Foto: Valquir Aureliano
No duelo de capitães, melhor para Beto, que não deu espaço para Martinez armar as jogadas.

Não foi uma apresentação de gala, mas na base da raça e mostrando muita força na defesa, o Paraná venceu o Palmeiras por 1 a 0 e voltou a figurar entre os líderes do Brasileirão. Na estréia do técnico Gilson Kleina, o Tricolor assumiu o terceiro lugar e segue firme no objetivo de voltar à Libertadores em 2008.

A vitória também serviu como uma ?vingança? contra Caio Júnior, que no fim do ano passado trocou a Vila Capanema pelo Parque Antartica. Depois da saída de Caio, o Tricolor já foi treinado por Zetti, Pintado e agora Gilson Kleina, sem perder o embalo.

Antes de a bola rolar, uma má notícia deixou a torcida que foi à Vila apreensiva. Flávio, o goleiro titular, sentiu uma contusão na panturrilha e teve que ser substituído por Marcos Leandro. Mas já no primeiro lance de perigo a preocupação ficou de lado. Aos 5?, o atacante palmeirense Rodrigão ficou na cara do gol, mas não conseguiu passar pelo arqueiro tricolor.

Ex-jogador do Palmeiras, Márcio Careca não demorou para acabar com o inicial domínio verde. Aos 15?, ele já havia levado perigo com uma bola levantada na área, que foi desviada por cima do gol. Cinco minutos depois, em nova falta pela direita, o lateral resolveu bater direto, enganando o goleiro Diego Cavalieri. A bola ainda bateu na trave antes de entrar na gaveta. 1 a 0 Paraná.

Por pouco o Tricolor não ampliou o placar com mais um golaço. Aos 25?, Alex passou pela marcação com um lindo chapéu, tabelou com Josiel e bateu cruzado. Desta vez, Diego estava atento e colocou para escanteio. Para manter a vitória na primeira etapa, o Paraná contou com a ajuda de Rodrigão. Aos 38?, Leandro acertou uma cabeçada na trave. O ex-atacante do Atlético pegou o rebote completamente livre, embaixo do gol. Mas, inacreditavelmente, conseguiu mandar por cima do travessão.

Já no começo do segundo tempo, parecia que as coisas ficariam mais fáceis para o Tricolor. Aos 3?, o zagueiro alviverde Dininho pegou o garoto Everton na maldade e levou cartão vermelho.

Mas, curiosamente, foi o Palmeiras quem passou a mandar na partida. Aos 14?, Valdivia recebeu na área e bateu cruzado. A bola acertaria a trave, mas Luiz Henrique, impedido, desviou para a rede. Gol bem anulado pelo árbitro Sérgio Carvalho, apesar dos protestos paulistas.

O Paraná só voltou a ameaçar depois dos 25?, quando a chuva apertou e Renan entrou no lugar do apagado Vandinho. Josiel quase marcou de letra, após boa jogada de Léo Mattos. Mas não era mesmo o dia do artilheiro do Brasileirão.

Com a vitória por 1 a 0, o Tricolor assumiu a terceira posição. Tem 22 pontos, empatado com o São Paulo, que está em segundo. Agora, o time da Vila viaja para Porto Alegre, onde enfrenta o Internacional, na próxima quarta-feira.

Dia do ?sombra? brilhar

Além da vitória sobre o Palmeiras, ontem o torcedor teve mais um motivo para comemorar. Chamado de última hora para substituir Flávio, Marcos Leandro provou que a torcida pode ficar tranqüila na ausência do Pantera.

Apesar de entrar ?na fogueira?, o goleiro reserva mostrou segurança e tranqüilidade, mesmo sem ritmo de jogo. Foram pelo menos quatro grandes defesas, que garantiram os três pontos e a terceira posição na tabela.

Uma lesão muscular tirou Flávio do jogo. No treino da última sexta-feira, ele sentiu a panturrilha e foi para a concentração como dúvida. O titular da camisa 1 ainda foi para o aquecimento antes da partida, para testar sua condição. Mas não teve jeito e Marcos Leandro ganhou mais uma chance para mostrar seu talento.

?Esse é o reflexo do trabalho que fazemos ao longo da semana. Tenho que estar sempre preparado, porque nas horas mais difíceis o time pode precisar e eu preciso estar pronto?, afirmou o reserva tricolor.

Reserva sim, mas não conformado. No Paraná desde 2005, Marcos diz que está na briga pela posição. ?Desde quando cheguei, sempre procurei o meu espaço. Estou treinando pra isso, até porque ninguém chega em algum lugar para ser o segundo?, avisou.

Kleina destaca marcação

Não foi só a vitória sobre o Palmeiras que deixou Gilson Kleina satisfeito em sua estréia. O novo técnico elogiou muito a aplicação tática e a força defensiva do Paraná. ?O que mais chamou a atenção foi o poder de marcação. Conseguimos anular os pontos fortes do Palmeiras e colocar a nossa marcação no campo adversário. Não deixamos de competir em nenhum momento?, elogiou. Porém nem tudo foi bem na visão do treinador, que alertou para a falta de tranqüilidade da equipe na hora de garantir a vitória.

?No segundo tempo, mesmo com 11 contra 10, nós fomos muito agudos e não soubemos cadenciar o jogo. Só no final, com a entrada do Renan, colocamos a bola no chão e rodamos?, avaliou.

Para Kleina, o pouco volume ofensivo do time, em boa parte dos 45 minutos que jogou com um homem a mais, tem explicação. ?É uma característica nossa jogar esperando o rival e sair rápido no contra-ataque. Tem que ver se o Paraná também sabe criar, tomar a iniciativa do jogo. Não podemos tomar pressão?, alertou. O zagueiro Nem acha que o Tricolor deve mesmo apostar em suas características.

?Já sabia que seria difícil. No segundo tempo, já estava chovendo e falei para a gente segurar, para o Palmeiras vir para cima e cansar antes. Se jogarmos sempre assim, marcando forte atrás e saindo rápido no contra-ataque, seremos fatais?, concluiu o xerifão paranista.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2007

Série A 13.ª rodada

PARANÁ 1 x 0 PALMEIRAS

Paraná: Marcos Leandro; Neguete, Nem e Luiz Henrique; Alex (Léo Mattos 12? 2.º), Goiano, Beto, Everton (Joelson 18? 2.º) e Márcio Careca; Vandinho (Renan 26? 2.º) e Josiel. Técnico: Gilson Kleina.

Palmeiras: Diego Cavalieri; Dininho, Nen e Gustavo; Wendel (Paulo Sérgio 29? 2.º), Pierre, Martinez, Valdivia (Edmundo 20? 2.º) e Leandro; Rodrigão (Max int.) e Luiz Henrique. Técnico: Caio Júnior.

Gol: Márcio Careca, aos 20? do 1.º tempo.

Árbitro: Sérgio S. Carvalho (DF).

Assistentes: Marrubson Melo Freitas (DF) e César Augusto de Oliveira Vaz (DF).

Cartões amarelos: Neguete, Márcio Careca, Joelson (Paraná), Rodrigão (Palmeiras)

Cartão vermelho: Dininho (Palmeiras), aos 3? do 2.º tempo.

Local: Durival Britto, em Curitiba (PR)

Público: 7.882 (7.202 pagantes)

Renda: R$ 109.158,00