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O Tricolor da Vila derrotou por
3 x 1 o lanterna no Brasileirão.

De um lado um time em crise, desanimado e com tática suicida; de outro, um adversário consciente, seguro e determinado. No Arrudão, ontem, o equilíbrio do Paraná Clube venceu, e bem, o desespero do Santa Cruz. Com grande atuação coletiva, o Tricolor da Vila derrotou por 3 x 1 o lanterna no Brasileirão e ficou mais perto do que nunca de seu maior objetivo – a dez rodadas do final, abriu cinco pontos de distância sobre o Cruzeiro, primeiro time fora da zona de classificação à Copa Libertadores da América.

Às vésperas do jogo, o Santa Cruz sofreu com tentativas de agressão contra jogadores no aeroporto e adotou o silêncio com a imprensa. O filme, bem semelhante ao de certo time curitibano, não teve reflexos positivos em campo. Fragilidade técnica à parte, a equipe coral demonstrava nítido nervosismo, errava passes fáceis e não concatenava lances à frente, apesar do esquema bastante ofensivo.

Para piorar, o Santa encontrou um Paraná muito bem armado, que explorou com inteligência as buracos do sistema defensivo adversário. No movimentado primeiro tempo, os paranistas tiveram a bola por menos tempo em seu poder, mas criaram as melhores oportunidades. E foram muitas, quase todas em contragolpes: Sandro perdeu um gol feito e acertou um chute na trave, Cristiano quase fez de cabeça e Peter passou errado num lance de dois atacantes paranaenses contra um defensor pernambucano. Marcou uma vez: Eltinho, novamente o destaque do jogo, tentou duas vezes antes de fuzilar o goleiro Guto com um belo chute sem ângulo, aos 28 minutos.

No segundo tempo, o Santa Cruz teve mais competência ofensiva e viveu seus únicos 15 minutos de lucidez. A zaga paranista, um pouco atrapalhada, virava-se como podia para segurar a pressão, com a ajuda providencial de Flávio. Mas o time paranaense tinha Eltinho – em linda jogada pela esquerda, o jovem ala passou como quis por dois zagueiros e rolou com açúcar para Cristiano, que só empurrou para as redes, aos 17. ?Aí o jogo acabou. Virou ataque contra defesa?, comentaria mais tarde o técnico Caio Júnior.

Verdade: o Tricolor da Vila fez o terceiro aos 29, após boa enfiada de Joelson, passe de Peter e toque de Cristiano para as redes (nono gol do atacante no Brasileirão), e poderia ter marcado o quarto, o quinto e o sexto. Entregue em campo, o Santa tentava atacar sem qualquer organização. Num momento de relaxamento da zaga paranista, ainda fez o gol de honra aos 44 minutos, com Márcio Mixirica.

Tricolor pode pensar mais alto: o vice-campeonato

A vitória de ontem, segunda consecutiva e quarta nos últimos cinco jogos, deixa o Paraná Clube numa situação inédita diante do objetivo de chegar pela primeira vez à Copa Libertadores. Com cinco pontos de vantagem sobre os principais adversários (Cruzeiro e Vasco), o Tricolor passa a depender apenas de seu rendimento em casa para chegar a 61 pontos – número que o próprio clube calcula como suficiente para assegurar uma vaga na competição. Se olhar um pouco acima na tabela, pode ainda mirar um novo objetivo: o vice-campeonato, que dá acesso direto à fase de grupos da Libertadores.

A possibilidade concreta já cria uma espécie de mobilização para os cinco jogos restantes na Vila Capanema (Goiás, Flamengo, Palmeiras, Internacional, na antepenúltima rodada, e São Paulo, no fechamento da competição). ?A distância (sobre Cruzeiro e Vasco) é importante, mas tudo pode acontecer até o final. São jogos dificílimos, como este contra o Goiás. A partida pode decidir nossas chances na briga pela Libertadores e precisamos do apoio em massa da torcida?, disse o técnico Caio Júnior, referindo-se ao próximo confronto da equipe, domingo que vem.

Sobre o jogo de ontem, Caio disse que o maior mérito do Paraná foi explorar o desespero do adversário. ?Sabíamos que o Santa Cruz partiria com tudo. Jogaram como numa loteria, com só um volante e os dois laterais subindo ao mesmo tempo. Usamos estratégia parecida com a da maioria dos jogos fora, atraindo o adversário e saindo com velocidade. Poderíamos ter marcado quatro ou cinco que não seria injusto?, disse Caio, que voltou a elogiar o desempenho do ala Eltinho, autor do primeiro gol e do passe para o segundo. ?Além da técnica, humilde e corajoso, não se intimida. Tem um futuro brilhante pela frente?, derramou-se.

O novato, que depois de se destacar contra a Ponte Preta assumia a condição de reserva do lesionado Edinho, já traça planos mais ousados. ?Edinho é um amigo e um grande jogador. Teremos disputa sadia pela posição, na bola?, falou. (CS)

Campeonato Brasileiro
28ª rodada
Gols: Eltinho (28-1º), Cristiano (17-2º e 29-2º) e Márcio Mixirica (44-2º)
Local: Arrudão (Recife)
Árbitro: Wagner Tardelli Azevedo (FIFA-RJ)
Assistentes: Milton Otaviano dos Santos (FIFA-RJ) e Marcos Tadeu Peniche Nunes (RJ)
Cartões amarelos: Emerson (P), Reginaldo Silva e Adriano (SC)

Santa Cruz 1×3 Paraná

Santa Cruz
Guto; Reginaldo Araújo (Osmar), Adriano, Sidraílson e Paulo Rodrigues; Augusto Recife, Júnior Maranhão, Washington (Edson Di) e Jorge Henrique; Nenê e Reginaldo Silva (Márcio Mixirica). Técnico: Fito Neves

Paraná
Flávio; Gustavo, Émerson e Neguete; Peter (Henrique), Pierre, Batista, Sandro e Eltinho (Cuca); Maicosuel (Joelson) e Cristiano. Técnico: Caio Júnior