Rio – Técnico 24 horas por dia da seleção brasileira, seja em casa com a família assistindo a jogos ou na rua no convívio diário com os torcedores exigindo este ou aquele nome no time, o técnico Carlos Alberto Parreira até hoje, dia de seu aniversário, não terá folga. Comemorará a nova idade, 63 anos, em Moscou, onde na quarta-feira o Brasil enfrenta a Rússia, em jogo amistoso.

Ao contrário do atacante Romário, do Vasco, que concedeu longa entrevista coletiva ao completar 40 anos, Parreira é econômico ao falar sobre a idade. Mas não escondeu a alegria por tudo que conquistou ou viveu ao longo dos anos.

?Depois dos 60 a gente tem de agradecer a Deus por viver a cada dia. E agradeço por viver bem, com intensidade e feliz?, comemorou o técnico.

A felicidade de Parreira se deve, sobretudo, ao fato de comandar a seleção brasileira. ?Claro, porque trabalho em um ambiente de absoluta tranqüilidade, com pessoas maravilhosas, sem nenhuma pressão?, explicou.

A pressão que não existe no ambiente de trabalho, transborda nas ruas, onde o técnico da seleção mais vitoriosa do mundo precisa enfrentar as cobranças dos torcedores. Parreira contou que, por vezes, fica irritado porque sempre é parado nas ruas para ouvir pedidos pela presença de um ou outro jogador no grupo: ?Respondo logo: ?E tiro quem (risos)???

Celebridade

O status de celebridade ou de uma figura com a importância de um presidente da República, por mexer com a principal paixão dos brasileiros, não é empecilho para Parreira. O treinador rechaçou os rótulos e optou por recorrer à humildade. ?Continuo com simplicidade e pés no chão. Trabalhando com a mesma intensidade, carinho, vontade e diria até a humildade do começo da carreira?, enfatizou o técnico. ?Esse tipo de nomenclaturas são coisas de vocês (jornalistas).?

Parreira iniciou sua carreira aos 24 anos, como preparador físico do São Cristóvão, no Rio, após se formar em 1966 pela Escola Nacional de Educação Física. Em 1968, assumiu seu primeiro desafio como técnico, na seleção de Gana, quando se tornou vice-campeão da Copa Africana.

No ano seguinte, voltou para o Brasil e assumiu a preparação física do Vasco. Em 70, foi convocado como um dos preparadores físicos para a Copa do México, onde o Brasil conquistou o tricampeonato. Trabalhou também no Fluminense, até que em 1978, após passar dois anos como auxiliar-técnico da seleção do Kuwait, assumiu a equipe e não abandonou mais a carreira de treinador.

Títulos

Além da Copa do Mundo de 1994, fazem parte das conquistas inesquecíveis de Parreira alguns títulos nacionais, como o único Campeonato Brasileiro do Fluminense, em 1984, e os triunfos pelo Corinthians: o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil, ambos em 2002.

Por causa da trajetória vitoriosa, Parreira frisou se sentir realizado e nem exagerou na hora de pedir seu presente: ?Quero continuar vivendo com saúde, desfrutando da presença dos meus amigos, da minha família, porque isso é o mais importante na vida. O resto a gente agrega?.

Quanto à conquista da Copa de 2006, não fez previsões e optou por embarcar na brincadeira ao ser informado de que seu horóscopo prevê um período de prosperidade a partir do dia 13 de junho, data de estréia do Brasil na Alemanha, contra a Croácia. ?Que bom! Tomara que seja cumprido?, brincou o técnico, que na noite de hoje será presenteado pelos jogadores da seleção com um bolo, após o jantar em Moscou.