O Paraguai está novamente fora de uma Copa do Mundo. E a segunda eliminação consecutiva veio de maneira amarga, sacramentando a derrocada de uma seleção que ocupou o protagonismo do futebol sul-americano durante mais de uma década. Nesta terça-feira, jogando no Defensores del Chaco pela última rodada das Eliminatórias do Mundial da Rússia, em 2018, a equipe precisava de uma vitória contra a lanterna Venezuela para se garantir na repescagem. Não conseguiu. Diante de um time frágil, apelou para os cruzamentos, pouco criou e perdeu por um doloroso 1 a 0.

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O resultado desta terça-feira manteve o Paraguai na sétima colocação das Eliminatórias com 24 pontos. Assim, não conseguiu sequer a vaga na repescagem para enfrentar a Nova Zelândia. Já a Venezuela encerrou na lanterna com 12 pontos – e nenhuma derrota nas últimas quatro partidas.

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Diante da histórica frustração em Assunção, a seleção paraguaia perdeu a oportunidade de disputar o seu nono Mundial – jogou antes em 1930, 1950, 1958, 1986, 1998, 2002, 2006 e 2010. Confirmou, ainda, que precisará de uma reformulação completa para retomar seu patamar de certa grandeza no futebol mundial.

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Depois de viver seu grande momento na Copa de 2010, quando foi derrotado nas quartas para a futura campeã Espanha, com um gol sofrido já no fim da partida, o Paraguai viu a renovação não render o resultado esperado. Seu desempenho, então, caiu drasticamente nos anos posteriores e a seleção não se classificou ao Mundial do Brasil, em 2014.

A campanha também não era das melhores à Copa da Rússia quando Francisco Arce, ex-jogador do Palmeiras e da seleção paraguaia, assumiu como técnico em agosto de 2016. O desempenho seguiu irregular e a classificação parecia distante após a goleada sofrida para o Peru, em casa, por 4 a 1, na 11ª rodada, e o empate com a Bolívia no jogo seguinte.

Mas resultados inesperados como a vitória sobre o Chile por 3 a 0, em Santiago, e o triunfo sobre a Colômbia na última rodada por 2 a 1, quando perdia por 1 a 0 até os 43 minutos do segundo tempo, colocaram novamente o Paraguai na briga. Faltava o último obstáculo: não ser surpreendido, agora contra a Venezuela, e torcer por uma combinação de resultados. Ela até veio e o colocaria na repescagem se ganhasse. Mas o time errou muito e foi eliminado.

O JOGO – Com inúmeras mudanças entre os titulares, mas com o corintiano Ángel Romero mantido no time, o Paraguai entrou em campo precisando da vitória para se manter com chances. Já a seleção visitante apostava em sua grande revelação para se despedir com um mínimo de honra: Wuilker Fariñez, o jovem goleiro de 19 anos que foi vice-campeão com a Venezuela no último Mundial Sub-20.

E o Paraguai iniciou pressionando, sem deixar o adversário tocar a bola e forçando o jogo pelas laterais. Faltava, porém, efetividade nos cruzamentos – um fundamento plenamente dominado pelo ex-lateral Arce. E, assim, os paraguaios sofriam e Fariñez apenas observava o duelo sem muitas preocupações.

Apenas aos 23 minutos, em finalização rasteira de Rojas, sem qualquer perigo, o goleiro fez a sua primeira defesa. Sanabria ainda teve chance após cruzamento rasteiro de Domínguez. Mas, após bate-rebate na pequena área, a zaga afastou antes que o atacante completasse.

Era jogo de um time só. E era sempre em cruzamentos que o Paraguai chegava. Sem muito perigo, de cabeça, a equipe ainda tentou abrir o placar no primeiro tempo. E a apreensão da torcida – além de um desconfiado silêncio – tomou conta do Defensores del Chaco na etapa final. A segunda eliminação consecutiva que sacramentaria o declínio da seleção parecia ficar mais próxima a cada levantamento errado. E eles davam a tônica do duelo.

Bareiro, Samudio e o experiente atacante Óscar Cardozo, titular naquela derrota para a Espanha em 2010, foram a campo. Mas a atuação seguia inalterada. Desorganizado e exposto o Paraguai ainda viu a Venezuela melhorar e chegar com perigo nos contra-ataques. A desclassificação parecia anunciada.

E o doloroso castigo veio aos 38 minutos, quando Yangel Herrera aproveitou grande jogada de Otero, do Atlético-MG, e garantiu o triunfo venezuelano. Um gol que não apenas assegurava a eliminação, como resumia perfeitamente a derrocada do futebol paraguaio.

FICHA TÉCNICA

PARAGUAI 0 x 1 VENEZUELA

PARAGUAI – Antony Silva; Jorge Moreira, Paulo da Silva (Samudio), Gustavo Gómez e Júnior Alonso; Robert Piris, Rodrigo Rojas, Óscar Romero e Cecilio Domínguez (Bareiro); Sanabria (Óscar Cardozo) e Ángel Romero. Técnico: Francisco Arce.

VENEZUELA – Fariñez; Ronald Hernández, Chancellor, Wilker Ángel e Quijada; Tomás Rincón, Yangel Herrera, Córdova (Soteldo) e Jhon Murillo (Junior Moreno); Rondón e Josef Martínez (Otero). Técnico: Rafael Dudamel.

GOL – Yangel Herrera, aos 38 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Júnior Alonso, Rodrigo Rojas e Óscar Cardozo (Paraguai); Josef Martínez, Yangel Herrera, Otero e Fariñez (Venezuela).

CARTÕES VERMELHOS – Gustavo Gómez (Paraguai); Wilker Ángel (Venezuela).

ÁRBITRO – Wilton Pereira Sampaio (Fifa/Brasil).

RENDA E PÚBLICO – Não disponíveis.

LOCAL – Estádio Defensores del Chaco, em Assunção (Paraguai).