Jogadores do Paraná Clube
festejam com o técnico.

O Maracanã está se transformando num amuleto para o Paraná Clube, como se estivesse jogando em uma de suas vilas. Ontem à noite, o Tricolor não tomou conhecimento do Flamengo, vencendo por 3 a 0 em pleno Estádio Mário Filho, mantendo com isso o tabu de nunca perder para o rubro-negro carioca no maior templo do futebol mundial.

Superados os problemas extra-campo (leia matéria específica), o Paraná conquistou um resultado que recoloca a equipe do técnico Saulo de Freitas entre os onze primeiros do campeonato brasileiro, posição que dá ao clube uma vaga na Copa Sul-americana de 2004 (os 11 primeiros do Brasileirão se classificam). De quebra, ainda “roubou” a 11.ª posição justamente do Flamengo. Ambas as equipes têm 45 pontos, mas com uma vitória a mais, o Tricolor empurrou o Fla para 12.ª posição na tabela de classificação do campeonato brasileiro.

Na próxima rodada, no meio de semana, o Paraná entra em campo contra o Paysandu, quinta-feira, no Couto Pereira. Já o Flamengo terá a difícil missão de tentar uma vitória contra o líder Cruzeiro, no Mineirão.

O jogo

O Paraná apresentou suas credenciais com Caio, que teve a primeira chance do jogo nos primeiros movimentos. Numa bola espirrada na defesa flamenguista, depois de chute de Marquinhos, o meia aproveitou a sobra para finalização, mandando rente à trave de Júlio Cesar. Depois deste lance, o Flamengo acordou. Passou a armar jogadas na entrada da área paranista, mas não chegou a finalizar com perigo. Com vantagem no meio-campo, o Flamengo manteve a posse de bola no setor, mas a defesa paranista, ora trabalhou com a sorte ora teve a qualidade necessária para afastar o perigo.

Mesmo com menor posse de bola, foram do Tricolor as melhores chances de abrir o placar. A melhor delas foi após cobrança de falta, quando Valentim cruzou rasteiro e Marquinhos carimbou o travessão flamenguista. Logo depois, foi a vez do Flamengo ter chance clara de sair na frente. Jonatas aproveitou sobra da defesa, lançou Fabiano Eller na intermediária. A defesa toda saiu e a bola ficou livre para o zagueiro rubro-negro finalizar. Flávio fechou bem o ângulo e segurou o chute.

Justamente neste instante, quando o jogo estava mais equilibrado, aconteceu o lance que abriu ao Paraná as portas para a vitória. No contra-ataque rápido, Renaldo recebeu passe de Fernandinho, na meia lua da grande área. O zagueiro Fernando pisou no calcanhar de Renaldo. Como já tinha recebido um amarelo, foi corretamente expulso pelo árbitro Lourival Dias Lima Filho.

Com um a menos, o Flamengo perdeu a luta pelo meio-campo, abrindo ao Paraná a oportunidade de construir a vitória. Ainda na etapa inicial, Saulo sacou Fernando Miguel, que já havia recebido o amarelo, colocando Emerson no seu lugar, para evitar que Lourival o expulsasse.

Mas a vitória se concretizou no segundo tempo, quando o time fez valer a melhor qualidade técnica e uma postura tática bastante ofensiva. Valorizando o conjunto meio-campo e ataque, o Paraná colocou o Flamengo na roda, com jogadas de efeito. E o primeiro gol saiu justamente deste entrosamento: Caio, Marquinhos, Renaldo e Fernandinho. Numa bela troca de passes, pelo meio, na intermediária flamenguista Marquinhos, já dentro da área, deu um toque de cabeça para arremate de direita de Fernandinho – a perna “ruim”.

O Flamengo tentou uma reação, mas esbarrou nos próprios erros e na falta de qualidade de seu elenco. Oswaldo de Oliveira colocou Zé Carlos no lugar de Jean – apagado em campo – e Andrezinho substituiu Jonatas. Na prática, no entanto, somente mais gás, pois o rubro-negro passou a correr mais. Um foi o lance que poderia mudar o panorama. Mas aí brilhou a estrela de Flávio, que espalmou uma cabeçada à queima-roupa de Fabiano Eller.

Mas o domínio continuou sendo paranista. Tanto que em outra bela troca de passes, surgiu o pênalti de Fábio Baiano em Caio, que entrava livre após o setor defensivo do Fla ficar grogue com tantos toques envolventes. Renaldo cobrou com força e colocado, sem dar chance a Júlio Cezar.

Já nos descontos, brilhou a estrela de Marquinhos, que teve como único defeito ontem, o excesso de individualismo nas finalizações. Mas foi premiado no último lance, quando Renaldo, partindo livre pela direita, invadiu a área, e fez uma assistência para Marquinhos fechar o espetáculo do Maraca: 3×0.

CAMPEONATO BRASILEIRO

34.ª Rodada

Local:

Maracanã (Rio de Janeiro).

Árbitro:

Lourival Dias Lima Filho (BA).

Assistentes:

Alessandro A. Rocha Matos (FIFA-BA) e Milton Otaviano dos Santos (FIFA-RN)

Gols:

Fernandinho, aos 9?, Renaldo (pênalti), aos 37? e Marquinhos, aos 47? do 2.º tempo

Cartões amarelos:

Fernando Miguel, Fabiano Eller, Fabinho, Fábio Baiano e Rodrigo Silva

Cartão vermelho:

Fernando

Público:

5.141 pagantes (6.057 total)

Renda:

R$ 50.766,00

FLAMENGO

0 x 3

PARANÁ CLUBE

FLAMENGO

Júlio César, Luciano Baiano, Fernando, Fabiano Eller, Anderson, André Gomes, Jônatas (Andrezinho), Fábio, Baiano, Ígor, Jean (Zé Carlos), Edílson. Técnico: Oswaldo de Oliveira

PARANÁ

Flávio, Valentim, Cristiano Ávalos, Ageu, Fabinho (Rodrigo Silva), Fernando Miguel (Émerson), Pierre, (Goiano), Marquinhos, Fernandinho, Caio, Renaldo. Técnico: Saulo de Freitas

Intoxicação virou delícia com a bola nos pés

A vitória de ontem sobre o Flamengo, no Maracanã, foi heróica. Na noite de sábado, onze jogadores do Tricolor tiveram uma indisposição estomacal. O problema ocorreu, em princípio, pela ingestão de uma sobremesa de chocolate que foi consumida após o jantar, no hotel que serviu de concentração para o Paraná, no Rio.

Com tantos jogadores sem condições ideais, a delegação paranista chegou a pensar em solicitar a transferência do jogo para a noite de hoje. Mas no meio da tarde, após concordância do departamento médico do Paraná, foi decidida a programação normal, com a disputa do jogo.

Após o confronto, já no vestiário, o assunto virou piada entre os jogadores, com alguns se acusando de terem sofrido mais que os outros com a indisposição estomacal.

Coletivo

O clima no vestiário, aliás, não poderia ser melhor. Todos, no entanto, fizeram uma análise parecida. Na disputa contra o rubro-negro carioca, valeu solidariedade de todos os setores em relação à tão criticada defesa paranista. A última vez que o time não tomou gols em uma partida, foi no distante 24 de agosto, quando o time cumpriu a perda de mando de campo no Willie Davids, em Maringá, e fez 2 a 0 no Fluminense.

No jogo de ontem, os zagueiros enalteceram a colaboração de volantes, meias e atacantes, no auxílio à defesa. “A resposta foi de todos. Pois quando se toma gols, não é a defesa que os leva, mas sim a equipe”, ponderou Cristiano Ávalos.

Já Fernandinho, autor do primeiro gol paranista, e um dos melhores no Maracanã, aproveitou para agradecer à confiança que Saulo depositou em seu futebol. “Venho trabalhando bastante e o resultado estamos colhendo em campo”, disse o meia.

Para o comandante Saulo, no entanto, faltou qualidade nas finalizações. Ele prometeu que vai fazer seus atletas trabalharem duro este fundamento, para evitar perder gols como no jogo de ontem. “Certas oportunidades não podem ser disperdiçadas”, observou o treinador paranista.

Goleador

Renaldo chegou ontem à marca de 17 gols. Com a certeira cobrança do pênalti sofrido por Caio, ele igualou o número de gols marcados num único Brasileiro pelos rubro-negros Alex Mineiro e Kléber. Com isso, o atacante tricolor pode se transformar, já na quinta-feira, no principal goleador de equipes paranaenses em campeonatos brasileiros.