Teresópolis – Um treino coletivo com vitória dos reservas por 2 a 1 foi suficiente para deixar o técnico Carlos Alberto Parreira preocupado, ontem, em Teresópolis. O entusiasmo da véspera acabou. A seleção brasileira se mostrou vulnerável aos contra-ataques, arma que Parreira considera como a predileta dos argentinos. O técnico percebeu que o seu time tem deficiências na marcação e admitiu que pode mudar seu plano de jogo para vencer a Argentina.

“Cautela, muita cautela. Sofremos dois contra-ataques fulminantes e isso pode ser fatal contra a Argentina. Eles jogam com três atacantes abertos, Delgado, Crespo e o Killy. Temos de ter cuidado com os contra-ataques.” Toda essa preocupação obriga Parreira a repetir hoje mais um coletivo na tentativa de reorganizar a seleção. A saída, indicou o treinador, é recuar a equipe. “Quando a gente joga com seis a oito jogadores atrás da linha da bola, fica mais fácil. Talvez tenhamos de jogar assim contra a Argentina.”

Não é apenas a marcação que deixou Parreira intrigado. O ataque também não decolou. As tabelas entre Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo

não apareceram diante do esquema dos reservas, armado à semelhança do time argentino. Jogaram os reservas com três zagueiros (Luisão, Gilberto Silva e Cris), quatro no meio (Belletti, Júlio Baptista, Edu e Felipe) e três na linha de frente (Kléberson, Luís Fabiano e Alex).

“O time titular sentiu muitas dificuldades, não foi nada do que esperávamos”, comentou Parreira. “Temos de melhorar muito. Foi bom que os erros apareceram agora. Ainda temos tempo para corrigir o que saiu errado.” Não parece tão fácil assim. Kaká, bem marcado, não encontrou os dois Ronaldos. Cafu e Roberto Carlos tiveram enormes dificuldades para chegar na linha de fundo. Em 45 minutos de coletivo, a melhor jogada dos titulares saiu dos pés de Zé Roberto, que avançou pela ponta-esquerda e cruzou para Juninho Pernambucano marcar de cabeça. Luís Fabiano e Edu fizeram os gols da vitória dos reservas.

Entre os jogadores não ficou tão evidente a preocupação de Parreira. Os de mais poder no time – o trio Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo – evitaram se manifestar sobre o treino. Saíram do campo e correram para os vestiários, depois de rápida saudação aos torcedores, que tomaram conta da Granja Comary a convite dos patrocinadores.

Pelo menos 200 pessoas correram atrás de autógrafos e fotos dos craques. Desde que a seleção chegou na Granja Comary, sexta-feira, o ambiente tem sido de muita empolgação, compromissos com os patrocinadores. Parreira comandou apenas dois treinos táticos e um coletivo. Não ensaiou uma cobrança de falta e nenhuma jogada especial.

Marcos é cortado e Júlio César convocado

Teresópolis – Marcos ficará afastado dos jogos do Palmeiras por pelo menos dez dias. A previsão é do médico da seleção brasileira, José Luís Runco, que decidiu pelo corte do goleiro, ontem, em Teresópolis. Julio César, do Flamengo, foi convocado, se apresenta hoje de manhã na Granja Comary e segue à tarde com a seleção para Belo Horizonte.

“Conversei com o doutor Runco e decidimos que era melhor eu deixar a seleção porque não poderia ajudar em nada nos treinos”, disse Marcos, que se machucou nos treinamentos de sábado ao levar, no punho esquerdo, uma bolada de um chute de Cafu.

Ontem, Marcos ficou fazendo tratamento na Granja Comary e hoje retorna a São Paulo. O goleiro disse que não passa por má fase nem falta de sorte. “Nos últimos 20 jogos pelo Palmeiras, falhei apenas em três. Sou um campeão do mundo e por isso sou tão cobrado. Talvez se jogasse fora do País, as cobranças seriam bem menores.” Antes de ser examinado por Runco, Marcos estava preocupado. Temia que o traumatismo pudesse afastá-lo por um longo tempo. Só voltou ao normal depois de ouvir de Runco que a contusão não era grave.

“Pensei que tinha sido em cima do punho onde eu operei. Tenho alguns movimentos limitados desde a cirurgia. Depois do chute do Cafu, a minha mão ficou paralisada. Achei que não ia mexer mais. Depois fiz o tratamento e fiquei tranqüilo. Não foi nada grave”, disse o goleiro.

Carlos Alberto Parreira garantiu ontem que Marcos continua nos planos da seleção. “Contamos com ele. Quando se recuperar, volta.”

Argentina só tem uma dúvida no ataque pra Quarta

Buenos Aires – O técnico Marcelo Bielsa tinha a escalação da Argentina na cabeça para o jogo de quarta-feira contra o Brasil no Mineirão, mas ganhou uma dúvida de última hora por causa do desgaste do atacante César Delgado, que jogou quarta-feira à noite e sábado à tarde pelo Cruz Azul no campeonato mexicano e só se apresentou ontem à noite. Como Mariano Gonzalez (Racing) e Mauro Rosales (Newell?s Old Boys) passaram a semana treinando com a seleção e não jogaram por seus clubes na rodada de sábado, passaram a ser levados em conta pelo treinador para formar o ataque com Hernán Crespo e Killy Gonzalez.

Hoje de manhã Bielsa terá todos os jogadores à disposição pela primeira vez na preparação para o jogo de quarta. Além de César Delgado, outros três jogadores se incorporaram ontem à noite ao grupo: o goleiro Abbondanzieri, o zagueiro Burdisso, do Boca e o meia Lucho Gonzalez, do River Plate.

Hoje o treino será pela manhã e Bielsa dará uma coletiva às 13h30. A delegação viaja para o Brasil num vôo fretado às 17h. Três jogadores darão entrevista esta noite no hotel Ouro Minas e amanhã ninguém da delegação falará com a imprensa.

Bielsa vai avaliar bem a condição física de César Delgado antes de decidir se o escalará para enfrentar o Brasil. Ele precisa de um jogador com muito fôlego para jogar aberto no lado direito do ataque, porque uma de suas missões será dificultar os avanços de Roberto Carlos.

Mariano Gonzalez joga pelo lado esquerdo, mas por ser destro não tem dificuldade em atuar do outro lado.

Mauro Rosales joga pela direita e no pré-olímpico era o reserva de César Delgado. Na coletiva de hoje, Bielsa deverá anunciar que Zanetti será o capitão diante do Brasil.

Juan deve ser titular da zaga brasileira

AE

Teresópolis – Juan, zagueiro do Bayer Leverkusen, é o preferido de Parreira para jogar ao lado de Roque Júnior contra a Argentina. Luisão, outra opção do treinador, deve mesmo ficar na reserva. “O Juan está em ligeira vantagem sobre o Luisão”, disse, ontem, o técnico da seleção brasileira.

“Tem mais experiência, já jogou partidas das eliminatórias.” Parreira ainda não decidiu se Juan será o titular. Hoje, o treinador pretende observar Luisão no último treino antes do embarque para Belo Horizonte. “Estou pronto para jogar. Participei das eliminatórias passadas e encaro esta partida contra a Argentina como um grande desafio.” Roque Júnior disse que não tem preferência pelo parceiro de zaga. “Quem escala é o Parreira. Cabe a nós conversar bastante para um orientar o outro, só isso.”