Foto: Valquir Aureliano
Alex entra na lateral direita no lugar do suspenso Léo Matos.

O Paraná Clube busca hoje, em Minas Gerais – às 20h30, no Mineirão -, um resultado que o mantenha vivo na luta contra o rebaixamento. Diante do Atlético Mineiro, Saulo de Freitas e companhia tentam ainda pôr fim ao incômodo jejum fora de casa. Já são mais de 100 dias sem conquistar um ponto sequer longe da Vila Capanema. Neste período, foram dez derrotas, no pior retrospecto do clube em todos os tempos.

Na condição de visitante, os antecessores de Saulo de Freitas passaram ?em branco?. Gilson Kleina colecionou quatro derrotas em terreno inimigo. Lori Sandri superou essa marca, chegando a cinco insucessos consecutivos. Ambos foram dispensados após derrotas fora de casa. ?Temos que mudar esse panorama para nos mantermos na Série A. E se começar já em Belo Horizonte, ótimo?, disse Saulo, que no seu primeiro jogo longe da torcida foi superado pelo Palmeiras.

?Perdemos, mas fazendo um bom primeiro tempo. Agora, vejo o time ainda mais confiante?, comentou o treinador, animado com a possibilidade de emplacar uma seqüência de duas vitórias, outro fato raro na deficiente campanha tricolor. Após 33 rodadas, o Paraná conseguiu apenas duas seqüências de resultados positivos. Uma delas logo na largada do campeonato, quando empolgou sua torcida com três vitórias (Grêmio, Juventude e Cruzeiro). A outra, na transição de Pintado para Kleina, quando o Tricolor venceu dois jogos seguidos (Flamengo e Palmeiras).

?É muito pouco. Mas é passado. O campeonato começou para nós no último domingo?, sentenciou Saulo de Freitas. ?Aquele gol do Josiel não tirou uma macaca dos nossos ombros. Tirou um piano?, admitiu o treinador. A pressão ainda existe, mas o treinador acredita num time mais confiante a partir dessa rodada, com a auto-estima elevada. ?Gostei do time depois que fizemos o gol e acho que dá para manter o mesmo nível, independente da qualidade do adversário e do fato de termos pela frente um estádio lotado.?

Saulo confirmou apenas duas alterações para o jogo desta noite. Alex entra na lateral direita, em substituição ao suspenso Léo Matos. No meio-de-campo, o treinador decidiu não esperar o julgamento de Batista e definiu a presença de Adriano no setor, aumentando, na teoria, o poder de marcação do time. ?O Adriano e o Jumar têm uma saída de bola qualificada. Nos últimos jogos, o Jumar tem finalizado mais que os nossos atacantes?, explicou Saulo, garantindo assim que o Paraná não será um time retranqueiro. ?Precisamos da vitória. Vamos atacar, mas com inteligência?, finalizou o Tigre.

BRASILEIRO

34ª RODADA

ATLÉTICO-MG x PARANÁ CLUBE

ATLÉTICO-MG

Juninho; Coelho, Marcos, Vinícius e Thiago Feltri; Xaves, Bilu, Gérson e Marcinho; Marinho e Vanderlei.

Técnico: Émerson Leão.

PARANÁ

Gabriel; Alex, Nem, Neguete e Paulo Rodrigues; Goiano, Jumar, Adriano e Robson; Vandinho e Josiel.

Técnico: Saulo de Freitas.

SÚMULA

Local: Mineirão (Belo Horizonte).

Horário: 20h30.

Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (Fifa-SP).

Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues (Fifa-RJ) e Émerson Augusto de Carvalho (SP).

STJD livra Paraná da perda de 78 pontos. Mas briga ainda não acabou

Foto: Valquir Aureliano

Batista: pivô do inquérito contra o Tricolor, volante chorou ao saber da absolvição. Sobrou só para o professor Miranda e ex-superintendente da FPF.

Acostumado a emoções fortes e a 90 minutos de tensão neste Campeonato Brasileiro, o torcedor do Paraná Clube viveu ontem à noite nova experiência. Nem por isso menos traumática. Foram cinco horas de julgamento no Rio de Janeiro, até que a 2.ª Comissão Disciplinar do STJD absolveu o clube por unanimidade das acusações de irregularidades na utilização do volante Batista. O jogador também foi absolvido e está à disposição do técnico Saulo de Freitas para a seqüência da temporada.

Não foi uma vitória tranqüila. Muito pelo contrário. Com poucas provas utilizáveis em mãos, o advogado Domingos Moro se valeu do depoimento dos envolvidos, naquilo que era visto como uma ?triangulação? para ?roubar? o atleta Batista da Adap. Os auditores ?endureceram o jogo? e inquiriram de forma intensa as testemunhas apresentadas pelo advogado tricolor. Em especial o supervisor paranista Paulo da Silveira, que encaminhou a documentação de Batista à Federação Paranaense de Futebol.

O clima do julgamento foi tenso, mas as explanações dos advogados acabaram derrubando a ?teoria da conspiração? que o inquérito apresentava. Com um relato minucioso de todos os fatos, Domingos Moro conseguiu mostrar aos auditores a cronologia do caso, comprovando que não houve dolo – no máximo trâmite equivocado de documentos – e, principalmente, que a situação de Batista no campeonato é rigorosamente legal.

Assim, Batista foi o primeiro a receber a absolvição, não conseguindo conter as lágrimas. Logo depois, foi a vez do Paraná, que recebeu o mesmo tratamento. Após o voto do relator Fabrício Dazzi, o clube foi absolvido do artigo 214 do CBJD, que expunha o clube à perda de até 78 pontos. Só terá que desembolsar R$ 1 mil. O presidente do Avaí, João Zunino, e o responsável pelos registros da CBF, Luiz Gustavo de Castro, também foram absolvidos.

Mesma sorte não se estendeu ao presidente afastado do Paraná, José Carlos de Miranda, e ao ex-superintendente da FPF, Laércio Polanski. Pelo contrato irregular de Batista, enviado à CBF em março – e posteriormente rescindido por ação judicial – os dois foram punidos. Miranda levou 180 dias e Polanski, 210 dias. Para o torcedor tricolor, nada relevante. O importante mesmo é que o Paraná segue vivo no Brasileiro e na luta contra a degola. O caso ainda pode ser encaminhado ao pleno do STJD, mas essa é outra briga.