Walter Alves
Depois que Miranda assumiu, Tricolor só vem crescendo.

O Paraná Clube comemora hoje mais um ano de existência e em alta. Num visível processo de reestruturação, o Tricolor ressurgiu como uma das forças do estado, dando um bico na crise e fechando a temporada com a melhor campanha de sua história num Campeonato Brasileiro da Série A. Mais do que isso: voltou a ser viável sob o aspecto financeiro, dá sinais de crescimento (tanto no social quanto no esportivo) e passa a reutilizar sua casa a partir do ano que vem, com a modernização e ampliação do estádio Durival Britto.

Grande campeão da década passada, o Tricolor busca soluções viáveis para voltar a comemorar um título paranaense. Desde 1997, o clube não levanta um troféu na principal competição do estado. A meta, no embalo do que o clube fez no último Brasileirão, é fazer frente ao Atlético e recuperar uma vaga na Copa do Brasil, competição da qual o clube não participa desde 2002. Driblando a falta de recursos – o Tricolor é um dos ?primos pobres? no Nacional, recebendo as menores cotas da televisão -o clube aposta na vocação para garimpar e projetar bons valores.

Uma nova faceta na vida do Paraná, que iniciou sua história no dia 19 de dezembro de 1989, através da fusão entre Pinheiros e Colorado. Com recursos humanos de sobra (com a união dos elencos foi necessária uma ?peneirada? para a montagem do primeiro grupo de atletas), o Tricolor tinha como slogan ?o clube do ano 2000?. Só que o sucesso foi quase imediato – em 1991 o Paraná conquistava seu primeiro título paranaense – e a ascensão meteórica cobrou o seu preço quase uma década depois.

Resultado de uma falta de planejamento para a série de conquistas que o Paraná obteria. Já em 1992, o Tricolor conquistava a Segundona do Brasil, chegando à elite do futebol nacional. Nos cinco anos seguintes, o clube consolidou sua hegemonia, com o pentacampeonato paranaense. Neste período, fez campeonatos brasileiros razoáveis, oscilando em posições intermediárias, mas sem risco de rebaixamento. As dificuldades se tornaram mais visíveis a partir de 1998. Duas temporadas ruins fizeram do Paraná o único clube rebaixado pela média, uma regra adotada apenas entre 98/99 e imediatamente descartada.

Mesmo com a virada de mesa no caso Gama, que culminou com a realização da Copa João Havelange (competição promovida pelo Clube dos 13), o Paraná teve que jogar a segunda divisão, batizada de Módulo Amarelo. Um caminho tortuoso, mas que determinou novos rumos ao Paraná. Campeão da sua série na Copa JH, o Tricolor chegou às quartas-de-final do torneio, mostrando um time extremamente competitivo. O bom trabalho teve seqüência no ano seguinte, mas sem emplacar boas transações e com uma fatia inexpressiva na divisão do ?bolo da tevê?, o clube penou em 2002.

Livrou-se da degola somente na última rodada do Brasileirão. O pífio desempenho no estadual do ano seguinte provocou mudanças internas, abrindo espaço para o crescimento de uma nova ala política do clube, que se consolidaria em 2004 com a eleição de José Carlos de Miranda, o primeiro escolhido pelo voto direto do associado.

Começava também a ?era das parcerias?, uma solução para a falta de recursos. Associado a empresários, o clube teve momentos difíceis, mas se manteve na Série A e na atual temporada chegou ao inédito 7.º lugar, carimbando seu passaporte para a Copa Sul-Americana. Para os paranistas, é o pontapé inicial de uma nova etapa na vida do clube, uma fase de vitórias e conquistas, impulsionada pelo jargão perpetuado em seu hino: ?o poder da realização?.