O impasse irá persistir por mais alguns dias. Somente após a posse da nova diretoria, nesta quarta-feira, é que as negociações quanto à formação do elenco para 2010 tomarão rumos definitivos.

Na prática, o Paraná Clube fechou a temporada num clima de pura incerteza. Nem mesmo a comissão técnica está formada. Os dois lados chegaram a afirmar que a renovação iria ocorrer sem traumas, mas a prática mostra o contrário.

O presidente eleito Aquilino Romani está cético quanto ao assunto. “Fizemos uma nova proposta. É o nosso limite”, disse o dirigente. Roberto Cavalo desconversou logo após a última partida do Tricolor na Série B quando o assunto foi renovação.

Negou, porém, que tivesse feito uma proposta “abusiva” para seguir no clube. Pelos comentários nos bastidores, situação não confirmada por técnico ou dirigentes, a distância entre pedida e oferta estaria na casa dos R$ 15 mil.

“Vamos começar um novo ano, um novo trabalho, mas com os pés no chão”, avisou Romani. Uma política que ao que tudo indica seguirá a mesma diretriz dos últimos anos: investimentos compatíveis com o baixo orçamento do clube.

Mas, é possível gastar pouco e sonhar com uma temporada vitoriosa (leia-se volta à primeira divisão)? Esta pergunta deve estar martelando a cabeça do sofrido torcedor paranista, que desde 2007 tem pouquíssimos motivos para sorrir.

Depois de viver o céu na disputa de uma inédita Copa Libertadores da América, o clube passou pelo purgatório ao longo do Brasileiro e foi para o inferno ao ser rebaixado para a Série B.

Pior do que isso, nos dois últimos anos, passou longe do acesso e esteve flertando até com a Terceirona. O Tricolor, um dos times mais regulares na Série A, na era dos pontos corridos, dá sinais de que “se acostumou” com a segunda divisão.

A guinada estrutural que poderia tirar o Paraná da mesmice veio na forma da união dos “cardeais” para o pleito eleitoral realizado no início do mês. Mas, a oposição deu lugar à composição.

Propostas de campanha como a chegada de recursos exclusivos para o futebol através do departamento de marketing não saíram até agora do papel. A ameaça de greve por atrasos salariais deixou uma mácula na imagem do clube, que mesmo só tendo um jogo oficial dentro de um mês e meio já trabalha contra o calendário.

Internamente, o clube sabe que se não agilizar negociações para contratações e renovações de forma imediata, viverá sob o risco de perder as primeiras opções. Uma história com a qual os paranistas estão bem familiarizados.