Foto: Valquir Aureliano/O Estado
Cuca já treina no Paraná Clube.

O Paraná Clube viveu um dia atípico, em uma semana decisiva. Sem treino programado, as atenções se voltaram para a apresentação de ?caras novas?. A dez dias da largada do Brasileirão, o Tricolor já reforça o seu elenco, devendo fechar esse ciclo com pelo menos nove aquisições. Dentre esses reforços, um antigo sonho foi realizado. Há quase dois anos o clube tentava viabilizar a contratação do meia Aílton, ex-Paulista e São Paulo. Agora, com recursos do Grupo de Investimentos e da LA Sports, o jogador assinou contrato de três anos.

?É um desafio chegar num clube que está tão bem. Sei que vou ter que trabalhar muito para conquistar meu espaço?, disse Aílton, que até aqui havia atuado apenas no futebol paulista e no seu clube de origem, o Náutico. Aos 21 anos, ele quer retomar o bom momento de 2004, quando foi destaque do Paulista de Jundiaí. ?Desde então, não tive mais uma seqüência de jogos. Isso me atrapalhou bastante. Quero ajudar o Paraná a fazer um grande Campeonato Brasileiro?, comentou Aílton.

O meia, depois de deixar o Paulista, foi pouco utilizado no São Paulo e passou ainda por Guarani, Náutico e São Bento. O Tricolor adquiriu 70% dos direitos federativos de Aílton, que agora tem vínculo com o clube até abril de 2009. Meia habilidoso e ofensivo, Aílton se espelha em Kaká, com quem jogou há três anos, no São Paulo. ?É um jogador que há tempos está na nossa mira. Agora, finalmente viabilizamos a contratação e tenho certeza que ele será muito útil na disputa desse Brasileiro?, disse o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro.

Além de Aílton, o Paraná também apresentou ontem o zagueiro (e volante) Cuca. Aos 32 anos, ele disputará seu terceiro campeonato da Série A. ?Atuei pelo Coritiba, em 1996/97. Depois passei por vários clubes paranaenses e paulistas. Voltar a Curitiba para jogar numa equipe como o Paraná é uma realização profissional?, revelou o jogador. Cuca, volante de origem, foi deslocado para a função de líbero pelo, então, técnico Caio Júnior – hoje comentarista da rádio Banda B – na equipe do Cianorte. ?Fui bem, tanto que este ano, no Galo Maringá, joguei apenas como líbero?, lembrou o jogador.

Os dois reforços já iniciaram o período de testes físicos, assim como o meia-atacante Joelson, que espera para os próximos dias uma definição da Justiça. ?Meus advogados acreditam que até sexta-feira tudo estará resolvido?, afirmou. O meia mantém a forma física no clube, mas já teria definido bases salariais, esperando apenas o fim do imbróglio judicial para assinar seu contrato. A intenção dos dirigentes é não apenas reforçar o elenco, mas garantir uma sustentação financeira futura. ?Estamos adquirindo percentuais e mantendo um vínculo mais longo com esses jogadores?, disse José Domingos. O clube espera fechar nos próximos dias com o lateral Émerson (São Bento) e o atacante Leandrinho (Noroeste). Outros nomes são mantidos em sigilo.

Neguete e Muçamba perto de renovar

As conversações estão em andamento, mas a diretoria dá como certa as renovações dos contratos de Neguete e Rafael Muçamba para a disputa do Brasileiro. ?Os primeiros contatos foram muito bons. Acho que não haverá problemas. Nossa intenção é que ambos fiquem, para que não tenhamos que reorganizar uma base?, disse o vice de futebol José Domingos.

Neguete e Muçamba têm contrato somente até o fim do mês. ?A questão do Neguete será definida nesta quinta-feira, quando seu procurador estará em Curitiba?, disse Durval Ribeiro. Além da dupla de titulares, o Paraná ainda terá que negociar com o técnico Luiz Carlos Barbieri, cujo compromisso termina no próximo domingo. ?O próprio treinador preferiu só conversar após a final, para não perder o foco?, explicou José Domingos.

O presidente José Carlos de Miranda, que sempre dá a palavra final em questões envolvendo o comando técnico, disse que a permanência de Barbieri é uma prioridade. ?Não haverá problema não. Já conversamos há tempos e ele deve continuar?, afirmou Miranda. No próximo domingo, Barbieri deve entrar para o seleto grupo de treinadores campeões paranaenses com o Tricolor, formado por Otacílio Gonçalves, Rubens Minelli, Levir Culpi e Antônio Lopes.

O treinador, com a conquista, fecha o estadual em alta e com um bom aproveitamento. Mesmo com oscilações no ano passado e no início da temporada, Barbieri dirigiu o Paraná em sua melhor campanha em um Nacional até aqui (o 7.º lugar valeu vaga na Copa Sul-Americana) e em 2006 está levando o Tricolor ao título que não conquistava desde 1997.

Recuperação moral da Adap

Carlos Simon

Nada de chute a gol, jogada ensaiada, cruzamento ou bola parada. A ?cabeça? é o fundamento a ser treinado pela Adap na semana que antecede a finalíssima do Campeonato Paranaense.

O técnico Gilberto Pereira disse que, por enquanto, não se preocupa com a escalação da equipe para o segundo jogo contra o Paraná Clube, domingo, no Pinheirão. ?Só vou fazer coletivo na sexta-feira. A hora agora é de recuperar moralmente a equipe?, afirmou.

Para tentar motivar o time, naturalmente abatido pela derrota por 3 x 0 em Maringá, Gilberto usa como incentivo a idéia da ?última imagem?. ?Ganhando o jogo, por qualquer placar, a repercussão é diferente, até na imprensa da Capital. Futebol se faz de momento. Vamos mostrar que não somos um time que se abate como um passarinho?, disse o treinador.

A Adap, que voltou ontem aos treinos, chega amanhã à noite em Curitiba. O supervisor Luiz Chanceller contou que o clube pretendia viajar na quarta-feira – assim como fizera antes dos jogos decisivos diante de Atlético e Coritiba -, mas não encontrou vagas em hotéis. O time deve treinar novamente no campo da empresa Ethisports, em Quatro Barras.