Carlos Alberto Parreira foi apresentado nesta terça-feira (2) como “reforço” da Traffic para a nova empreitada da empresa de marketing esportivo: a criação de um centro de excelência em futebol, a fim de formar novos jogadores e também outros profissionais do futebol, especialmente técnicos.

Parreira será o diretor-técnico da empresa, e promete trabalhar diretamente com os profissionais ligados ao centro de treinamento, que será inaugurado no começo de novembro, na cidade de Porto Feliz (a cerca de 100 quilômetros de São Paulo).

“Tenho 40 anos de experiência no futebol e muito material guardado, muito aprendizado, coisas que não podem se perder”, afirmou o ex-técnico da seleção brasileira. Meses depois de deixar a seleção da África do Sul por motivos pessoais, Parreira não quis dizer que considera encerrada sua carreira de técnico. “Mas é um primeiro passo para começar a sair das quatro linhas”, admitiu.

O empresário J. Hawilla, proprietário da Traffic, contou que as primeiras conversas sobre o assunto com Parreira foram travadas há três anos. Os jogadores e outros profissionais que trabalharem no centro, a ser batizado como Academia Traffic de Futebol, serão aproveitados pelo Desportivo Brasil, clube que foi criado pela empresa e que disputa apenas competições de categorias de base – e, com o tempo, passará a participar de campeonatos profissionais.

O plano, reconhece o próprio Hawilla, é pretensioso. “Para nós é um prazer, um orgulho contar com o Parreira, para esse projeto de longo alcance. Será um trabalho sério, transparente, com o objetivo de contribuir para o futebol brasileiro.” Depois, completou: “Claro, é um negócio comercial, para dar lucro.

Esse lucro, segundo o empresário, viria da negociação dos jogadores para outros clubes brasileiros ou do exterior. E, embora o projeto não tenha ligação direta com o fundo de investimentos que vem contratando jogadores para vários clubes do País, entre eles o Palmeiras, não está descartada a criação de parcerias – não apenas no empréstimo de jogadores profissionais, mas de know-how para quem se interessar pelo modelo de administração de categorias de base.

“É uma coisa que clubes do mundo inteiro poderão copiar”, afirmou Julio Mariz, diretor-presidente da Traffic. “O brasileiro ainda é o melhor do mundo, dentro do campo de futebol. Precisa agora ter equipes completas de alta performance do lado de fora”, completou Parreira.

É nessa parte do trabalho que o ex-técnico da seleção entrará, coordenando o trabalho técnico e tático junto com os futuros treinadores, e com a pretensão de ensinar o método completo para cuidar de uma equipe. “O técnico tem que saber planejar os tipos de treino que vai dar durante a semana, planejar o trabalho para toda a temporada. Tem muito treinador aí que, se você perguntar, não sabe como fazer isso”, concluiu Parreira.