Valquir Aureliano/O Estado
Miranda desmente incursões para herdar recursos do Coritiba.

Ainda vivo na briga por uma vaga à Libertadores da América, o Paraná Clube tenta antecipar seu planejamento orçamentário para 2007. Tenta. Até o momento, não há previsão do Clube dos 13 em torno das cotas de televisão para o ano que vem. Boatos que circularam ontem, sobre o interesse do Tricolor em ?herdar? valores que o Coritiba deixará de receber por seguir na Série B, deixaram o presidente José Carlos de Miranda indignado. ?Isso é intriga?, disparou.

Há tempos o dirigente paranista vem trabalhando nos bastidores na tentativa de fazer com que o Paraná passe a integrar a associação dos principais clubes do futebol brasileiro. Além da questão técnica – pela segunda vez consecutiva o ricolor está entre os sete melhores do Brasileirão -, desta vez Miranda utiliza ainda

a evolução que o clube apresentou na média de público. ?Meu trabalho é de aproximação. Jamais iria comprar uma briga com o Coritiba, nesse momento tão delicado?, comentou Miranda.

Especulações davam conta que o Paraná ?está de olho? nos cerca de R$ 2,2 milhões que o Coritiba deixará de receber no ano que vem da tevê. Sem conseguir acesso, o rival coxa-branca só terá direito a 25% de sua cota (que, integral, gira em torno de R$ 11 milhões). ?O processo não é tão simples assim?, lembrou Miranda. ?O Atlético Mineiro e o Sport, que são do C-13, subiram e vão recuperar suas cotas integrais?.

O presidente paranista tenta melhorar os valores destinados ao seu clube (que nos últimos anos foi de R$ 3,9 milhões), mas sabe que só haverá um ?salto? financeiro no momento em que o Paraná for admitido como membro do Clube dos 13. ?Venho conversando seguidamente com o Fábio Koff, o Mustafá Contursi e o Eurico Miranda. Mas, até o momento, o Paraná só participa como convidado e sem direito a voto nas reuniões do Clube dos 13?, afirmou o professor Miranda.

O quadro atual ainda restringe o Tricolor ao grupo de ?renegados?, que irá diminuir para 2007. Na atual temporada, sete não integrantes do C-13 disputam a Série A. No ano que vem, esse número cai para cinco ou seis (dependendo de quem cairá, Ponte Preta ou Fluminense). Talvez nessa redução, sobrem mais ?alguns trocados? para o Paraná Clube. Mas, nada que permita ao tricolor uma maior folga orçamentária. Mesmo que se garanta na Libertadores, o clube terá que seguir sob a mesma política, de austeridade financeira. E torcendo pela projeção de seus jogadores para assegurar fluxo de caixa.

Vantagem percentual dos cariocas não assusta Caio Júnior

Na tabela de classificação, apenas um ponto separa Vasco e Paraná Clube. As projeções, no entanto, dão ao clube carioca uma vantagem de vinte pontos percentuais. Segundo o matemático Tristão Garcia, do site infobola.com.br, o time de Renato Gaúcho tem 59% de chances de ficar com a vaga, contra 39% da equipe de Caio Júnior. Isso porque o Santos, com 98%, já tem vaga praticamente assegurada, pois na última rodada recebe o já rebaixado Santa Cruz. O Figueirense corre por fora, com apenas 4% de chances.

Alheio à matemática e mais atento à prática, o técnico Caio Júnior sabe que ao Tricolor só resta uma opção na próxima rodada: vencer o São Caetano, no Anacleto Campanella. Esse resultado, combinado a um tropeço do Vasco – que recebe o Santos, em São Januário -reverteria os números em favor do representante paranaense. No caso de empate no Rio, com uma vitória sobre o Azulão, o Paraná chegaria à última rodada em vantagem.

Nessa situação, teria que fazer frente ao São Paulo, na Vila Capanema, o mesmo resultado que o Vasco, diante do Figueirense, em Florianópolis. Mas a vantagem pode ser ainda maior, caso o time de Vanderlei Luxemburgo vença. Aí, o Paraná dependeria apenas de um empate frente ao São Paulo para carimbar seu passaporte para a Libertadores, independente do resultado de Figueirense x Vasco. ?O grupo está com espírito de decisão. Vamos atrás dos nossos resultados e ver o que acontece com os concorrentes?, disse Caio Júnior.

Caio Júnior em evidência no mundo da bola

A contratação de Caio Júnior – logo após a conquista do Paranaense sob o comando de Luiz Carlos Barbieri – foi por muitos contestada. Após 36 jogos, não há dúvida de que o treinador se firmou como uma das revelações do Brasileirão, conduzindo o Paraná Clube em uma campanha equilibrada e marcada pelo alto número de vitórias: 17.

Em destaque na mídia nacional, Caio Júnior será o representante do futebol paranaense no Footcon deste ano, evento promovido por Carlos Alberto Parreira e que reunirá, nos dias 5 e 6 de dezembro, técnicos do Brasil e do exterior. A convenção será no Hotel Intercontinental e o técnico do Tricolor participará de um debate sobre o Brasileirão, numa mesa composta ainda por Muricy Ramalho, Antônio Lopes e Geninho.

Caio dará enfoque à sua experiência neste Brasileiro. ?Trabalhamos com verbas reduzidas e sob a desconfiança da mídia nacional.

Não é fácil, a cada momento, ser apontado como cavalos paraguaios, comentou o treinador.

?É uma boa oportunidade para a gente debater essa desigualdade, que acaba interferindo diretamente no andamento da ompetição?, finalizou.