhavou a parceria com o empresário Sérgio Malucelli. “Só que na seqüência, não conseguimos frear algumas contratações. Pecamos por omissão.”

O ex-dirigente disse que inicialmente, apenas sete jogadores viriam para o Paraná Clube. “E isso, porque eram atletas avalizados por Paulo Campos, pois tínhamos interesse real em apenas dois jogadores: Ximba e Galvão”, explicou. No final, a “parceria” acabou trazendo dezesseis jogadores para o clube, dos quais dez já foram dispensados por deficiência técnica. “No momento da segunda intertemporada, em Piratuba, todo dia chegava um jogador.” Indagado sobre sua condição para “vetar” essas transações, Vavá comentou que “quando a gente via, o jogador já estava aí”.

“Trairagem”

Segundo Vavá, tudo era acertado diretamente entre o empresário Sérgio Malucelli e o presidente Miranda, com a aceitação de Paulo Campos. Nesta época, o Paraná trouxe Marcelo, Gilmar, William Xavier e Nélio, sendo que todos já deixaram o clube. “Tínhamos alguns planos, mas sempre éramos orientados a não contratar jogadores muito caros. Foi assim que perdemos o Isaías e o Luciano Henrique”, comentou. “Além disso, se o grupo não tinha qualidade, o treinador é quem deveria analisar e o Paulo Campos teve duas intertemporadas para fazer isso.”

Durval Ribeiro não fez críticas diretas a Sérgio Malucelli. “Ele é empresário e quer negociar o seu produto. O Sérgio nos ajudou em acertos com Jadílson, Canindé e Wellington Paulista. Só acho que o presidente deu muita corda e o resultado foi a enxurrada de jogadores que o Paraná contratou.” Para Vavá, Miranda trata do futebol “como brinquedo” e o vice José Domingos “fica sempre em cima do muro”. Vê nesse processo, o motivo da falta de união do elenco. “O grupo está dividido e isso é reflexo do que acontece no comando do futebol. Tenho culpa, não nego, mas eu e o Paulo Welter fomos cerceados.”

Mais do que a volta de Paulo Campos, Ribeiro citou outro fato para justificar seu “pedido de demissão”. “No sábado, decidimos por unanimidade que toda a comissão técnica estava fora. No dia seguinte, pela manhã, tive que passar esta posição aos profissionais. Porém, após ter me desgastado, o presidente disse que alguns poderiam permanecer, já que o Paulo Campos estava voltando. Foi somente mais uma das trairagens do Miranda”, finalizou.

Solução está no passado

Reformulação geral. Com perspectivas pouco animadoras, restando apenas dezenove rodadas para o término do Brasileirão, o Paraná parte para uma nova troca no comando técnico. Só que de forma inusitada. Sem muitas opções compatíveis com seu orçamento, o Tricolor apela pra volta de Paulo Campos, exatamente dois meses após tê-lo descartado. O treinador reassume seu posto hoje, com a missão de livrar o representante paranaense do descenso. A decisão gerou discórdia e culminou com a saída dos diretores de futebol Durval Ribeiro e Paulo Welter.

A demissão de Gílson Kleina foi definida no sábado à noite, logo após a 16.ª derrota do Paraná, para o Juventude, por 2 a 1. Desta vez, porém, a diretoria votou pela queda de toda a comissão técnica, incluindo auxiliares, preparadores físicos e preparador de goleiros. A partir desta decisão, a busca por um substituto teve início. Como Abel Braga pediu salários fora dos padrões do clube (R$ 80 mil), a negociação não evoluiu. Outros nomes como Lula Pereira e Roberval Davino foram prontamente descartados pelo presidente José Carlos de Miranda, que então sugeriu a volta de Paulo Campos.

“Com ele, obtivemos quase 40% de aproveitamento. Vamos esperar que esse trabalho seja retomado”, comentou Miranda. Quando da saída de Campos, Miranda foi voto vencido e o próprio treinador não resistiu à pressão dos outros dirigentes. A volta de Paulo Campos foi respaldada pelos vice-presidentes de outras áreas e até por dois ex-presidentes do Paraná Clube, além do parceiro, Sérgio Malucelli. “Sei que é uma decisão polêmica e por isso busquei outras opiniões. Sempre deixei claro que havíamos trocado de treinador em um momento ruim, quando teríamos jogos seguidos a cada três ou quatro dias”, explicou Miranda.

A composição da comissão técnica só será definida após uma reunião entre dirigentes e Paulo Campos, hoje. “Quero expor minhas idéias e ver se haverá sintonia de pensamentos”, comentou o treinador, que se disse surpreso com o convite. “Nunca vi isso, um técnico sair e na mesma competição voltar ao clube. Mas, fiquei muito feliz, pois quem convive comigo sabe o quanto fiquei triste quando não pude dar continuidade ao meu trabalho. Justamente num momento em que as coisas começavam a se acertar e o time a evoluir”, finalizou Campos.

O treinador comandou o Paraná Clube em onze jogos, totalizando três vitórias, quatro empates e quatro derrotas e um total de 39,39% de aproveitamento. Desde então, o Tricolor que reformulou seu grupo de jogadores somou só 20,83% dos pontos disputados. O rendimento acabou custando o emprego de Gílson Kleina e a crise de relacionamento entre dirigentes foi potencializada ao extremo. O vice de futebol José Domingos não confirmou quem ocupará os cargos de Vavá e Paulo Welter.