Pressão: além do adversário,
os paranistas enfrentaram a torcida
local, que foi em bom número ao estádio.

Não deu para o Paraná. Com o empate em um gol com o Prudentópolis ontem à tarde, no Newton Agibert, em Prudentópolis, as duas equipes morreram abraçadas e vão ter que disputar, a partir de domingo, o torneio da morte. Deste quadrangular, sairão as duas equipes rebaixadas à série A-1 do campeonato paranaense de 2005. O Tricolor saiu na frente, mas mesmo com um jogador a mais, permitiu o empate do adversário.

Com o mando de jogo, o apoio da torcida e a necessidade da vitória para tentar escapar do torneio da morte, o Prudentópolis começou o jogo partindo para cima e pressionando o Paraná no campo defensivo, com direito a bola na trave em um lance livre indireto. Ao Tricolor, cabiam os contra-ataques e o esforço para se encontrar em campo, especialmente no posicionamento no meio-de-campo, onde a equipe estava perdendo muitas bolas.

Entretanto, aos 46 minutos, Wiliam acertou o pé. Roubando uma bola do adversário, serviu Fábio. O atacante visualizou o estreante Jadílson entrando pela esquerda e ele não decepcionou, fuzilando para a rede adversária. Mesmo com a vitória parcial, o técnico Saulo de Freitas deixou o gramado insatisfeito. “O jogo está franco, mas estamos perdendo muito a bola. Temos que posicionar o Alexandre e o Wiliam melhor para dar mais segurança ao time”, disse o treinador.

Com a tranqüilidade da vitória parcial e os acertos de vestiário, o Paraná voltou melhor no segundo tempo, mas continuou desperdiçando as chances criadas e oferecendo eventuais contra-ataques ao adversário. Mas o que complicou mesmo a vida do Paraná foi a expulsão de Athos, aos 10 minutos. O meia vinha jogando bem, mas em um lance na intermediária revidou uma falta de Maranhão, dando um pontapé por trás no adversário. O árbitro não teve outra opção senão mandar o paranista mais cedo para o chuveiro. Para recompor a equipe e tentar segurar o resultado positivo, o técnico Saulo de Freitas sacou o meia-atacante Alex e deu passagem a João Paulo, que reforçou a meia-cancha defensiva.

Menos mal para o Tricolor foi a expulsão, aos 20 minutos, de Maranhão. Ele já tinha amarelo e pegou firme em Wiliam, indo também mais cedo para o chuveiro. Com o mesmo número de jogadores em campo, a marcação do Paraná continuava firme e o Prudentópolis não tinha outra opção, senão partir para cima. Ao Paraná, cabiam os contra-ataques rápidos. Em um deles, Wiliam sofreu falta na entrada da área e Jean Carlo cobrou no travessão, levando o técnico Saulo à loucura.

Aos 41 minutos, o Prude perdeu também Sandrinho, que já tinha amarelo e fez falta violenta em Wilian. Como o meia Ricardinho já estava contundido há algum tempo e o técnico Joel Costa já havia queimado as três substituições, o Paraná jogou os últimos oito minutos – o árbitro deu quatro de acréscimo – contra praticamente oito jogadores.

Necessitando marcar pelo menos mais dois gols para eliminar o Beltrão no saldo de gols, o Paraná se soltou para o ataque e acabou castigado aos 46 minutos da etapa final, com um gol de cabeça de Airton. Vandinho ainda carimbou a trave na seqüência, mas o revés já estava traçado.

Ações trabalhistas deixam o clube sem dinheiro

O presidente do Paraná Clube, José Carlos de Miranda, não fugiu da raia e deu uma prova de que a esperança ainda permanece na Vila Capanema. O dirigente, entretanto, não tapou o sol com a peneira e reconheceu que a situação do clube é complicada, não só dentro de campo.

“Estamos com as contas bloqueadas, com 94 processos trabalhistas tirando dinheiro do clube e com pouco recurso para investir no futebol”, disse. O reflexo da triste situação financeira, creditada a administrações anteriores, interferiu diretamente na qualidade do atual elenco. “Tentamos montar um time ao menos razoável para o estadual. Não fomos felizes e estamos tendo que consertar aos poucos. Só que o campeonato não pára”, explicou o dirigente. Sobre a disputa do torneio da morte, Miranda foi enfático. “Não podemos nos enfraquecer. Pelo contrário, temos que nos fortificar e continuar lutando.”

De fato, na última sexta-feira a diretoria apresentou mais um reforço – o atacante Uéslei – que deve estrear no primeiro jogo do torneio da morte. Nesta semana, é provável que o atacante Luciano Henrique, que está no Atlético de Sorocaba, também se apresente ao técnico Saulo de Freitas. O meia Éder, do Marília, é outro que está na mira da diretoria. “Estamos de olho no futebol do interior de São Paulo e com a desclassificação de algumas equipes, já poderemos efetivar contratações que estão dentro das nossas possibilidades.”

O grande problema do Tricolor é que, de fato, o campeonato não pára. Agora, a única saída – com ou sem jogadores capacitados – será arrasar os adversários no torneio da morte e pelo menos salvar a pele no campeonato estadual e se preparar com um pouco mais de antecedência para o campeonato brasileiro.

Tarde demais para reagir na última rodada

O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Assim como aconteceu no ano passado, o Paraná vive o mesmo drama: vai ter que lutar muito para não ser rebaixado à série A-1 do campeonato paranaense. As lições tomadas a duras penas no ano passado não serviram para que o clube fizesse um melhor planejamento. Ontem, na sétima rodada, ainda tinha jogador estreando: o lateral-esquerdo Jadílson, que mesmo sem as melhores condições físicas foi o melhor em campo. Resultado? Uma campanha constituída com apenas uma vitória, dois empates e quatro derrotas. “Não adianta ficar procurando culpados. A situação é complicada e a única saída, neste momento, é trabalhar ainda mais”, diz o técnico Saulo de Freitas.

O mais difícil, certamente, será tentar levantar os astral do grupo. Ontem, após a partida, os atletas deixaram o gramado visivelmente abatidos. “Continuamos pecando nas finalizações. Mas não adianta lamentar. Temos que sacudir a poeira e enfrentar o torneio da morte de cabeça erguida”, disse o experiente Jean Carlo.