Jackson pode ser ala.

“Mas ninguém vai me perguntar do Jackson?” Quando fala na formação do Coritiba para o clássico de sábado, às 18h, no Couto Pereira, o técnico Paulo Bonamigo espera ser inquirido sobre o armador, que jogou improvisado na ala-direita. Essa insistência de Bonamigo tem duas razões: primeiro, ele quer dizer que o jogador esteve bem na função contra o Goiás; segundo, e mais importante, o técnico deixa aberta a possibilidade de mantê-lo no mesmo lugar no Atletiba.

Como muitos não viram a vitória alviverde sobre o Goiás, Bonamigo se encarrega de contar o que aconteceu. “Eles tinham um lateral-esquerdo que não apoiava. Por isso eu coloquei o Jackson por ali, eu sabia que poderia ter um apoio mais qualificado pela direita. Quando o Cuca colocou o Araújo nas costas dele, me preocupei. Mas passaram vinte, trinta minutos, e o Jackson estava dominando o setor”, relembra, para depois concluir. “Ele foi muito bem, e nós não perdemos a qualidade no meio-campo”.

Essa é a grande crítica que se faz a Bonamigo quando ele pensa em colocar Jackson como “médio-ala”, como está no dicionário do treinador alviverde. “Eu sei que a pressão é grande, e que há muita resistência. Mas gostaria que tivessem visto o jogo para analisar depois”, contra-ataca. “Nossa equipe fica equilibrada tanto defensivamente quanto ofensivamente”, justifica o técnico, que diz não querer transformar o jogador em ?marcador de ponta?.

Só que a opção por Jackson não é definitiva. Segundo o próprio Bonamigo, ela depende de fatores específicos de cada partida, e da vontade do jogador. A princípio, o meio-campista não se incomoda em ser deslocado para o lado do campo. “De forma alguma. Estou a disposição do Bonamigo para o que ele pretender”, garante o jogador. “Quero conversar mais com o Jackson. Se ele disser que se sente prejudicado, que não está rendendo, não joga mais pela direita”, comenta o técnico.

Jackson confessa que não se sentiu bem, mas que aceita jogar como ala. Mesmo sabendo disso, o técnico alviverde confessa ainda não saber se vai manter o armador como ala no Atletiba. “Tenho que olhar o que é melhor para o Coritiba”, justifica.

Problema no meio-de-campo

O negócio é confundir, não explicar. Observando essa ?tese?, o técnico Paulo Bonamigo usou o treino de ontem para avaliar as formações defensivas que poderá usar no clássico de sábado, às 18 horas, contra o Atlético. E as opções foram abertas, sem no entanto a definição sobre qual delas será colocada em campo. Para piorar, e aumentar as dúvidas, mais um jogador alviverde está contundido.

O grito foi ouvido ao longe. Em uma dividida com o atacante Helinho, o volante Willians torceu o tornozelo esquerdo, o mesmo que lesionara na partida contra o Vasco, há três semanas. Sentindo fortes dores, ele deixou o treino antes do final, e o médico Walmir Sampaio afirmou que ele passará por uma avaliação no trabalho desta tarde. “Vamos ver a situação dele e do Roberto Brum. Ambos tem chances reduzidas de jogar”, disse o médico.

O caso do “Senador” mantém-se parado. A recuperação é lenta, e nem mesmo a motivação do jogador deve contribuir. É quase certo que Brum seja vetado, assim como Reginaldo Nascimento, que está definitivamente fora do Atletiba. “Ele já estava conformado com a saída. O caso dele demanda mais tempo para recuperação”, explicou Sampaio. O objetivo do departamento médico alviverde é tentar liberar o volante para o jogo contra o Bahia, na próxima quinta.

Sem Nascimento, provavelmente sem Brum e esperando Willians, Bonamigo testou suas formações defensivas. “Quero aprimorar um pouco mais a marcação, sentir qual será a característica do jogo para depois optar pela melhor”, contou. Quando Willians ainda estava treinando, ele esteve no time titular no lugar do “Senador”, com a defesa (Danilo, Edinho e Nivaldo) sendo mantida. Nas alas, permaneciam Jackson e Adriano.

Depois, Pepo entrou no lugar de Jackson, que passou para o meio. Willians foi deslocado para a defesa, com a saída de Nivaldo. Com essa formação, o Cori não teria volantes, já que o meio seria formado por Tcheco, Jackson e Lima – como não treinou o ataque, deduz-se que Lima, Marcel e Edu Sales estão com a escalação garantida. Outra formação contou com Odvan no lugar de Edinho Baiano, Nivaldo voltando e Pepo saindo.

Tantas formações embaralham a cabeça de quem acompanha o treino – e deixam aberta a possibilidade de Bonamigo estar, no final das contas, escondendo o jogo, já que deve escalar a mesma equipe que enfrentou o Goiás, com o retorno de Fernando ao gol e com Willians (ou Pepo) entrando na vaga de Roberto Brum. Mas a escalação mesmo só deve ser divulgada momentos antes da partida – como é normal nos últimos Atletibas.

Ala ou meio, a referência é onde ele deverá jogar

Além de tudo, ele virou alvo de polêmica. Um dos grandes mistérios do Atletiba de sábado é a presença ou não de Jackson como “médio-ala” (como gosta de falar o técnico Paulo Bonamigo) pela direita. Para alguns, a presença dele naquele setor equilibra o ataque e faz o Coritiba ganhar uma importante opção de jogo. Para outros, é desperdiçar a qualidade do armador obrigando-o a guardar posição.

Mas ninguém mais discorda da importância que Jackson tem hoje para o Cori. E até mesmo das previsões do meio-campista, que disse em sua chegada que viera para buscar as primeiras posições e, porque não, o título brasileiro. Nesta entrevista, ele traça um paralelo entre esse bom momento com a ótima campanha do Sport Recife em 98, quando o jogador se revelou. E garante que é pé-quente em clássicos.

Tribuna – Você é considerado o responsável pela arrancada do Coritiba no Brasileiro. Você concorda?

Jackson – Em parte sim. Mas eu não considero tanto, porque com a minha chegada ou não o time é bom e iria subir de produção. É uma equipe bem mesclada, com jogadores jovens e mais experientes. E é isso que fez conseguirmos bons resultados nas últimas rodadas, nos dando confiança e tranqüilidade para trabalhar. Acho que o grupo inteiro está de parabéns, porque a união que existe dentro e fora de campo é impressionante. É uma coisa que tive no Sport e agora aqui.

Paraná-Online

– O Coritiba é também um time regular. Isso se deve a que?

Jackson

– À manutenção do sistema, a união do grupo, a um conjunto de coisas. O nosso empenho, o cumprimento ao que o Bonamigo pede e a doação dos jogadores fazem com que nós já estejamos em uma colocação boa na tabela. E vai ser muito difícil se manter nessa posição. A gente vai ter que lutar muito nos jogos que virão para pular do quarto lugar para, quem sabe, a liderança. Essa é a nossa meta.

Paraná-Online

– O Bonamigo disse que sua atuação como ala contra o Goiás foi muito boa, mas garantiu que se você não se sentir bem naquela posição ele o recoloca no meio. Vocês já conversaram sobre isso?

Jackson

– Tivemos uma boa conversa sobre esse assunto, e eu comentei algumas coisas. Eu fiquei um pouco mais preso, porque o lateral do Goiás não subia e me marcava homem-a-homem no primeiro tempo. Aí eu não saí para o apoio como eu queria e deveria sair. Falei isso para ele, mas quando ele precisar eu estarei onde for preciso.

Paraná-Online

– Se for o caso, então, você joga o clássico como ala?

Jackson

– Não vai ter problema nenhum. Nós estaremos jogando em casa, e acho que vou ter mais liberdade para apoiar.

Paraná-Online

– Você já esteve presente em vários clássicos do futebol brasileiro e agora encara o primeiro Atletiba…

Jackson

– Eu já ganhei um clássico aqui no Coritiba, contra o Paraná. Agora vou fazer parte desse grande jogo que é o Atletiba. Vai ser um jogo difícil, contra uma equipe boa, e nós vamos ter que colocar tudo em campo, mais até do que fizemos contra o Goiás. Queremos sair de campo com os três pontos.