Paraná joga bem e vence o Flamengo

O Paraná Clube se redimiu das falhas da derrota para o Bahia na última rodada e passou por cima do Flamengo ontem à tarde, vencendo por 3 a 0, no Couto Pereira. Na jornada bem-sucedida, o Tricolor contou com uma jogada do destino: aos dez minutos, o experiente Maurílio deixou o campo lesionado, dando passagem ao lépido Waldir. Com muito espírito de luta, o garoto foi um dos pontos de desequilíbrio a favor do Paraná e autor dos passes de dois gols.

No entanto, o dedo do técnico Otacílio Gonçalves também foi fundamental para a sorte do Tricolor. Escaldado com a derrota no meio de semana, o treinador montou um esquema de jogo diferente para surpreender o Flamengo. Sacando o meia ofensivo Tiago, Otacílio deu passagem ao experiente volante Sidnei, que atuou como um terceiro zagueiro na tarde de ontem. Mudando a disposição defensiva, a equipe ficou mais segura. E com o tempo, quando Émerson e Goiano passaram a subir ao ataque, de modo alternado, a qualidade ofensiva paranista começou a se sobressair.

A partida começou quente, com o meia Felipe Mello derrubando Alexandre na área. Perto do lance, o árbitro Carlos Eugênio Simon não deu a penalidade, mas acabou se redimindo minutos depois. Em novo lance envolvendo Felipe e Alexandre, Simon assinalou a penalidade. Mas o artilheiro Márcio, aos 15 minutos, cobrou na trave.

Com o revés paranista, o Flamengo até esboçou uma reação, mas o domínio tricolor era flagrante, especialmente nas jogadas trabalhadas entre Alexandre e Waldir. Aos 40 minutos, o que era iminente aconteceu. Waldir trabalhou pela direita e cruzou redondo para Márcio assinalar o primeiro do Paraná.

O padrão do jogo se repetiu na segunda etapa e de tanto insistir, o Tricolor ampliou o marcador. Em nova jogada de Waldir, desta vez pela meia esquerda, Fabinho recebeu e chutou cruzado, sem chances para Júlio César. Aos 32 minutos, em novo lance pela esquerda, o volante Émerson fez as vezes de armador e serviu Alexandre. O meia tirou de Júlio César e tocou mansinho para fechar a vitória, com sabor de chocolate e ascensão na tabela. Com os três pontos conquistados ontem, o Paraná subiu para a 17.ª colocação. “Fizemos por merecer. A equipe esteve muito bem postada hoje”, resumiu o treinador.

Uma estrela que nasce

A atuação do atacante Waldir deixou uma doce “dor-de-cabeça” para o técnico Otacílio Gonçalves. Ainda não se sabe da extensão da contusão de Maurílio, que deixou o campo com um problema muscular. Mas pelo que jogou ontem, dificilmente Waldir deixará a equipe para a partida contra a Ponte Preta, na quarta-feira.

Assim como aconteceu na derrota por 3 a 2 diante do São Paulo, o paraense entrou no jogo cheio de vontade. “Para quem fica de fora, qualquer chance de entrar é encarada como a última da vida. Não tem como não entrar com tudo”, disse Waldir após o jogo. Autor de dois passes que resultaram em gols, o atacante credica a boa atuação ao esforço empregado nos treinamentos. “Gosto de chegar em casa com a consciência que estou fazendo a minha parte. A cada dia sei que posso dar mais”, diz.

Se as dúvidas no setor ofensivo permanecem, na defesa duas peças já têm destino certo. O volante Goiano recebeu o terceiro amarelo e está fora do jogo contra a Macaca. Em contrapartida, o zagueiro Cristiano Ávalos cumpriu o último jogo de suspensão pela expulsão no jogo contra a Portuguesa e está à disposição de Otacílio Gonçalves.

Arbitragem

A atuação do árbitro Carlos Eugênio Simon pode não ter refletido diretamente no resultado do jogo. Afinal, ele compensou o pênalti não marcado no início do jogo com outro, duvidoso.

No entanto, na parte disciplinar, mais uma vez Simon se complicou em alguns momentos. Em uma discussão entre Zé Carlos e Goiano, acabou sobrando cartão para o flamenguista e para Xandão, que chegou para tirar Goiano, já advertido com amarelo, do lance. E num desentendimento entre Márcio e Liédson – o atacante flamenguista deu um toque no adversário – ele advertiu com o amarelo apenas o paranista. Em outro lance, em que Fábio Baiano foi com maldade para cima de Fabinho, Simon deu vantagem, não advertindo o flamenguista. No lado rubro-negro, o técnico Evaristo de Macedo reclamou de um impedimento no terceiro gol paranista, que seria lance do auxiliar José Carlos Oliveira.

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