Allan Costa Pinto
Joelson mais uma vez foi o herói paranista e marcou o gol da vitória.

O Paraná, novamente, fez história na Baixada. Na noite de ontem, o Tricolor venceu por 1 a 0, quebrou a invencibilidade do Furacão em seu estádio, que perdurava desde agosto de 2007 -, e assumiu a liderança isolada do Grupo A, com seis pontos. De quebra, deixou o rival rubro-negro numa situação delicadíssima, em último lugar, sem nenhum pontinho e precisando vencer os demais jogos da fase para chegar à semifinal. Mais uma vez, o Atlético saiu vaiado e seus dirigentes xingados. Com a derrota, o Furacão, que ontem não passou de uma leve brisa, acumulou seu terceiro resultado negativo – somando o Paranaense e a desclassificação na Copa do Brasil – e precisa voltar a jogar futebol para que não amargue mais uma eliminação precoce.

Pela escalação dos dois times dava pra esperar um jogo muito movimentado. E foi o que se viu. Jogando com apenas um volante e dois meias de armação, o Rubro-Negro foi pra cima e encurralou o Paraná. Logo aos cinco minutos, Netinho acertou o travessão, numa cobrança de falta. Três minutos depois, Antônio Carlos marcou de cabeça, mas o bandeirinha assinalou impedimento. A pressão continuou até os 15?, quando o Paraná começou a se armar melhor e a neutralizar as jogadas do rival. Além disso, o lado esquerdo com Éverton, Cristian e Joelson passou a trabalhar a todo vapor. E aos 26 minutos, após uma confusão com Cristian – que encenou ter sido atingido por uma pedra e caiu na área de escanteio, o Tricolor chegou ao gol. Cruzamento da esquerda e Joelson cabeceou forte. A bola bateu na zaga e enganou Vinícius. Com a vantagem, o Paraná ganhou tranqüilidade e passou a explorar o nervosismo do adversário. Também usou do artifício de cometer faltas para parar o jogo. E nas faltas, o Atlético tentou empatar, mas sem sucesso.

Veio o segundo tempo e o jogo permaneceu o mesmo. O Atlético com mais posse de bola, mas sem levar perigo ao gol de Fabiano Heves. Insistia nas ligações diretas da defesa para o ataque e, assim, facilitava o trabalho do sistema defensivo tricolor. O Paraná, por sua vez, se defendia muito bem e deixava o tempo passar. Com a aproximação do final do jogo, o Rubro-Negro se lançou completamente em busca do empate, mas o Paraná soube como se portar e levou perigo nos contra-ataques.

Campeonato Paranaense

2ª rodada – 2ª Fase

Atlético 0 x 1 Paraná

Local: Estádio Joaquim Américo, Arena da Baixada, em Curitiba

Atlético: Vinícius; Rhodolfo, Antônio Carlos e Danilo; Nei ( Choco aos 28 do 2º ), Valencia, Netinho, Irênio (Pedro Oldoni aos 39? do 2º) e Piauí; Willian e Marcelo Ramos. Técnico Ney franco

Paraná: Fabiano Heves; Daniel Marques, Nem e Luiz Henrique; Araújo, Leo, Jumar, Giuliano, Cristian (Wellington aos 30 do 2º)e Everton (Fabio Luís aos 36 do 2º); Joelson (Beto aos 47 do 2º). Técnico Paulo Bonamigo

Árbitro: Maurício Batista dos Santos

Auxiliares: Gilson Bento Coutinho e Ivan Carlos Bohn

Gols: Joelson (P) 26? do 1º tempo

Cartões amarelos: Nem , Cristian, Luiz Henrique, Giuliano (P)

Público pagante: 13.508

Público total: 14.770

Renda: R$ 260.767,00

Apesar da vitória, Paraná mantém a humildade

Cahuê Miranda

Walter Alves
Jogadores comemoraram muito a vitória, mas sabem que ainda têm muito pela frente.

O Paraná assumiu liderança isolada do Grupo A e está perto de uma vaga nas semifinais, mas não perdeu a humildade. A vitória sobre o Atlético foi motivo de muita comemoração no vestiário, mas o time já se preocupa em conter a euforia e sabe que ainda terá trabalho para confirmar a classificação.

Para Jumar, esse pensamento foi um dos diferenciais para o time sair da Arena com os três pontos. ?Todo mundo se aplicou e esteve atento nos detalhes, que é onde se ganha os clássicos. Tivemos erros, mas superamos com dedicação e muita raça. Mas é apenas o segundo jogo. Temos que continuar com os pés no chão para chegar mais longe?, destacou o volante, que foi um dos destaques do Tricolor.

O técnico Paulo Bonamigo também viu na aplicação tática a maior qualidade do Paraná. ?Esse grupo tem alma. A participação efetiva de todos na marcação está sendo decisiva. A equipe foi quase perfeita do meio para trás e não se acovardou. Marcou e soube sair jogando?, elogiou.

O treinador paranista sabe, no entanto, que só mantendo a mesma pegada o time terá força para brigar pelo título. ?Temos que comemorar muito essa vitória, mas manter os pés no chão. O campeonato está começando agora e outras equipes também estão crescendo?, alertou.

Mas a impressão que ficou para todo o grupo e para a torcida é que o Tricolor está mesmo no caminho certo. ?Seriedade, raça e determinação não estão faltando. Ainda não ganhamos nada, mas com essa pegada vamos chegar lá?, acredita o zagueiro Daniel Marques.

O próximo compromisso do time da Vila no estadual é no próximo domingo, contra o Engenheiro Beltrão, no interior. Se vencer e o Atlético derrotar o Iraty, o Paraná garante a vaga nas semifinais.

Antes disso, porém, o Tricolor encara mais um desafio pela Copa do Brasil. Quarta-feira, na Vila Capanema, o time faz o primeiro duelo da segunda fase contra o Vitória-BA. ?Será um teste difícil, contra uma equipe muito bem treinada pelo Vadão. Quero pedir mais uma vez a ajuda da torcida, pois esse time está merecendo ver a Vila lotada?, convoca Bonamigo.

Sem nenhum ponto, Atlético tem que vencer de qualquer jeito

Cleweson Bregenski

Walter Alves
Próximo desafio do Furacão é o Iraty, fora de casa.

Dois jogos, duas derrotas e último colocado no Grupo A. Com esse péssimo retrospecto, o Atlético ainda não sabe o que é pontuar na segunda fase do Paranaense e corre o risco de ver a belíssima campanha realizada na etapa inicial ir por água abaixo, com uma eliminação prematura do Estadual. Para o Furacão continuar sonhando com o título paranaense, tem que vencer seus próximos quatro jogos para depender apenas de suas próprias forças.

O próximo desafio é contra o perigoso Iraty, lá nos Campos Gerais, e apenas um triunfo pode amenizar a situação quase desesperadora. ?Nossa única opção é conquistar os três pontos para entrar definitivamente na briga pela classificação?, afirmou Ney Franco. Para o treinador, o clássico diante do Paraná foi decidido no detalhe, numa desatenção do sistema defensivo rubro-negro.

Segundo ele, o Atlético fez um bom primeiro tempo, com boas chegadas, e errou apenas no momento do gol. ?As peças funcionaram. No segundo tempo, o Paraná se portou muito bem defensivamente e tentamos de todas as maneiras – toque de bola, ligação direta – mas chegamos muito pouco ao gol adversário. As substituições não surtiram efeito para penetrar no bloqueio do Paraná?, explicou.

Para o decorrer da competição o treinador espera uma melhora no rendimento da equipe, principalmente agora com essa nova forma de jogar. Franco disse que a equipe evoluiu em relação aos últimos jogos e considera que fez uma boa apresentação contra o Tricolor. ?Acho que se jogarmos nesse padrão e ainda pra cima, temos condições de vencer os próximos jogos, até mesmo o Paraná dentro da casa deles. Temos equipe para lutar pelo título e vamos atrás desse objetivo?, concluiu.

Reforços

Sobre a contratação de reforços, o treinador disse que a diretoria está trabalhando, mas há outros campeonatos transcorrendo no mesmo período que o Paranaense. Por isso há dificuldades em trazer jogadores. ?Os atletas que vêm para o Atlético estão disputando outros campeonatos e não têm como vir agora. Nosso grupo para o Paranaense é composto por esses jogadores que aí estão?, afirmou. Porém Franco deixou no ar a possibilidade de chegada de algum reforço vindo do exterior. ?De repente pode aparecer uma novidade, algum jogador que esteja fora do País?, concluiu.