Com o fim das férias, na próxima segunda-feira, a diretoria retoma algumas conversações com jogadores cujos contratos se encerram no último dia 31 de dezembro. O Paraná Clube ainda corre o risco de ficar ser mais quatro titulares nos próximos dias, o que aumentaria o grau de dificuldade da comissão técnica na montagem de um novo time para o Paranaense-2004. Cinco integrantes da equipe responsável pela classificação à Copa Sul-Americana já foram embora.
Valentim, Marquinhos, Fernandinho, Caio e Renaldo já deixaram o Tricolor. O goleiro Flávio, os zagueiros Cristiano Ávalos e Ageu e o volante Pierre ainda têm futuro incerto. O capitão Ageu teve um contato preliminar com os dirigentes, mas a negociação não evoluiu. Dono de seus direitos federativos, Ageu projeta uma valorização pelos mais de dez anos “de casa”. Como possui outras propostas, pode seguir novos rumos, ante a realidade econômica do clube, que não permite maiores investimentos. Já Pierre, deve mesmo reforçar o Ituano (clube detentor de seus direitos federativos), na disputa do Paulistão.
Se esbarrar nas negociações com estes atletas, o Paraná começa o ano com somente dois remanescentes em relação ao time de 2003: o lateral-esquerdo Fabinho e o volante Fernando Miguel. Ocorreria exatamente o oposto daquilo que pregava o técnico Saulo de Freitas ao final do Brasileirão. O treinador, que foi confirmado para mais uma temporada, pretendia contar com pelo menos 70% da equipe que obteve a 10.ª colocação na competição nacional. A saída de mais quatro titulares deixaria o treinador com menos de 20% do time.
Sabendo que o processo de reconstrução de uma equipe demanda um longo período, Saulo prevê dificuldades no início do estadual. “Será preciso muito trabalho e paciência”, avisa. Isso, independente da vinda de mais quatro ou cinco reforços, num “pacotão” que deve ser anunciado na próxima semana. O treinador terá que buscar nas categorias de base o material necessário para suprir algumas carências. Por isso, um dos auxiliares-técnicos estará atento ao desempenho da equipe júnior, que estréia neste fim-de-semana na Copa São Paulo. Neguinho permanecerá em Paulínia, onde o Paraná disputa os três jogos da primeira fase.
Alguns jogadores retornam a Curitiba já no dia 11, independente da campanha do time na competição. “Precisamos completar o grupo de trabalho, pois a pré-temporada é curta e o time já estará em ação no dia 21, quando começa o Paranaense”, explicou o vice-de-futebol José Domingos. Ele irá ao interior paulista, para acompanhar a estréia dos garotos, frente ao São Caetano, neste domingo, às 16h. O Tricolor está no Grupo C e os outros adversários são Santa Inês (MA) e Primavera (SP).
Vice da São Silvestre é ex-jogador do Paraná
São Paulo –
O paranaense Rômulo Wágner, 26 anos vice-campeão da 79.ª Corrida Internacional de São Silvestre, chegou ao atletismo por acaso. Foi no gramado do Paraná Clube, há oito anos, que o ex-atacante de futebol descobriu a vocação para as provas de rua.“Sempre joguei bola e nunca havia pensando em correr uma prova de rua. Em 1995, sofri uma lesão no joelho esquerdo e tive de ficar afastado por alguns meses dos gramados. Na recuperação, tinha de correr todos os dias e acabei sendo descoberto pelo técnico Marcos Melo”, contou.
Rômulo não só ouviu os conselhos do técnico, como passou a vencer as provas de 10km em sua cidade (Curitiba). “Larguei o meu sonho de ser jogador profissional de futebol por causa da corrida. E não me arrependo pela troca”, brincou. Hoje, o atleta da Mizuno mora em Mogi Mirim e treina com o técnico Carlos Alberto Cavalheiro.
Em sua primeira participação da São Silvestre, em 2000, ele foi o décimo colocado. No ano seguinte, chegou em sétimo. E na edição de 2002 desistiu da prova no décimo quilômetro: “Fiquei muito nervoso na véspera e tive insônia. Estava desgastado, o cansaço me quebrou”, explicou.
A segurança foi conquistada no treinamento na altitude realizado na cidade de Paipo, na Colômbia, a 2.600m. “Foram sete semanas de treinamento e me senti muito bem na volta”, revelou.
Animado com o resultado, Rômulo já faz planos para voltar para Paipo, local escolhido para se preparar para a maratona, em abril, quando tentará o índice para a Olimpíada de Atenas. “Ainda não decidi se vou correr a Maratona de Paris ou Inglaterra.”
Na Maratona de Berlim, em setembro, Rômulo fez o tempo abaixo do índice olímpico. Marcou 2h12, contra 2h15. Mas o índice só vale se realizado no ano da Olimpíada – o Brasil terá três vagas na prova.
Para o fundista, 2003 foi o seu melhor ano, mas nem por isso pensa em descansar. No sábado, embarca para o Uruguai, onde participará da Corrida de San Fernando, num percurso de 10km. “A prova será mais um treino para a maratona. De lá, pretendo correr uma prova na Venezuela e depois descansar uma semana.”
No fim do mês, Rômulo volta para Paipo e fica treinando até a véspera da maratona. Em abril, ele foi vice-campeão da Maratona Internacional de São Paulo e, em outubro, terceiro colocado na Volta Internacional da Pampulha. “O ano passado foi o melhor da minha carreira, mas este ano será melhor ainda. Nunca estive tão bem preparado”, avisou.


