?Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?. O ditado popular é antigo, mas reflete com precisão o sentimento atual que paira sobre o grupo do Palmeiras. Não há consenso sobre a melhor forma de encarar a situação da equipe no Campeonato Brasileiro.
Enquanto parte dos atletas defende que, enquanto houver possibilidade matemática, o objetivo deve ser a classificação à próxima fase, privilégio dos oito primeiros colocados, outros preferem ser mais realistas e definem a fuga da zona de rebaixamento como prioridade. De qualquer maneira, todos sabem que o fundamental mesmo é vencer o Juventude neste sábado, às 16 horas, no Palestra Itália.
O meia Zinho encabeça a primeira facção, a qual definiu o otimismo e a esperança como bandeiras de campanha. O argumento mais usado pelos ?correligionários? é a matemática. ?Se vencermos todos os oito jogos que nos restam na primeira fase, podemos chegar a 39 pontos. Dependendo dos resultados das demais equipes, podemos entrar na briga por uma vaga?, discursou o jogador, um dos mais experientes do grupo.
E o apoio ao seu pensamento é forte. Ninguém menos do que o chefe. O técnico Levir Culpi não só se apega à matemática, como também ressalta a questão psicológica. ?Se ganharmos esses quatro próximos jogos que vamos fazer aqui em São Paulo (Juventude, Guarani, Corinthians e Botafogo-RJ), estaremos com um pé na classificação?, garantiu, sem disfarçar seu otimismo. ?Aí ninguém segura, pois o grupo vai embalar.?
Outro lado – Mas, como é peculiar à democracia, existe a ?oposição?. A plataforma do grupo de ?esquerda? é mais radical. Os engajados nessa filosofia preferem que a realidade seja encarada diretamente. Ou seja, o tempo de falar em classificação já passou. O momento é de concentrar forças para evitar o pior. Em outras palavras, o vexame do rebaixamento.
Um dos ?ativistas? é o lateral-esquerdo Rubens Cardoso. Embora reconheça que nem todos no grupo tem condições emocionais e psicológicas de tratar do assunto com tranqüilidade ele disse acreditar que a situação requer objetividade. ?A verdade tem de ser estampada para todo mundo?, afirmou com convicção. ?Estamos envergonhados de tudo o que está acontecendo e precisamos encarar a realidade e nos unirmos para sair dessa. Agora só depende da gente.?
Como a missão não é das mais fáceis, afinal o Juventude é o atual líder da competição, com 30 pontos (exatamente o dobro do Palmeiras), Levir Culpi optou pelo mistério. Não divulga quem será o substituto de Alexandre, suspenso, na zaga. No ataque, admite não contar com uma dupla titular. ?Pelo que tenho visto dos aproveitamento deles (atacantes), posso dizer que o setor não está definido?, revelou o treinador.
Palmeiras – Marcos; César, Thiago Matias e Marco Aurélio; Arce, Flávio, Leonardo, Zinho e Rubens Cardoso; Muñoz e Nenê (Itamar). Técnico: Levir Culpi.