Terceiro colocado na Série B do Campeonato Brasileiro, com 43 pontos, o Paraná Clube está na briga pelo tão sonhado acesso graças a um reforço que chegou no final do ano passado. Não é o meia Renatinho, artilheiro do time na temporada, ou o zagueiro e capitão Eduardo Brock. Mas sim o responsável pela chegada de todas as peças que fizeram o Tricolor acreditar na volta à Série A.

A chave do sucesso paranista é Rodrigo Pastana, executivo de futebol contratado para ser o homem forte do departamento e profissionalizar a área. Responsável pela montagem total do elenco, Pastana fez em menos de 10 meses o que nenhum outro cartola conseguiu nos últimos 10 anos: colocar o Paraná entre os protagonistas da Série B.

Entre os jogadores que atuam com frequência, apenas o volante prata da casa Leandro Vilela é remanescente do elenco do ano passado. Todos os outros atletas foram observados e contratados por Pastana. Mas as funções do dirigente vão além do mercado. Ele é visto como ‘multifuncional’ nos bastidores e fundamental na engrenagem de sucesso que embala o ano tricolor.

Exigente, o executivo de 40 anos trabalha exclusivamente para o Paraná. Não divide o tempo com outros negócios pessoais, como é comum entre dirigentes no mundo da bola. E todo o planejamento fica sob a responsabilidade dele. Da negociação de atletas e treinadores até a comunicação interna. Presente todos os dias no CT Ninho da Gralha, Pastana tem contato diário com o presidente Leonardo Oliveira, comissão técnica e jogadores.

Ele também toma a frente para manter a disciplina e a ordem no elenco. Não foram registrados problemas de indisciplina no ano. Mesmo assim, as cobranças são constantes, principalmente em relação ao cumprimento de horários e metas.

Agilidade no mercado

A principal característica que marca o trabalho de Pastana no Tricolor é a rapidez nas decisões. Atletas que deixaram o clube ou se lesionaram gravemente tiveram reposição imediata. Foi assim, por exemplo, com o goleiro Richard, o lateral-direito Cristovam e o zagueiro Iago Maidana, que substituíram respectivamente Léo, Diego Tavares e Airton.

Um ponto de destaque também foi a manutenção do meia Renatinho, artilheiro e principal jogador do Paraná no clube. O camisa 10 foi muito cobiçado após o Estadual, mas o clube conseguiu segurá-lo.

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“Eu fiquei surpreso com o conhecimento de atletas que o Pastana tem. Ele conhece jogadores de todos os lugares do Brasil e consegue antever as situações. Ele sente quando alguém vai sair e já agiliza a reposição. Está sempre conversando com comissão, perguntando sobre quais características encaixam. Eu já trabalhei com diversos profissionais, mas nenhum tão aberto ao diálogo quanto ele”, elogia Tcheco, gerente de futebol e que agora exerce o cargo de auxiliar interino.

Relação com os técnicos

A atenção ao mercado em relação ao comando técnico não é menor. Quando Wagner Lopes aceitou uma proposta para treinar o Albirex Niigata, do Japão, em maio, Cristian de Souza foi apresentado logo em seguida. E com a queda brusca de rendimento, o próprio Pastana sentiu que era hora de trocar de treinador.

Nem Lisca, que estava em lua de mel com a torcida, escapou do dirigente ‘linha dura’. Depois de “um dia de fúria”, como o próprio Pastana descreveu, o técnico foi demitido por má conduta profissional, mesmo a contragosto dos torcedores. A decisão não foi questionada por nenhum jogador e, desde a saída de Lisca, o Tricolor venceu os três jogos na Série B sob o comando interino do auxiliar Matheus Costa.

Um nova troca, porém, é praticamente descartada pelo pouco tempo que resta para acabar a temporada. Tcheco e Matheus Costa tem o conhecimento total do elenco por estarem no clube desde o início do projeto e contam com o apoio total de Pastana.