Já em ritmo de férias o Paraná Clube faz hoje sua última partida em uma temporada marcada pelo "sufoco". O clima do grupo nesta despedida contrasta com o que foi a campanha do Tricolor em todo o Brasileirão. Afinal, foram 20 rodadas na zona de rebaixamento – três delas na lanterna da competição. A redenção antecipada dissipou a pressão e agora o técnico Paulo Campos, que tirou o clube do fundo do poço, se dá ao luxo de poupar atletas e arma quase que um time misto.

Oportunidade para o goleiro Darci, o curinga Goiano e o atacante Maranhão mostrarem um pouco de suas qualidades visando a temporada 2005. No início da semana, o técnico decidiu antecipar as férias de Flávio, Beto e Galvão. O mesmo procedimento só não foi adotado com Axel porque o lateral Etto acabou vetado pelo departamento médico e a comissão técnica não teve como abrir mão do "capitão". Outro que não enfrenta o Inter – às 16h, no Beira-Rio – é o zagueiro Fernando Lombardi, também lesionado.

Mesmo afirmando que a meta é terminar o ano com vitória, o resultado do jogo pouca – ou nenhuma – influência terá no futuro do clube, que já tenta reorganizar o elenco e sabe que perderá alguns titulares (como Galvão, Cristian e Canindé, alvos de cobiça de outras equipes). O treinador decidiu improvisar Goiano na ala-direita e confirmou Maranhão no ataque. Há tempos o atacante não é utilizado e espera terminar o ano balançando as redes. Foram apenas três gols na temporada e um deles ainda foi creditado a Fernando Lombardi.

Mudanças no time, novidades no banco. O goleiro reserva, hoje, é o garoto Júlio César, da equipe de juniores. Nada de mais, não fosse ele irmão de Darci. "Vai ser legal, pois pela primeira vez ficarei no banco do time principal. E logo no brasileiro", disse Júlio César. Sua presença poderá ser mais constante em 2005. O Paraná ainda negocia a renovação do contrato de Flávio e Darci já manifestou desejo de sair, mesmo que por empréstimo, caso o Pantera permaneça. "Temos um ótimo relacionamento, mas eu preciso jogar. Não posso ficar eternamente na suplência", afirmou.

A outra novidade no banco é o atacante Wellington Paulista. Sua contratação foi muito comemorada pela diretoria, no início do brasileiro. Mas, ele pouco atuou e depois teve que passar por uma cirurgia de púbis. Recuperado, quer terminar o ano jogando, numa prévia daquilo que espera para 2005. "Não vejo a hora de jogar", assegurou Wellington.

Títulos e deslizes na busca por identidade

De uma infância brilhante a uma adolescência conturbada. Assim se resume a história do Paraná Clube, que hoje comemora o seu 15.º aniversário. No caminho para a maioridade, tenta driblar a crise financeira que aflige a grande maioria dos clubes sociais do País para fazer valer o slogan usado no momento de sua fundação, no dia 19 de dezembro de 1989: "o clube do ano 2000".

A proposta visionária de dirigentes colorados e pinheirenses na prática ainda não se consolidou. Talvez reflexo do sucesso precoce. Talvez pelo ostracismo das gestões mais recentes. Ou pelo simples fato de que para se fazer futebol é preciso dinheiro… muito dinheiro. O Paraná Clube é formado, na sua grande maioria, por pessoas modestas e pequenos empresários. A par disso, ficou à margem do processo ao ser relegado pelo Clube dos 13 e sem fontes expressivas de arrecadação.

Mas, não foi sempre assim. Logo no seu primeiro ano de existência, chegou à terceira colocação do campeonato paranaense. De quebra, subiu para a segunda divisão nacional. O projeto de um crescimento gradativo cairia por terra já na segunda temporada. Num estadual disputado por pontos corridos e sob a batuta do "mestre" Otacílio Gonçalves, o Paraná Clube comemorava seu primeiro título.

Primeiro de uma série que daria ao clube a hegemonia do Estado na década passada. Mesmo tendo perdido o campeonato de 92 – onde era o franco favorito. O tropeço foi como uma "ressaca" após a principal conquista nacional do Tricolor: o título da Série B de 1992, com um time que marcou época e que até hoje é referência junto à sua torcida. Para quem pretendia ser, em dez anos, uma das forças do Brasil, o Paraná já no seu terceiro ano de vida chegava à elite nacional. O sucesso gerou uma inexplicável timidez. Tornou-se um mero participante da primeira divisão, sem nunca ter se estruturado para uma conquista realmente expressiva.

Nos anos seguintes, contentou-se com o sucesso em seu território. E aí, não teve prá ninguém. Foram cinco títulos em seqüência. Um inédito pentacampeonato que não deixou dúvidas sobre quem dava as cartas no futebol paranaense. Mas, se uma conquista tem seu preço, o Paraná pagou caro. Veio o período de "vacas magras" e nos anos seguintes teve início um processo de deterioração de sua estrutura. O clube precisou se desfazer de parte de seu patrimônio (vendeu a sub-sede Guabirotuba), montou equipes de nível técnico duvidoso e até hoje não mais superou a dupla Atletiba na disputa do estadual.

Viveu, nos últimos sete anos, de alguns lampejos, como no vice-campeonato estadual de 99 e no vice da Copa Sul-Brasileira do mesmo ano. Ou até mesmo na conquista do Módulo Amarelo da Copa João Havelange, em 2000. Recentemente, esteve ameaçado de rebaixamento no fraco campeonato paranaense e por duas vezes "passou raspando" no brasileiro. Superadas as dificuldades, hoje é dia de comemorar. Afinal, são 15 anos de alegrias e tristezas, sempre com fortes emoções, que é o que torna o futebol realmente o esporte do povo. Vida longa ao Tricolor! (IC)

CAMPEONATO BRASILEIRO
46ª RODADA
INTERNACIONAL x PARANÁ CLUBE

INTERNACIONAL: André; Wilson, Vinícius e Sangaletti; Cleiton Xavier, Edinho, Gavilán, Rafael Sobis e Chiquinho; Rodrigo Paulista e Diego. Técnico: Muricy Ramalho.

PARANÁ: Darci; Goiano, João Paulo, Émerson e Vicente; Axel, Messias, Cristian e Canindé; Marcel e Maranhão. Técnico: Paulo Campos.

SÚMULA
Local
: Beira-Rio (Porto Alegre).
Horário: 16h.
Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho (FIFA-SP).
Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Adriano Augusto Lucas (SP).