Valquir Aureliano
O zagueiro Émerson não
se intimidou e deu uma
voadora na bola.

No melhor estilo pragmático, o Paraná Clube deu novo salto no Brasileirão. O Tricolor teve apresentação abaixo da média, viu o adversário perder pênalti e tomou sufoco no final.

?Mas o que importa é ganhar. Jogamos bem contra o Palmeiras e restou o gosto amargo da derrota?, disse o técnico Caio Júnior, celebrando a vitória por 2 a 1 de seu time sobre o desfalcado Vasco, ontem, no Pinheirão.

Ajudado pelos demais resultados, o Paraná subiu três posições e já é o 2.º melhor time do Brasileirão. Se vencer o terceiro colocado Santos, domingo que vem, no Pinheirão, e o líder São Paulo perder em casa para o Goiás, o Tricolor assume a ponta – feito inédito nesta altura da competição.

Mas o time da Vila precisou suar para chegar à vice-liderança. Mesmo sem seis titulares e dois reservas imediatos, o Vasco deu trabalho e chegou a dominar o jogo no 1.º tempo. Os dois volantes paranistas, especialmente Serginho, marcavam mal, permitindo que os cariocas trabalhassem a bola até perto da área. E o Tricolor não criava nada no ataque, prejudicado pela forte marcação adversária, pelo gramado ruim do Pinheirão e pelos erros de passes no meio-de-campo – neste quesito, a ausência do capitão Beto também foi sentida.

O resultado foi a predominância do time cruzmaltino, que, embora contasse com apenas um atacante fixo (o esperto Faioli), atacava fortalecido pelo avanço de alas, volantes e até zagueiros. Assim, o pênalti de Emerson sobre Faioli virou um prêmio merecido ao Vasco. Mas o meia Abedi resolveu colaborar com o Tricolor, cobrando para fora, aos 31. Castigo que seria redobrado: no lance seguinte, o goleiro Roberto saiu de forma atabalhoada e Sandro abriu o placar.

O gol pareceu acalmar os ânimos dos paranistas. Apesar de a defesa ainda sofrer sustos, o time acertou o pé no ataque e teve boas chances de ampliar.

No intervalo, Caio Jr. mandou o time correr menos riscos e disse que não se importaria em jogar feio.

Os jogadores obedeceram ao pé da letra: livraram-se da bola com certo desespero, abusando dos chutões e permitindo que o Vasco voltasse a incomodar. Mas o meia Maicosuel, destaque do time, contrariou o técnico: dominou a bola, tirou do zagueiro e bateu no ângulo.

O golaço aos 24 minutos parecia ter decidido o jogo – e até poderia, pois os cariocas lançaram-se como loucos a ataque e deixaram espaço livre para os contragolpes. Mas o Paraná errou passes primários e perdeu pelo menos três chances claras de ampliar – às vezes com três atacantes contra dois defensores.

O Vasco aproveitou e descontou aos 40 minutos, com Madson. A atuação insegura do sistema defensivo fez a torcida tricolor rezar para que o pior não acontecesse.

Mas o time segurou o resultado e seguiu cumprindo a brilhante campanha, que já o faz sonhar com vôos até mais altos do que vaga na Libertadores.

Paraná muda o discurso, mas mantém a eficiência

Jogar mal é secundário: ganhar é o que vale num campeonato acirrado como o Brasileirão. A teoria, compartilhada por jogadores e comissão técnica, dominou o vestiário paranista após o triunfo sobre o Vasco, que deu ao Tricolor a vice-liderança do torneio.

Já no intervalo Caio Júnior reconhecia a dificuldade diante de um adversário postado de forma semelhante ao próprio Paraná. ?O Vasco foi nosso espelho quando jogamos fora de casa: usou só um atacante e dois meias rápidos, dificultando nossa saída de bola?, falou o técnico, que considerou a vitória de ontem ?fundamental? pelo favoritismo atribuído ao Tricolor – já que principais jogadores vascaínos, como Ramón, Morais e Edílson, estavam de fora. ?Talvez tenha sido o jogo mais tenso, fiquei muito ansioso. Sabia da importância da vitória, porque, para o torcedor, os desfalques do Vasco nos davam obrigação de vencer?.

Caio atribuiu ao esquema adversário e ao gramado do Pinheirão a atuação de ontem, inferior a dos últimos jogos. ?Jogar bem sempre é impossível. O Vasco jogou fechado, marcando muito, e com esse gramado não dá para mostrar qualidade.

Não vejo a hora de voltar à Vila Capanema?, disse.

O técnico só não gostou dos seguidos erros nos contragolpes e já prepara uma ?lição de casa? para os atacantes. ?Tivemos várias chances de fazer 3 a 0. Não dá para desperdiçar tantos contragolpes, que é o nosso forte?, disse, prometendo colocar o time para treinar este tipo de jogada.

O zagueiro Emerson também lembrou que o Paraná provou do próprio veneno e considerou o jogo de ontem um dos mais difíceis entre os que o Tricolor disputou no Pinheirão. ?Foi um adversário chato, como o Cruzeiro. Mas mantivemos a estabilidade mesmo sem jogar nosso melhor futebol. E tivemos capacidade na hora decisiva, ao marcar o gol logo depois do pênalti perdido pelo Vasco?, falou. ?Não fizemos uma partida excepcional, mas valeu pelos três pontos?, resumiu o ala Edinho.

No confronto direto diante do Santos, domingo, às 18h10, no Pinheirão, o Tricolor não terá o goleiro Flávio e o meia Batista, que tomaram o terceiro cartão amarelo. Na rodada seguinte o Paraná folga, pois o jogo contra o Inter, finalista da Libertadores, foi adiado para 30 de setembro.

CAMPEONATO BRASILEIRO
15ª RODADA
Local: Pinheirão (Curitiba).
Horário: 16h.
Árbitro: Rodrigo Martins Cintra (SP).
Assistentes: Válter José dos Reis (SP) e Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP).
Horário: 16 horas
Local: Pinheirão, em Curitiba (PR)

PARANÁ CLUBE 2×1 VASCO

PARANÁ
Flávio; Gustavo, Émerson e Edmilson; Angelo, Serginho, Batista, Sandro, Maicosuel e Edinho; Leonardo. Técnico: Caio Júnior.

VASCO
Roberto; Paulão, Jorge Luís e Éder; Claudemir, Ygor, Andrade, Abedi, Ernane e Diego; Faiolli. Técnico: Renato Gaúcho.