Wellington Paulista teve boa
estréia e infernizou Cris.

Um “pijama” sob medida. O Paraná Clube segue com 100% de aproveitamento jogando em seus domínios neste Brasileirão. O frio de sábado estava propício para o conforto do lar e talvez por isso ou talvez pela irregularidade do time pouco mais de quatro mil torcedores foram ao estádio do Pinheirão. Quem foi, viu um jogão e a afirmação de uma equipe que em casa não toma conhecimento de seus adversários. Depois de Santos e Flamengo, foi a vez do Cruzeiro se render à força “doméstica” do Tricolor: 2×0.

Como explicar o sobe-e-desce do time? Nem jogadores, nem comissão técnica têm uma justificativa concreta. Nem tanto pelo fato do time perder fora de casa, mas sim pela forma como ocorreram os deslizes. Duas goleadas vexatórias 6×1 e 4×0, para Vitória e Juventude, respectivamente. Tendo pela frente o atual campeão brasileiro, de Alex e do artilheiro Dudu, a bolsa de apostas dava ampla vantagem aos mineiros. Sem dar importância ao eventual favoritismo do Cruzeiro e usando isso como fator de motivação, Paulo Campos armou um time coeso, colocou o “pijama” e foi à luta.

Os jogadores tinham em mente a necessidade de dar uma reposta às recentes críticas. Principalmente os zagueiros, “massacrados” pelos próprios números do campeonato. O Tricolor iniciou a rodada com a defesa mais vazada, tendo levado 13 gols, sem “passar em branco” um jogo sequer. As investidas iniciais do Cruzeiro só aumentaram as dúvidas do torcedor paranista. Não fosse pelo reflexo de Flávio, Maicon abriria o placar logo no primeiro minuto. Mas foi só uma falsa impressão. Na festa do “pijama”, Alex foi o “soneca” do jogo.

O craque cruzeirense não viu a bola. Méritos para Beto e Axel. A dupla se revezou com eficiência na constante vigília ao camisa 10, que estava mais para o “Alexotan” do Palmeiras do que para o craque que conduziu o Cruzeiro ao título do ano passado. A tentativa do estreante Wellington Paulista, em uma “puxeta”, aos 14 minutos, deu início à ascensão do Tricolor, totalmente ligado no jogo. Mesmo com o sacrifício dos meias Fernando e Wiliam estrategicamente posicionados para evitar as descidas dos alas Maicon e Leandro o Paraná conseguia bom volume de jogo.

A vitória

O resultado começou a se definir num lance de bola parada. Galvão, “bem acordado”, subiu mais que Cris para testar forte, na cobrança de um escanteio, aos 34 minutos. O Paraná esteve próximo do segundo gol com Wellington Paulista, por duas vezes, mas a vantagem só foi ampliada aos 10 minutos do segundo tempo. Outra vez com Galvão, passando por Cris e ainda driblando Gomes. Paulo César Gusmão tentou de tudo com Márcio, Guilherme e Maurinho, mas em momento algum conseguiu suplantar a marcação tricolor.

Não fosse a falta de entrosamento e uma leve dose de preciosismo de seus atacantes e o Paraná conseguiria um placar elástico diante de um de seus maiores algozes em campeonatos brasileiros. No fim, elogios de todos os lados e o “coro” da galera paranista: “Não é mole, não. Tem que ter time pra jogar no Pinheirão”. O grito de guerra vindo da arquibancada, foi música para embalar o “sono” do jovem e guerreiro time comandado por Paulo Campos.

Órfão de mãe, Galvão dedica gols aos familiares

Num misto de alegria e saudade, o sábado foi muito especial para o centroavante Galvão, artilheiro do Paraná, com 4 gols marcados. Há pouco mais de um mês, ele perdeu a mãe, Maria Inês. Na véspera do Dia das Mães, ele não só brindou o torcedor paranista com seus gols, como deixou a sua homenagem. “Dedico também a meu pai e minhas irmãs, que sempre me deram a maior força. Há um sentimento de saudade, mas também de felicidade”, disse Galvão.

Com um companheiro diferente a cada jogo, o atacante vai se firmando e mostrando o porquê do assédio de outras equipes antes da largada do Brasileirão. Pelo rendimento frente ao Cruzeiro, Galvão e Wellington Paulista dão sinais de que a dupla tende a conseguir o “encaixe” perfeito. Não são atacantes de referência na área adversária, mas a mobilidade de ambos deixou “tonta” a dupla Edu Dracena e Cris, que já vestiu a camisa da seleção brasileira.

Com humildade, Galvão não se deixa levar pelos elogios após as vitórias. “Ainda estamos tentando encontrar o ponto ideal. Há muito a melhorar, pois a competição é longa e muito difícil”, lembrou. “Dentro de uma semana, estamos encarando o São Paulo, fora de casa. É o jogo para mostrarmos que estamos encontrando aquele equilíbrio necessário para chegarmos ao objetivo.”