Para o Paraná, amanhã é dia de desafio pela Copa do Brasil. Para garantir um lugar na segunda fase, o time precisa de uma vitória sobre o Trem, do Amapá. Adversário que é desconhecido pela torcida, mas que tem bastante coisa em comum com o Tricolor.
Apito de trem não é coisa nova na Vila Capanema. Pelo contrário. Em terreno que pertencia à Rede Ferroviária Federal, o estádio paranista foi construído para ser a casa do Clube Atlético Ferroviário, o tradicional Boca Negra, integrante original do Trio de Ferro da capital.
A Vila não foi o único legado do Boca ao Paraná Clube. O Ferroviário foi o mais vitorioso dos antepassados do Tricolor, com oito títulos estaduais no currículo. Mesmo 37 anos depois de extinto, ainda é lembrado por uma legião de adeptos, que hoje torcem pelo Paraná, mas continuam bocas-negras de coração.
Um deles conhece bem o adversário tricolor na Copa do Brasil. O escritor, publicitário e ex-presidente paranista Ernani Buchmann conta a história do time amapaense no livro Quando o Futebol Andava de Trem, uma memória dos times ferroviários brasileiros.
Apesar do nome, o Trem não é um legítimo ferroviário. Enquanto o Boca nasceu dentro das estações, criado por funcionários da estrada de ferro, o time de Macapá teve na ferrovia não seu berço, mas uma inspiração.
Em 1947, trem era coisa nova no Amapá. Para ligar a cidade a uma mina de manganês descoberta na Serra do Navio, os primeiros trilhos estavam sendo instalados. ?No primeiro dia do ano, alguns esportistas, cientes do progresso que viria com a ferrovia, resolveram que o crescimento esportivo deveria vir com um novo clube. Assim, fundaram o Trem Esportivo Clube?, conta Buchmann em seu livro. ?É o único clube do Brasil com esse nome?, afirma.
Em sessenta anos, o Trem teve altos e baixos e esteve perto da extinção. Campeão amapaense em 1952 e 1984, esteve fora de atividade no final dos anos 1990. Atualmente, vive uma fase de recuperação e é o atual detentor do título estadual. Já o Ferroviário saiu de cena em 1971.
O Boca se fundiu com Britânia e Palestra Itália e deu origem ao Colorado, que em 1989 se juntaria ao Pinheiros, para formar o Paraná Clube.
Em campo
Se a história do Trem já é manjada pelos paranistas, os segredos da equipe do Amapá também foram desvendados. ?Para nós o Trem não é desconhecido?, garante o técnico Paulo Bonamigo.
Após o empate em 0 a 0 no primeiro jogo, no último dia 13, em Macapá, Bonamigo sabe o que esperar. ?Eles devem atuar mais ou menos como o Real Brasil, buscando os contra-ataques?, diz o técnico, fazendo a comparação com o último adversário do Paraná.
Para o jogo de amanhã, Bonamigo tem quatro desfalques. O zagueiro Luís Henrique e o volante Jumar foram expulsos no jogo de ida e estão suspensos. O lateral-direito André Luís e o meia Everton saíram contundidos da partida do último domingo e estão vetados pelo departamento médico.
Na zaga, Nem, Leonardo Dagostini e Daniel Cruz são as opções. Araújo deve ganhar uma nova chance na lateral. No meio, Goiano deve voltar e Bruno Iotti pode começar jogando. Joelson e Massaro são os favoritos para formar novamente a dupla de ataque.
Futebol e trem, duas paixões
O Brasil não seria o país do futebol sem as estradas de ferro. A bordo de vagões e locomotivas, a bola chegou a todos os cantos do País e centenas de times foram se formando ao longo dos trilhos.
Fundados por trabalhadores das estações e estradas de ferro, muitos desses clubes chegaram ao profissionalismo, conquistando títulos e torcedores de todas as classes sociais. Histórias registradas por Ernani Buchmann em Quando o Futebol Andava de Trem.
Amanhã, dois personagens desse livro estarão frente a frente na Vila Capanema: o Trem Desportivo Clube, do Amapá, e o Paraná Clube, herdeiro do Clube Atlético Ferroviário. Amante do futebol, do apito da locomotiva e do Tricolor, Buchmann estará lá para conferir.
Tribuna – Deu muito trabalho escrever a história de tantos times de origem ferroviária?
Buchmann – Não foi fácil. Foram dois anos de pesquisa. Tive a ajuda de muita gente, como jornalistas do interior e o pessoal da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, que tem filiais em todo o País.
Tribuna – Como você descobriu esse Trem lá no Amapá?
Buchmann – Graças a essa pesquisa. O Trem do Amapá é um clube que surgiu quando começou a exploração do manganês no estado. Trem era coisa nova naquela região e resolveram fazer o time com esse nome, que é único no Brasil.
Tribuna – Amanhã a expectativa é de um jogo fácil. Afinal, de trem o Paraná entende…
Buchmann – Todo mundo vai estar em casa. Tomara que eles não se sintam a vontade demais. Mas acho que eles irão pegar um vagão e voltar lá para o Amapá desclassificados.
Paredão – O Conselho Deliberativo do Paraná vai se reunir hoje à noite para decidir o futuro do ex-presidente José Carlos de Miranda no clube. Ele é acusado de receber valores ?por fora? em negociações de jogadores do Tricolor. A decisão do conselho pode ir da absolvição até a expulsão de Miranda do clube. A reunião é fechada e só conselheiros podem participar.
Segredo – O Paraná irá apresentar esta tarde o seu novo patrocinador master.
O clube guarda em sigilo a marca que vai estampar seu nome na camisa tricolor nos próximos dois anos. Por enquanto, sabe-se apenas que é uma empresa paranaense, que também tem o vermelho, azul e branco como cores. O evento está marcado para as 14h30, na sede da avenida Presidente Kennedy.


