O treinador acredita na
evolução gradativa da seleção.

Rio – O técnico Carlos Alberto Parreira prevê que as Eliminatórias para o Mundial de 2006 vão ser marcadas por muito equilíbrio e aposta na classificação de pelo menos duas seleções para a Copa da Alemanha: Brasil e Equador. “É muito cedo ainda para dizer quem vai se classificar ou ficar fora. Mas os resultados foram muito interessantes.

Um time (Uruguai) ganha de cinco e depois perde de goleada. Outro (Paraguai) leva quatro gols na estréia e depois dá goleada.” Ele lembrou que a Argentina, apesar da excelente participação nas eliminatórias do último Mundial, com 13 vitórias, quatro empates e somente uma derrota, só conseguiu garantir a vaga a quatro rodadas do fim do torneio.

Parreira mais uma vez enalteceu a seleção brasileira, por ter alcançado o objetivo de conquistar seis pontos nas duas rodadas iniciais das eliminatórias. “Não fomos brilhantes no jogo com o Equador, mas encerramos a primeira etapa com seis pontos e como líderes isolados.” O treinador disse acreditar na classificação do último adversário, por ser um time maduro, experiente – a maioria disputou a Copa de 2002.

“Foi o segundo colocado nas últimas eliminatórias, ficando à nossa frente. Nos venceu por 1 a 0 em Quito e perdeu no Brasil por 3 a 2. Com certeza, nem vai precisar da repescagem para chegar entre os quatro primeiros.”

Para as rodadas seguintes, em novembro, quando enfrentará o Peru, em Lima, e o Uruguai, em Curitiba, Parreira tende a manter a lista de convocados, com apenas uma exceção: a volta de Kleberson, relacionado para os jogos com Colômbia e Equador e cortado por contusão. “É preciso dar ritmo ao time e isso vai vir com a seqüência da competição.”

Ele voltou a afirmar que reuniu o grupo para essas duas partidas num momento inapropriado, salientando que os jogadores que atuam na Europa acabaram de sair da fase de pré-temporada de seus clubes. “Em novembro vão estar em outro estágio físico e técnico. O rendimento vai melhorar.”

Rivaldo dispara contra torcida brasileira

São Paulo –

Rivaldo aprendeu ao longo da sua carreira a não deixar nada sem resposta. Principalmente depois de conseguir o pentacampeonato mundial no Japão. O jogador está desgostoso com sua situação no Milan e na seleção brasileira, mas os motivos são diferentes.

No milionário clube italiano não se conforma com a reserva e se a situação não mudar, ele promete até mudar de time no final do ano. E na seleção, não acha justas as vaias que recebe da torcida. Por tudo que já fez e acredita poder repetir em campo. Mas sua reação não será abandonar as convocações. Pelo contrário. Vai comprar a briga, mudar a opinião dos torcedores e calar as críticas mais uma vez.

“Fiquei muito chateado com a reação dos torcedores em Manaus. Bastava eu chegar perto das laterais do campo que eu já ouvia as vaias e os palavrões”, contou Rivaldo, no desembarque da seleção em São Paulo, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Equador. “Há uma pressão enorme por parte da imprensa e dos torcedores para que os jovens como o Kaká, o Diego e Alex entrem no time. Eu já sai há muito tempo do Brasil, há sete anos. Não há mais grande identificação. Mas eu mereço mais respeito por tudo que já fiz. Há um ano fui um dos grandes responsáveis pelo pentacampeonato mundial. E agora sou vaiado. Não mereço.” Rivaldo nem pensa em não atender mais as convocações. “O Parreira e todos os jogadores me respeitam. Tenho muito prazer em atuar pela seleção. Tenho o sonho de disputar a próxima Copa. Se na época não estiver jogando bem, não vou reclamar. Mas agora, não. Tenho condições de ser titular e vou provar mais uma vez para quem me critica”, avisou o jogador de 31 anos.

Rivaldo sabe que o fato de estar na reserva no Milan atrapalha o seu desempenho. Mas ele promete colocar um fim nesta situação. De um jeito ou de outro. “Na temporada passada concordei com a reserva. Cheguei abaixo fisicamente e depois me contundi em um time já montado. Conversei com o técnico Carlo Ancelotti e desta vez terei meu lugar como titular”, garantiu.

O brasileiro ameaça até sair caso não seja escalado. “Respeito o grupo, o Milan, o treinador, mas se for para continuar na reserva, vou procurar o meu lugar em outro clube. Não é porque tenho dois anos de contrato que vou ficar recebendo sem jogar. Minha carreira é vitoriosa”, afirmou Rivaldo. “Tenho 31 anos e estou no meu auge. Se alguns atletas se acomodam com a reserva, não é o meu caso. Em clube, em seleção e em lugar algum.”

Lúcio e Émerson não aceitam cobranças

São Paulo –

Lúcio e Émerson. Dois pentacampeões estão sendo questionados depois das duas primeiras partidas da Seleção Brasileira nas Eliminatórias. O zagueiro por sua violência. E o volante por se limitar a roubar a bola e a entregá-la a quem está mais perto. Bem ao contrário da sua ?sombra?, Renato, do Santos.

Os dois tentam mostrar tranqüilidade. Mas não conseguem. “Eu estou sendo criticado sem razão. O que acontece e as pessoas parecem que não percebem é que o Brasil não joga mais com três zagueiros como fazia com o Luiz Felipe Scolari. Com o Parreira somos só dois atrás. As divididas serão mais mais freqüentes. Eu preciso entrar de maneira viril porque se passar por mim o Brasil pode tomar gol”, tenta explicar Lúcio.

Lúcio só assume ter sido violento contra a Colômbia. Nas demais divididas em que esteve envolvido só usou a força que aplica no futebol europeu. ” Me excedi na joelhada que dei em um jogador da Colômbia (Restrepo). Poderia ter me segurado um pouco. No primeiro lance que as pessoas reclamam (com Grisalez) dei um empurrão e acabei acertando sem querer o seu rosto. Mas foram lances normais. O Parreira compreendeu porque é viajado, já trabalhou no dia-a-dia do futebol europeu”, destaca.

“No Brasil os torcedores não estão acostumados a ver tanto contato físico no futebol. Por isso estranham. Mas tanto o Parreira quanto os dirigentes europeus sabem do meu valor. Por isso estou sendo cotado para sair do Bayer Leverkusen para o Real Madrid”, diz, orgulhoso.

Já Emerson é bem mais direto. Ele, que só não foi capitão do Mundial do Japão por causa de uma contusão, sabe da pressão pela escalação de Renato do Santos no seu lugar. “Eu nunca pedi para ser convocado ou para ser titular. Estou jogando o meu futebol e dando o máximo. Se tiver de sair do time tudo bem. Só quero ser respeitado.”

Largada gera polêmicas

São Paulo –

As duas primeiras rodadas das eliminatórias na América do Sul foram suficientes para provocar polêmicas, levantar dúvidas a respeito do futuro de algumas seleções ou para estimular esperança de classificação para a Copa da Alemanha. Nenhuma das dez seleções da região, enfim, passou em branco da caminhada inicial para 2006. A começar pelo Brasil, que fez seu papel e venceu duas vezes (embora sem brilho contra o Equador).

A crise já ronda a Colômbia. Depois de derrotas consecutivas e futebol pobre diante de Brasil (2 a 1) e Bolívia (4 a 0), o alvo principal de críticas é Francisco Maturana. Há contestação aberta contra o treinador, e muito gente quer vê-lo longe da equipe. “Todos estamos mal, inclusive eu”, admitiu o técnico. “Mas isso passa e não vou me abater”, garantiu, ao mesmo tempo em que afastou hipótese de demissão. Aparentemente, tem respaldo de Oscar Astudillo, presidente da federação de futebol local.

Desânimo sobra na Venezuela. A única seleção sul-americana que jamais esteve em mundiais perdeu para Equador (2 a 0) e Argentina (3 a 0) e nem o técnico Richard Paez apela para discurso otimista. Assim como seu colega Maturana, promete “reação”.

O sinal de alerta disparou para Peru e Uruguai. Ambos estrearam com resultados empolgantes, mas tropeçaram no meio da semana. Os peruanos haviam feito 4 a 1 no Paraguai, mas bateram cabeça contra o Chile e perderam por 2 a 1. O técnico Paulo Autuori aposta no tempo para resolver falhas.

Os uruguaios foram para Assunção empolgados com os 5 a 0 sobre a Bolívia e voltaram chamuscados com a surra de 4 a 1. O técnico Juan Carrasco vive situação curiosa, porque o time não se mostrou regular, mas tentou jogar de forma mais atrevida.

O tema de debates no Paraguai é Chilavert. Parte da imprensa e da torcida queria o veterano goleiro no grupo de convocados por Anibal Ruiz, principalmente depois da derrota para o Peru. Bastaram os gols sobre o Uruguai para que o polêmico craque já não seja considerado essencial. A expectativa fica em torno de Justo Villar, goleiro do Libertad, de Assunção, que jogou na quarta e agradou. Por enquanto, por ordem da Federação Paraguaia de Futebol, ninguém está autorizado a usar o número 1, que ?pertence? a Chilavert.

Os bolivianos são só sorrisos, depois da peça que pregaram na Colômbia. Pela enésima vez, festejaram a altitude de La Paz (3.600 metros) como maior aliada para garantir sucesso nas Eliminatórias. O técnico Nelson Acosta, ?importado? do Chile também concentra elogios. “Ele custa caro, mas é vencedor”, ponderou Walter Castedo, presidente da federação boliviana de futebol.

O Chile comemora o empate com a Argentina (2 a 2) e a vitória sobre o Peru. O técnico Juvenal Olmos está em alta. O colombiano Héctor Gomez manteve o prestígio, mesmo com a derrota para o Brasil. A garra, a pegada da equipe em Manaus mereceram aplausos.

O técnico Marcelo Bielsa ganhou trégua na Argentina, após a boa apresentação contra a Venezuela. Voltaram a confiança abalada na estréia, e a certeza de que o time crescerá.