Éverton sofre “bafo na nuca”
de Júnior Gaúcho, num jogo nervoso,
com duas expulsões.

Demorou, mas o Paraná Clube finalmente conseguiu marcar o primeiro gol no campeonato paranaense de 2004 e, de quebra, conquistou a primeira vitória na competição. A apertada conquista por 2 a 1 foi contra o Rio Branco ontem, no Pinheirão que ainda não havia perdido neste estadual. Com os três pontos e a derrota do Iraty, diante do Atlético, o Tricolor reacendeu a esperança de se livrar do do torneio da morte e vai para a última rodada contra o Prudentópolis, no interior, buscando ainda a classificação à próxima fase. Se vencer o adversário direto e o Iraty perder para o Malutrom, em Curitiba, o Tricolor joga a segunda fase.

O Paraná entrou em campo sob o coro da torcida parnanguara, que fazia ecoar no Pinheirão o grito de “segunda divisão”. Animados com a boa campanha do Rio Branco no campeonato, cerca de 500 torcedores vieram do litoral para empurrar o time.

Entretanto, tomaram um balde de água fria com menos de um minuto de jogo. O estreante Fábio carregou a bola para a área e foi derrubado. No rebote, João Vítor cruzou certeiro para Athos bater de voleio, marcando um golaço aos 55 segundos de jogo. O “chuá” da rede era o que faltava para incendiar o time paranista, que comemorou o gol como se fosse de final de copa do mundo. E não era para menos. A equipe estava há 450 minutos sem marcar.

Na frente no placar, o Tricolor se animou e partiu para cima do adversário. Mas o grande problema da equipe – a falta de qualidade na armação das jogadas – logo voltou a aparecer e as investidas eram infrutíferas. As melhores chances eram criadas curiosamente pelo setor esquerdo, onde o zagueiro João Vítor jogava improvisado de ala-esquerda. O atacante Fábio também mostrava disposição, mas a toda hora tinha que buscar a bola, que poucas vezes chegava á área com a qualidade necessária.

A situação se complicou quando o técnico Gassen, após trinta minutos de domínio de posse de bola do Paraná, mandou a marcação de seu time avançar, congestionando o meio-de-campo. A marcação por zona ocasionou a lentidão na saída de bola paranista e deixou ainda menos criativa a meia-cancha tricolor. A partir desse momento, o jogo ficou sonolento, sem maiores chances para as duas equipes.

Para a etapa complementar, o insatisfeito técnico Gassen operou duas mudanças nas laterais para tentar ganhar o jogo pelas alas. Róbson e Carlinhos entraram na direita e na esquerda, respectivamente.

A mudança deu um certo equilíbrio no jogo, mas o Paraná continuava chegando com mais assiduidade. Entretanto, o Tricolor acabou pagando pelo excesso de empolgação. Em uma jogada de contra-ataque, aos 25 minutos, Negreiros recebeu pela direita e fuzilou cruzado, não dando chance de defesa a Flávio.

O empate animou o Rio Branco, que mesmo perdendo Carlinhos, expulso dois minutos depois do gol, começou a crescer no jogo, favorecendo-se do cansaço evidente do time paranista.

O resultado carimbava o passaporte tricolor para o torneio da morte, mas o time da Vila não baixou a cabeça. Mesmo tendo Éverton expulso aos 34 minutos, o espírito de luta paranista fez a diferença. Aos 40 minutos, Alex, que entrara no lugar de Athos, cobrou seu primeiro escanteio e Jean Carlo, que estava mal no jogo, cabeceou para o fundo da rede, levando a galera tricolor à loucura. Nos minutos finais, foi segurar a emoção e esperar o apito final do árbitro para começar a festa.

Tranqüilidade. Pelo menos até o fim de semana

O alívio pode ser temporário, mas a vitória por 2 a 1 sobre o Rio Branco certamente vai deixar o clima mais leve durante a semana de preparação para o jogo decisivo contra o Prudentópolis, que deve ser antecipado para sábado em função do domingo de Carnaval.

Com a corda no pescoço um pouco mais solta, a palavra tranqüilidade era uma das mais repetidas pelos jogadores ao final do jogo. “O futuro agora é pensar em classificação. Com a tranqüilidade que teremos para trabalhar durante a semana, temos que pensar grande”, disse o zagueiro Fernando Lombardi, que ensaiou uma bela jogada aos 30 minutos da etapa complementar. “Como tinha espaço, me empolguei e fui carregando a bola. Vi o Fábio entrando e passei para ele. Mas a bola desviou num morrinho e sobrou errada para ele”, lamentou o habilidoso beque.

O atacante Fábio, que não balançou a rede, mas teve boa movimentação, comemorou a vitória com humildade. “Durante a semana falava que não importava de quem fosse o gol, desde que a vitória viesse. Ela veio e temos que comemorar muito”, disse. O meia Athos, autor do golaço que abriu o caminho da vitória, dedicou o feito a seus companheiros de equipe e creditou à força divina o tento marcado. “Sabia que eu ia marcar por causa da minha fé em Jesus Cristo. Quando temos fé, recebemos sinais”, disse o jogador, que recebeu o nome em homenagem à Bíblia.

Mais aliviado que Athos, entretanto, estava o meia Jean Carlo. Ainda sem o seu melhor condicionamento físico, ele mais uma vez ficou devendo e quando o treinador tirou Athos para dar lugar a Alex, a torcida protestou, pois pedia a saída de Jean. O técnico Saulo apostou na estrela do experiente jogador e o manteve em campo. Predestinado, ele largou a função de cobrar escanteio para marcar o gol da vitória, que prorroga a esperança na Vila Capanema. “Fui o felizardo, mas os gols foram nossos. O espírito de luta do grupo foi decisivo, estamos vivos e vamos nos classificar”, disse. A raça do jogador explodiu na comemoração do gol, quando ele partiu para a torcida, beijando o símbolo do clube fervorosamente.

Falhas

O resultado foi positivo, mas o técnico Saulo não tapa o sol com a peneira. Ele tem consciência das deficiências da equipe e sabe que terá trabalho até o final de semana. “Ainda temos problemas na armação e é cedo para analisar os novos reforços, pois eles ainda se ressentem de ritmo de jogo. Aliás, foi por isso que o Alexandre e o Athos deixaram o time”, justificou Saulo. “Foi uma vitória no sacrifício, mas que nos mantém vivos. Agora é continuar trabalhando.”

Para a próxima partida, Saulo poderá contar com a volta de Gélson Baresi, que se recupera de um problema muscular no adutor da coxa, e Ânderson, que cumpriu suspensão na última rodada. Em contrapartida, não terá o polivalente João Vítor, que recebeu o terceiro amarelo e Éverton, expulso no jogo de ontem. Sobre a expulsão do atleta, que ao ser puxado por Alex Lopes tentou acertar uma cotovelada no adversário, Saulo foi enfático. “É um problema que será resolvido internamente.”

Campeonato Paranaense
1ª Fase – 6ª Rodada
Local: Pinheirão.
Árbitro: Henrique França Triches.
Assistentes: Rogério Carlos Rolim e Marcos Antônio Pinheiro.
Gols: Athos aos 55 segundos do 1º tempo; Negreiros aos 25 minutos e Jean Carlo aos 40 minutos do 2º tempo.
Cartões amarelos: Luciano, Douglas, Athos, João Vítor, Fábio, Róbson e João Paulo.
Cartões vermelhos: Carlinhos e Éverton.
Público pagante: 1.731
Público total: 3.024
Renda: R$ 12.825

PARANÁ
2X1
RIO BRANCO

PARANÁ
Flávio, Eto, Fernando Lombardi, Juliano, João Vítor, Alexandre (João Paulo), Wiliam (Alcides), Athos (Alex), Jean Carlo, Éverton, Fábio. Técnico: Saulo de Freitas.

RIO BRANCO
Júnior, Júnior Paulista (Róbson), Luciano, Douglas, Erminho (Carlinhos), Júnior Gaúcho, Alex Lopes, Paulista, Ratinho, Negreiros, Sabiá. Técnico: Gassen.