Gelson Baresi pode ser
reintegrado para a defesa.

O Paraná Clube continua sofrendo com o “efeito gangorra”. Sem atitude nos jogos fora de seus domínios, o time de Paulo Campos amarga duas goleadas e a defesa mais vazada do Brasileirão.

A missão da comissão técnica e do psicólogo do clube passa a ser o resgate emocional do elenco – que voltou de Caxias do Sul com a “sacola cheia” e trocando “farpas”. Mesmo sem citar nomes, jogadores do meio-de-campo reclamaram das falhas da defesa. Os zagueiros, do outro lado, se defendem com a pouca inspiração ofensiva do time.

É apenas um sinal de que praticamente ninguém se salvou no Tricolor, que completou sua quarta partida ainda sem um time formado. Paulo Campos ainda não conseguiu detectar onde está o problema da equipe. Atuando fora de casa, o Paraná muda completamente de postura e, diante do Juventude, só finalizou duas vezes contra o gol gaúcho. Mais uma vez – como ocorrera em Salvador, onde o time levou 6×1 do Vitória -, o Paraná teve um início de jogo equilibrado e quando Jean Carlo “carimbou” o travessão criou-se a falsa imagem de que a estabilidade idealizada por Paulo Campos se concretizaria.

A mudança no esquema tático, com a entrada de mais um zagueiro, “naufragou” no momento em que as falhas individuais começaram. Fernando Lombardi “furou” ao tentar tirar a bola da área e Nelinho, ao arriscar um “chutão” deu novo presente ao adversário. O Juventude agradeceu e em dez minutos abriu dois gols de vantagem. Paulo Campos preferiu não criticar individualmente os jogadores, mas deixou escapar que a diretoria está tentando qualificar não só o meio-de-campo, mas também a zaga. Com quase um mês de trabalho, o treinador ainda não conseguiu encontrar a dupla – ou o trio ideais.

Nelinho começou o campeonato como titular e perdeu a caga para Fernando Lombardi. No último domingo, Paulo Campos tentou fortalecer o sistema defensivo com um 3-5-2. Antes do jogo, deixou claro que era uma precaução para que “nunca mais o Paraná passasse por vexame igual ao da goleada na Bahia”.

A estratégia cautelosa e a confiança do treinador não foram suficientes e ele terminou o domingo tentando encontrar explicações para o novo insucesso, totalizando dez gols sofridos em dois jogos disputados fora de casa. Até mesmo Carlinhos, contratado para ser o “xerifão” tricolor, ainda não conseguiu emplacar. Tem a seu favor o fato de estar, na teoria, jogando pelo lado esquerdo da defesa, sendo que sua posição de origem é a zaga central.

O elevado número de gols sofridos já faz a diretoria buscar alternativas para a zaga e Neguete, do Atlético Mineiro já foi sondado. Também não está descartada a reintegração do experiente Gélson Baresi. Ele disputou o Paranaense pelo clube, mas a partir da reformulação do elenco foi afastado e continua treinando à parte.

E nada de Canindé aparecer por aqui

Canindé vem ou não vem? A dúvida paira no ar, em uma transação “nebulosa” e que se estende por várias semanas. O Campeonato paulista ainda estava rolando quando o Paraná Clube anunciou a transação. No dia 21 de abril, data da largada do brasileirão, o meia deu entrevistas confirmando que estava tudo certo, faltando apenas a liberação do paulista. Reside aí, o principal “entrave” na negociação.

Na semana passada, o empresário Sérgio Malucelli -parceiro do Paraná e responsável pelas contratações do clube – confirmou o repasse financeiro a Iko Martins, procurador de Canindé. “O jogador já tem contrato assinado com o Paraná”, disse Malucelli, domingo, em Caxias do Sul. Porém, paralelamente a isso, Canindé jogava normalmente pelo Paulista, na Série B do campeonato brasileiro.

“É complicado. Vai que o jogador sofre uma lesão”, lamentou o empresário. Ontem, o assessor de Malucelli, Mauro Morishita, disse que ainda hoje Iko Martins volta a falar com os dirigentes do Paulista, tentando ajustar a rescisão do contrato de Canindé, que só termina no dia 30 de junho. “Espero que tudo se resolva o quanto antes, pois é visível que precisamos do jogador”, comentou o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro.

Com dois meias de criação – Jean Carlo e Fernando – o Paraná ainda não encontrou a peça ideal para a ligação entre meio-de-campo e ataque. O único meia-de-ligação que conseguiu bom rendimento, até aqui, foi Wiliam, no segundo tempo do jogo frente ao Flamengo. Prata-da-casa, Wiliam deve ser titular diante do Cruzeiro, pois Jean Carlo foi expulso em Caxias do Sul e cumpre suspensão automática.