As especulações correm soltas e a diretoria do Paraná Clube reconhece que não é fácil, hoje, traçar um perfil do elenco para 2005. Há, no entanto, uma promessa: não incorrer nos mesmos erros cometidos nesta temporada. Nada menos do que 49 jogadores passaram pelo grupo principal ao longo do Brasileirão. Chegaram, desde a intertemporada, em abril, 36 reforços, sendo que em alguns casos até curiosos – sequer contratos foram assinados.

Foi assim com Didi, atacante que recebeu o primeiro salário, mas não pôde ser registrado. Tinha um contrato pré-existente com o Ituano, que "brecou" sua inscrição na CBF. O jogador acabou indo para o Internacional, de onde foi "enxotado" após se envolver num escândalo particular. Quem também esteve treinando por alguns dias no Tricolor foi o zagueiro Esmerode, ex-Coritiba. O jogador só não ficou porque seu visto para trabalhar do Brasil expirara e não haveria tempo hábil para a regularização de sua documentação.

A proposta da diretoria, agora, é definir um grupo de trabalho com no máximo 28 jogadores. "Pecamos pelo excesso e isso não vai se repetir", comentou o vice de futebol José Domingos. O elevado número de atletas fez com que Paulo Campos, num primeiro momento, e depois Gilson Kleina, não conseguissem ajustar um time-base. "Nos treinos, tínhamos muitos jogadores que nem conseguiam participar dos coletivos. Isso gera desinteresse e intranqüilidade", explicou o dirigente.

O desafio do clube é evitar o êxodo que marcou o fim da temporada 2003 do Tricolor. Do time principal, naquele ano, apenas o goleiro Flávio permaneceu. "Isso não vai se repetir, pois já temos uma base definida e algumas renovações estão bem encaminhadas", disse Zé Domingos. O Paraná depende de eventuais transações que estão sendo controladas pelos parceiros comerciais do clube. Os empresários Sérgio Malucelli, Iko Martins, Vágner Ribeiro e Odário Durães detêm os direitos federativos de boa parte dos atletas que vestiram a camisa tricolor no Brasileirão.

"Já acertamos alguns reforços, como Marlon, Chu e Juliano. Mas, outras negociações não devem ocorrer nos próximos dias", explicou Domingos. É provável que somente a partir do dia 3 de janeiro as transações sejam retomadas, aumentando a ansiedade do torcedor paranista, que espera ver em campo um time competitivo e outra vez brigando pelo título estadual. Afinal, já são sete anos de jejum.