Foto: Valquir Aureliano
O final da temporada foi desastroso e o time caiu pra Segundona.

A temporada 2007 tinha tudo para ser um marco na história do Paraná Clube.

No ano de sua maioridade – o clube completou 18 anos no último dia 19 de dezembro – o Tricolor chegava à inédita participação na mais cobiçada competição sul-americana.

A presença na Copa Libertadores da América mudou o comportamento dos paranistas, orgulhosos do feito. Com recursos financeiros limitados, o clube paranaense superou rivais de porte para disputar no dia 1.º de fevereiro o jogo internacional mais importante de sua vida.

Antes do histórico jogo contra o Cobreloa, do Chile, o Paraná sofreu um processo de reestruturação. O time vencedor do ano anterior foi desmontado, Caio Júnior foi para o Palmeiras e o clube teve que partir praticamente da estaca zero. Por tudo o que aconteceria a seguir, em 2007 não é exagero descrever a caminhada do Tricolor em duas etapas: a.Z. e d.Z. Ou seja, antes de Zetti e depois de Zetti. Goleiro campeão do mundo pelo São Paulo e pela seleção brasileira, o treinador aceitou a missão de fixar o nome do Paraná além das fronteiras.

E tudo parecia que caminharia conforme o planejado. Com as contratações de Daniel Marques, Aderaldo, Dinelson, Henrique e Josiel, o Tricolor montava um novo esquadrão, que em muitos momentos empolgou sua torcida.

A começar do primeiro jogo na Libertadores, onde o Paraná sapecou 2×0 no Cobreloa, na cidade de Calama. Um cartão de visitas promissor e que fez a galera paranista vestir a camisa. O Paranaense, que corria paralelamente à competição continental, era um mero aperitivo. Tanto que a comissão técnica se deu ao luxo de preservar o grupo principal para a Libertadores em alguns jogos decisivos do Estadual.

Força de grupo

A maré era tão boa e a sintonia de Zetti tão afinada que entre os dois torneios a comissão técnica utilizou todos os jogadores disponíveis. Mais do que isso, chegou a recorrer à garotada dos juniores em alguns jogos do Paranaense, quase com um ?time c?. Foi com esse planejamento que o Tricolor superou a ?pré-Libertadores? e chegou à fase de grupos.

Ao mesmo tempo, manteve-se sempre em uma posição confortável na competição local. Não que o sucesso fizesse com que o treinador se acomodasse.

Zetti sempre foi crítico quanto ao comportamento do time e, mesmo nas vitórias, dizia que ainda esperava ?o grande jogo do Paraná?.

A postura do treinador talvez fosse reflexo das carências que o grupo tinha, mas que foram sendo superadas, até a fase decisiva das competições. Independente da falta de brilho, o Tricolor mostrou-se sempre um time equilibrado. Mesmo nas derrotas – como nas duas para o Flamengo, pelo grupo 5 da Libertadores – o Paraná teve comportamento convincente. Se a chave não era das mais fortes, pouco importava para o torcedor.

O Tricolor avançou às oitavas-de-final e poucos dias depois, faria duas partidas decisivas frente ao Atlético, pelas semifinais do Paranaense. Zetti entraria então para a história do clube, como o técnico que comandou o Paraná em sua primeira vitória sobre o Atlético, em pleno Estádio Joaquim Américo: 3×1, e o Tricolor estava no caminho do bi. Mas a euforia parou por aí. Em apenas 12 dias, o ?castelo ruiu?, como se fosse de areia. O Paraná perdeu o título para o modesto Paranavaí, em plena Vila Capanema, e alguns dias depois foi eliminado da Libertadores pelo Libertad, do Paraguai.

Menos de duas semanas que causaram um grande desgaste à diretoria, à comissão técnica e em especial a alguns jogadores. De ídolos passaram a vilões – com os meias Gérson e Dinelson – e a poucos dias do Brasileirão começar, o Paraná passaria por reformulações.

O desafio era retornar à Libertadores, mas o destino tinha outros planos para a turma da Vila Capanema.

A seguir: crise, desmandos e o clube ladeira abaixo.

Diretoria paranista trabalha em silêncio

O Paraná Clube fecha o ano com um grupo delineado. Mesmo mantendo nomes dos eventuais reforços ?trancados a sete chaves?, a diretoria demonstra serenidade e entende estar próximo do que considera ideal para o início da temporada. Pelo menos é o que deixa transparecer o vice de futebol Durval Lara Ribeiro, que ontem pela manhã esteve reunido com o técnico Saulo de Freitas, posicionando-o sobre a evolução das transações realizadas nas últimas semanas.

?Estamos trabalhando em silêncio, mas o torcedor pode ter certeza que vamos iniciar o ano com um time competitivo?, afirma Vavá Ribeiro. Somente na próxima semana o dirigente deve anunciar um pacotão – com zagueiro, meia e atacante – que praticamente encerraria o ciclo de contratações do Tricolor. Ao menos momentaneamente. ?A idéia é contar com dois jogadores por posição. E daí, dar tempo ao tempo, medir o potencial do grupo com uma reserva técnica?, justificou Vavá.

A idéia do vice de futebol é não encher a prateleira para não incorrer no mesmo erro cometido na atual temporada. Quando caiu na real, o Paraná já tinha mais de quarenta jogadores no elenco e a situação ficou difícil de ser administrada a partir da sucessiva troca de treinadores. Mesmo tendo apresentado apenas o volante Léo até o momento, Vavá pede ?tranqüilidade? à torcida. ?Não é hora para desespero. O segredo é ter um grupo fechado e para isso o ideal é trabalhar com 25, 26 jogadores?, afirmou.

Mesmo sem o anúncio oficial dos reforços que estão praticamente fechados, Saulo de Freitas teria condições de escalar um time coeso para o início do Paranaense. Essa equipe-base teria mais ou menos esta formação: Gabriel; André Luiz, Ricardo Ehle, Luís Henrique e Eltinho; Jumar, Beto, Léo e Giuliano; Vandinho e Leonardo. ?É preciso dar tempo ao tempo. Reforços vão chegar, mas sem correria, pois quero jogadores comprometidos com o clube e com contratos bem amarrados, para evitar dissabores?, finalizou Vavá. (IC)