Foto: Fábio Alexandre

O goleiro Fabiano Heves diz que não dá pra menosprezar o adversário, mas que o objetivo é eliminar o jogo da volta.

O Paraná acorda cedo hoje, para encarar uma verdadeira aventura pela Copa do Brasil. O Tricolor embarca nesta manhã rumo ao Amapá, onde enfrenta amanhã à noite o desconhecido Trem, na estréia no torneio nacional.

A odisséia paranista começa ainda de madrugada. Às 6h, o time parte da Vila Capanema para o aeroporto Afonso Pena. O vôo para Macapá está marcado para as 7h20.

Em cerca de sete horas de viagem, a delegação paranista vai percorrer 2.847 km, com escala na capital federal.

A chegada está prevista para as 14h de Brasília, ou 15h no horário local, já que no Amapá não há horário de verão.

A longa viagem será apenas um dos obstáculos do Tricolor. ?Não será um jogo normal. Lá é muito calor, úmido e a viagem é desgastante. Mas no futebol não tem lugar nem hora. Estamos acostumados com isso?, garante o goleiro Fabiano Heves, que assim como todo o elenco teve de tomar a vacina contra a febre amarela.

Já a falta de informações sobre o adversário é uma dificuldade que os paranistas garantem estar superada.

?Por enquanto, não sei nada sobre o time deles, mas com certeza não vamos no escuro.

A comissão técnica se encarregou de passar as informações para a gente?, diz Fabiano.

Para desvendar os segredos do Trem, Bonamigo enviou a Macapá o auxiliar Alcinei de Miranda. ?Pode ter certeza que vamos entrar sabendo tudo. Mas esse é um trabalho interno e não posso dizer nossos segredos. Já temos boas informações e vamos ter mais quando chegarmos lá?, garante o treinador.

O Paraná vai em busca de uma vitória por dois gols de vantagem, para assegurar a classificação sem a necessidade do jogo de volta.

?O pensamento tem que ser esse. Temos jogos difíceis pelo Paranaense e se conseguirmos fazer o resultado lá, fica melhor para a disputa do estadual?, diz o atacante Jéfferson.

Mas a teórica fragilidade da equipe do Norte não ilude os paranistas. ?Não podemos menosprezar. Eles terão muita motivação, por estar jogando com um time grande como o Paraná. Os jogadores sempre acabam se superando?, alerta Fabiano Heves.

Para o grupo Tricolor, uma vitória no Norte será uma boa arrancada rumo ao sonho de voltar à Libertadores já no ano que vem. ?Se esse é o caminho mais fácil, vamos por ele. Temos que dar a vida neste campeonato para poder chegar lá?, conclui Jéfferson.


Alívio – O Paraná se livrou ontem da ameaça de perder até três mandos de campo no campeonato estadual. O Tricolor foi absolvido em julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que julgou o clube inocente no caso do copo arremessado ao gramado da Arena da Baixada pela torcida paranista, no clássico contra o Atlético.

Mais um – Hoje quem vai para o banco dos réus é o goleiro Fabiano Heves. Expulso no jogo contra o Cianorte, no dia 20 de janeiro, ele pode pegar até três jogos de suspensão.

Expectativa – A torcida do Paraná espera pela chegada de reforços ainda esta semana. Pelo menos essa foi a promessa do presidente Aurival Correia, na apresentação do técnico Paulo Bonamigo. Além de dois meio-campistas, o clube ainda procura um centroavante. ?Mas sem fazer loucuras?, diz o cartola tricolor.

Bonamigo tem alguns desfalques

Paulo Bonamigo gostaria de repetir contra o Trem o mesmo time que venceu o Coritiba por 1 a 0, no último sábado. Mas alguns problemas acabaram com os planos do treinador, que pode ter até três desfalques no Amapá.

O meia Everton está suspenso, por causa da expulsão no jogo contra o Vasco, na última rodada do Brasileirão do ano passado. O zagueiro Leonardo Dagostini, com um corte no pé direito, está fora do jogo. O lateral-esquerdo Daniel Cruz viaja com o elenco, mas é dúvida, devido a uma torção no tornozelo.

A ausência de Dagostini levou Bonamigo a mudar a formação da equipe, que treinou ontem no 4-4-2. André Luiz está recuperado e assume a vaga na lateral direita, com Goiano passado para o meio-campo. Na lateral, Wellington entra caso Daniel não se recupere a tempo.

Para substituir Everton, Bonamigo aposta no polêmico Joelson. Ele formará a meia cancha ao lado de Goiano, Léo e Jumar, que ganhou o lugar de Beto. ?Eu tenho um grupo onde todos são iguais e vão buscar seu espaço. O Joelson é mais maduro e tem que mostrar o que sabe. Ele está muito motivado com essa oportunidade?, diz o treinador. Além de Joelson, o Bonamigo tem como opções para a posição os jovens Bruno Iotti e Rodrigo Pimpão.

Amapá unido pelo Trem

A diretoria do Trem quer unir o Amapá no apoio ao clube na Copa do Brasil. Único representante do estado na competição, o time conta com uma grande mobilização dos torcedores para sufocar o Paraná.

A luta do Trem para fazer um bom papel em nível nacional está ganhando apoio em todas as esferas esportivas e políticas do Amapá. ?Essa união é muito importante. O apoio da federação, diretoria do Trem, governo do Estado, imprensa e torcedores garante maior tranqüilidade aos jogadores e o resultado será refletido dentro de campo?, diz o presidente da Federação Amapaense de Futebol, deputado estadual Roberto Góes, em entrevista ao Diário do Amapá.

Para incentivar os torcedores, o Trem está usando até a vitória da Beija-Flor no Carnaval carioca. A escola de samba de Nilópolis teve a cidade de Macapá como enredo e garantiu o bicampeonato. ?Em momento tão importante, com Macapá sendo falada em todo o Brasil e até internacionalmente, através da vitória da Beija-Flor, temos que levar a alegria e o orgulho amapaenses para o futebol?, conclama o diretor de futebol da equipe, Dalto Martins.