O ex-vice-presidente de futebol do Paraná Clube, Celso Bittencourt, enviou uma carta à imprensa, nesta sexta-feira (20), pedindo a união do presidente do Tricolor, Rubens Bohlen, e todos os “Paranistas de Bem”. O pedido do ex-dirigente é para que todos os torcedores do clube estejam juntos neste momento delicado do Paraná.

Bittencourt faz questão de ressaltar o apoio dado pela atual diretoria aos antigos mandatários e pede uma retribuição dos ex-dirigentes.

Confira abaixo a carta na íntegra:

Incialmente, aproveitando a oportunidade, quero fazer um agradecimento público às 82 pessoas, que me mandaram mensagens quando de meu desligamento do Clube, me cumprimentando pelos trabalhos realizados durante os quatro anos em que lá estive, e lamentando minha saída. Essas mensagens vieram de funcionários administrativos, funcionários do departamento de futebol e das categorias de base, atletas, ex-atletas, dirigentes atuais e ex-dirigentes do Clube, técnico e ex-técnicos do Paraná Clube, conselheiros, empresários, dirigentes de outros clubes, jornalistas, radialistas, familiares, amigos e torcedores. Além dessas mensagens escritas, recebi inúmeros telefonemas e contatos pessoais, na mesma linha, o que em parte me confortou pelo ocorrido no Conselho Deliberativo, e do Conselho Diretor recebi apoio de todos, inclusive e principalmente do Presidente Bohlen, pedindo que me mantivesse no cargo, mas que, por questão de princípios, decidi me desligar.

No início de janeiro ainda participei de reuniões fora do Clube, em assuntos estratégicos, e logo em seguida tive uma pequena divergência com o Presidente Bohlen, até pela tensão normal no ambiente Paraná Clube, em função das dificuldades, e também para não ficar “buzinando” de fora, decidi me afastar de vez, contente apenas por perceber que o planejamento para o futebol estava seguindo o que determinamos no final de novembro, ou seja, o esforço para redirecionar alguns atletas emprestados, negociar alguns desligamentos, trazer apenas atletas de baixo custo e jogar o paranaense com os meninos feitos em casa, preparados desde 2012, quando implantamos o projeto de ambientação de atletas da base no profissional, já sendo realidade hoje o Murilo, Jociel, Wendell, Guilherme, Renan, Yan, Jean, Vilela, Serrato, Carlinhos, Diogo, somados ao Elivelton, Lucas Bonfim, Alex Brilhante, Yan Philippe, Lucão, Capinha, Zé Victor, Hudson e tantos outros, mais o Neto e o Lucas Pará, incluídos na pré-temporada em tratativa com o Marcus Vinicius, Gerente de Futebol, antes de meu desligamento.

Assim sendo, não tive mais nenhum contato com o Presidente Bohlen e nenhuma participação nos assuntos do Clube, apenas comparecendo aos jogos e torcendo pelo nosso Tricolor, como semPRe fiz, mas nesse momento me sinto compelido a me manifestar, pois fala mais alto o sentimento de justiça.

E também em função do pedido de diversas pessoas entre as acima citadas, decidi me manifestar nesse momento difícil da gestão Rubens Bohlen.

Longe de tudo isso, fiquei observando o que estava ocorrendo, e admirei muito a coragem e a bravura do Presidente, na pressão que recebeu de todos os lados, inclusive dos Conselhos Deliberativo e Consultivo, fato inédito na história do Clube, que mesmo em situações de cometimento de irregularidade comprovada por parte

de dirigente, filmada, escrita e confessada, o dirigente recebeu todo o respeito e apoio, e ampla condição de defesa.

Lembro aos que participam dos Conselhos do Clube e informo aos demais que o Presidente Bohlen colocou na pauta dos Conselhos Normativo (hoje Consultivo), Deliberativo e Fiscal a situação do Clube, a dificuldade de se gerir uma entidade, seja qual for, que tenha R$ 30.000.000,00 de compromissos de curto prazo, e que tenha como disponível e realizável de curto prazo R$ 7.000.000,00, dificultando qualquer negociação, pois a outra parte, sabedora da situação “pisa na goela” como se diz na gíria, e qualquer proposta de R$ 500.000,00 por um ativo que vale R$ 1.000.000,00 rece,be como contraproposta 10 cheques de R$ 20.000,00. Essa é a realidade de todas as gestões do Paraná Clube, não só do Bohlen, e nunca houve nos Conselhos um enfrentamento dessa questão, que deveria ser a prioridade 1 do Clube.

E todos sabem que quando se tem a necessidade desse tipo de decisão não depende do Presidente do Conselho Diretor, pois a aprovação final é do Conselho

Deliberativo e Consultivo.

A gestão Dilson Rossi é até hoje criticada pela venda do terreno do Britânia, mas a decisão não foi dele, foi dos Conselhos, e ninguém procurou analisar que a gestão dele foi ótima no equilíbrio das finanças. Que também se faça justiça ao mesmo.

Voltando à realidade atual, admirei a iniciativa das pessoas, que se autodenominaram “do bem”, e tenho certeza absoluta que o são, de trazer para o Clube uma proposta de investimento, coisa rara nesses últimos quatro anos.

Talvez entre poucas, as únicas exceções, desse grupo de apoio atual, foram o João Kitéria (que está incluído entre os que me enviaram mensagem quando do meu desligamento), representando a Torcida Fúria Independente, junto com sua Diretoria, o empresário Carlos Werner e o Dr. Berleze, parceiros em todos os momentos.

Tenho certeza absoluta que a intenção foi das melhores, mas talvez a forma não foi a mais adequada, independente de alegarem que fizeram o que o Presidente propôs, pois concordará comigo quem se colocar no lugar dele e entender tudo o que uma atitude, naquele momento, significaria, vendo o lado do respeito pessoal.

Para melhor entendimento, e puxando pela memória, e nunca devemos abdicar dela, volto no tempo, e retorno ao final do mês de outubro de 2012, quando comuniquei em reunião do Conselho Normativo que me desligaria do Clube no final do ano, e o Presidente Bohlen sinalizou na mesma linha. Nesse momento todos do Conselho,

hoje Consultivo, solicitaram com veemência que permanecêssemos, e a maior alegação era de que se saíssemos quem assumisse não daria sequência nos compromissos e que isso seria em muito prejudicial ao Clube.

Voltando mais ainda no tempo, retorno ao final de 2010, quando os atletas ficaram sentados no chão da ante sala da Presidência, imagem essa que ficou “bombando” nos sites de esporte até o início do campeonato paranaense de 2011, o que reputo como a situação mais vergonhosa que o Paraná Clube sofreu e da maior pressão que um Presidente de Clube suportou.

Estávamos no Conselho Deliberativo, éramos tidos como oposição, e o que fizemos ? Fomos antes ao Presidente do Conselho Deliberativo, e depois ao Presidente Aquilino, que praticamente nem conhecíamos e oferecemos apoio, ajuda, colocando 8 nomes para somar na Diretoria (já que ele se manifestou dizendo que estava sozinho) e fomos blindar, não o Aquilino, mas a figura do Presidente do Paraná Clube.

Celso Bittencourt ficou quatro anos no Paraná.
Foto: Felipe Rosa.

E fizemos isso com muita boa vontade e orgulho, e fomos muito bem recebidos, nos integrando ao grupo que permaneceu, não gerando nenhuma crise de gestão com quem estava lá, principalmente com o Presidente Aquilino Romani, com os Vices Presidentes Aramis Tissot e Gayer Neto, pelo contrário, conquistamos o respeito deles, que terminaram a sua gestão com dignidade.

E vejam que quando assumimos, no dia 17.01.11 o elenco já estava formado, e era

um elenco barato, dentro das condições do Clube, e que caiu para a segunda divisão do campeonato paranaense, completando a situação vergonhosa e de insuportável pressão contra o Presidente Aquilino Romani.

Pensando em tudo isso, e vendo a participação de Presidentes de Conselhos, mais o Aquilino Romani, Gayer Neto, Aramis Tissot (que faz parte do Conselho Consultivo), e ainda Carlos Werner e João Kitéria, nessa inciativa em ajudar o Clube, faço um apelo.

Sim, um apelo para que se estenda esse movimento “do bem” não somente a alguns Paranistas, mas a todos os Paranist,as, extensivo aos nossos torcedores, principalmente aqueles que de alguma forma se afastaram totalmente do Clube, para que aja realmente uma união, mas UNIÃO DE TODOS de todos.

Peço, principalmente ao Aquilino, Aramis e Neto que retribuam ao Bohlen o que ele fez na época por vocês e consequentemente pelo nosso Paraná Clube, somando,

participando, ajudando, apoiando.

Proponho uma gestão compartilhada no Clube, com a indicação de mais algumas pessoas, e terminar a gestão Bohlen com a mesma dignidade que vocês terminaram a gestão 2011, uma gestão participativa, de colegiado, e também uma gestão compartilhada no futebol, agindo no mesmo procedimento.

Se existe um projeto desse grupo, e tenho certeza que existe, entendo que ele deveria ser apresentado o Presidente Bohlen, e se ajustar apenas os pontos discordantes.

Não existe nenhum impedimento nisso quando todos estiverem com boa vontade, e o principal, somente pensando no Paraná Clube.

Proponho uma gestão compartilhada no Clube, com a indicação de mais algumas pessoas, e terminar a gestão Bohlen com a mesma dignidade que vocês terminaram a gestão 2011, uma gestão participativa, de colegiado, e também uma gestão compartilhada no futebol, agindo no mesmo procedimento.

Se existe um projeto desse grupo, e tenho certeza que existe, entendo que ele deveria ser apresentado o Presidente Bohlen, e se ajustar apenas os pontos discordantes.

Não existe nenhum impedimento nisso quando todos estiverem com boa vontade, e o principal, somente pensando no Paraná Clube.

A gestão Aquilino Romani se encerrou com total comando dele (e do Aramis Tissot, que assumiu num período), e participamos durante todo o período somente com trabalho, cumprindo expediente, com propostas, sugestões e apoio aos que governavam o Clube. Nunca arredamos o pé dessa forma de agir.

E ainda, quando chegou a época da indicação de candidatos, tivemos uma reunião em que isso foi tratado, constando em ata, quando, apesar de todo o desgaste dos eleitos em função da queda para a segunda divisão do paranaense, manifestamos nosso apoio à reeleição de qualquer um dos três que quisesse exercer seu direito e só solicitamos a oportunidade de lançar chapa após os mesmo abdicarem de seu direito.

Por isso faço este apelo: para que tratemos o Presidente do Paraná Clube com o

respeito que ele merece, e faria isso por qualquer pessoa que estivesse no cargo, pois a atitude de assumir os destinos do Clube com todos os problemas que temos é digna do maior respeito.

Peço que todos reflitam e tomem esta inciativa, e que o Presidente Bohlen, de sua parte, aceite esse apoio, e superem as divergências que restarem, para realmente darmos exemplo a todos e mostrarmos que o Paraná Clube está unido com um todo, e que marcharemos somente em uma direção, a da sua recuperação por completo, como time de futebol, retornando à divisão principal do futebol brasileiro, e como Instituição, garantindo assim a sua perenidade.

Abração azul, vermelho e branco a todos

Celso Borba Bittencourt