Chegou ao fim o ciclo de Rodrigo Pastana no Paraná Clube. Depois de estar à frente das escolhas do elenco do Tricolor por quase dois anos, o executivo de futebol não teve forças para suportar a pressão em razão da péssima campanha do time na Série A do Campeonato Brasileiro, e foi desligado do clube após a derrota para o Grêmio neste sábado (15). O ex-goleiro Marcos, então coordenador, passa a ser o diretor de futebol tricolor.

Rodrigo Pastana chegou ao Paraná Clube em dezembro de 2016 e foi o responsável por montar o elenco de 2017, que conquistou o acesso à Série A do Brasileirão depois de o Tricolor amargar a segunda divisão por 10 anos consecutivos.

O executivo já estava sendo contestado por sua atuação e sua saída já vinha sendo solicitada pela torcida desde maio, quando as divergências políticas internas do clube ficaram escancaradas. Na ocasião, veio à tona que o presidente Leonardo Oliveira e o investidor Carlos Werner entraram em conflito – e o pivô da crise seria justamente o responsável pelo departamento de futebol. Apesar da pressão, Oliveira blindou Pastana e permitiu que o dirigente pudesse continuar a exercer sua função.

Antes de chegar ao Tricolor, Pastana teve passagens por diversos clubes como Ceará, Goiás, Bahia, Guarani, Figueirense, Criciúma e Grêmio Barueri. Mas foi na Vila Capanema onde fez seu trabalho de maior visibilidade – para o bem e para o mal.

Do amor ao ódio

O trabalho de Rodrigo Pastana começou a “cair no gosto” do torcedor quando o Paraná Clube conseguiu fazer frente a grandes equipes no cenário nacional do futebol e avançou às oitavas de final da Copa do Brasil de 2017, depois de anos sendo eliminado nas fases iniciais da competição. Na ocasião, o Tricolor desbancou Bahia, Vitória e conseguiu um triunfo histórico em cima do Atlético-MG, no jogo de ida. Na partida de volta, o Tricolor não teve força diante do Galo, que jogava na Arena Independência com o forte apoio de seu torcedor, e foi eliminado. Ainda assim, os torcedores paranistas exaltaram a qualidade e dedicação daquele elenco.

Rodrigo Pastana, com olhar clínico, soube montar um elenco barato, mas que desse retorno. Foto: Albari Rosa
Marcos, Matheus Costa, Richard e Rodrigo Pastana na festa do acesso no ano passado. Foto: Albari Rosa

Após a participação “digna” na Copa do Brasil, o time “pinçado” por Pastana começou a empolgar na Série B e dar esperanças ao seu torcedor de que, finalmente, seria possível voltar à primeira divisão. Vitórias importantes na campanha da Segundona de 2017 como o 1×0 diante do Internacional, com a torcida paranista quebrando o recorde de público da Arena da Baixada, e a virada em cima do Londrina, com golaço de Renatinho no final da partida, mostraram a qualidade do elenco montado pelo executivo.

Apontado como responsável direto por identificar qualidade em jogadores que eram sub-utilizados em seus clubes – como foi o caso do zagueiro Iago Maidana, sem espaço no São Paulo, mas que brilhou no Paraná – Pastana caiu nas graças do torcedor em 2017.

Porém, bastou a temporada 2018 começar para que as fraquezas do novo plantel paranista fossem expostas. Com uma atuação fraquíssima no Campeonato Paranaense, as soluções que Pastana foi encontrando para tentar salvar o ano do Tricolor foram as trocas de treinadores (Wagner Lopes e Rogério Micale comandaram o time antes de Claudinei Oliveira) e as muitas – e até desesperadas – tentativas de contratações de jogadores “salvadores”, mas que pouco renderam. Foram 35 contratações em 2018, e 41 jogadores usados até o momento no Campeonato Brasileiro. Grande parte dos atletas que vieram este ano pouco atuaram ou já foram “despachados”.

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Nos últimos meses, diversos protestos vindos da torcida demonstravam a insatisfação em relação às escolhas de Rodrigo Pastana, que direcionou a baixa verba que o clube tinha em jogadores ruins.  Mas nos últimos dias, a pressão ficou insuportável. Na madrugada do dia 3, a organizada Fúria Independente divulgou um texto nas redes sociais pedindo a demissão do executivo. Dia 6, a Tribuna do Paraná noticiou o caso de um torcedor que foi impedido de entrar no Durival Britto com uma faixa de protesto contra Pastana. Dia 7, vazou um áudio do lateral-esquerdo Igor fazendo críticas ao dirigente. E dia 8 um grupo de sócios foi impedido de entrar no treino e divulgou uma carta que também pedia a saída do cartola. No domingo (9) em que o Tricolor foi derrotado pelo Santos por 2×0, também houve vaias e xingamentos a Pastana.

E a cobrança interna era enorme. A poucos dias da eleição, na qual será candidato único, o presidente Leonardo Oliveira se viu pressionado por conselheiros e diretores para fazer a troca no futebol – até para que o ambiente se acalmasse em um momento decisivo da temporada.

Confira a nota oficial do Paraná Clube:

O Paraná Clube comunica o desligamento do Executivo de Futebol Rodrigo Pastana na noite deste sábado (15). O Conselho Diretor agradece o trabalho desenvolvido na reestruturação e profissionalização do Departamento de Futebol do clube, que teve o seu ponto alto no acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, em novembro de 2017.

Com a saída de Rodrigo Pastana, o atual Gerente de Futebol, Marcos Oliveira, responderá pelo Departamento de Futebol Profissional.

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