Sem cinco, o técnico
Antônio Lopes mudou o discurso.

Atrás do gol, o repórter cronometra o tempo do jogo para o próprio controle. Na pequena área, o goleiro Fernando gostaria muito de ter um relógio para acompanhar a marcha do tempo. Sem opções, ele pergunta, e recebe a resposta que o alivia – falta pouco para terminar Ponte Preta 0x0 Coritiba. Ficava evidente que o empate fora de casa convinha aos alviverdes.

Era claro, até pela dificuldade na montagem do time. O técnico Antônio Lopes estava sem seis jogadores, cinco deles titulares. “Por mais que a gente reconheça a aplicação dos atletas que entraram, o time perde demais sem o Tuta, o Aristizábal, o Luís Mário e o Adriano”, comenta o treinador. “São cinco (os já citados mais Miranda) que fazem falta para qualquer equipe”, reconhece o capitão Reginaldo Nascimento.

Lopes optara pela força defensiva, motivo pelo qual escalara Rafinha (ver matéria) para o lugar de Ricardo. Na cabeça do treinador coxa, o imediato de Adriano é melhor no apoio que na marcação, e para a partida de domingo o mais importante era marcar. “Nós tínhamos essa preocupação, e por isso tomamos o cuidado de montar um sistema de marcação eficiente”, resume o técnico.

E essa idéia surtiu efeito, tanto que o Coritiba conseguiu pela segunda vez no Campeonato Brasileiro terminar uma partida sem levar gols. Com isso, o Coxa, apesar da 16.ª posição, tem uma das melhores defesas da competição, tendo sofrido cinco gols (mesmo número de Figueirense, Fluminense, Palmeiras e Atlético). As defesas menos vazadas são as de Internacional e São Caetano, com apenas três gols sofridos.

Só que a intenção defensiva acabou minando a ofensiva. “A gente teve pouca presença na frente, e acabou tendo maiores dificuldades por isso”, diz Antônio Lopes. Mesmo assim, foi de Josafá a chance mais clara de conseguir a vitória. O técnico, realista, admite que com os titulares a história seria outra. “Se estamos com todo mundo, com certeza tínhamos vencido”, resume.

Mas o empate foi bom, e, com os seis pontos recuperados no tapetão, o Coxa parte para uma arrancada no Brasileiro, já a partir do jogo de sábado contra o Atlético-MG de Paulo Bonamigo. “Se a gente conseguir vencer em casa, podemos nos aproximar rapidamente dos primeiros lugares e voltar a pensar no nosso objetivo, que é buscar o título”, afirma Lopes.

Rafinha, a surpresa do domingo

Quem? Para muitos, a surpresa pela escalação de Rafinha no jogo contra a Ponte Preta só não foi maior que o desconhecimento. Afinal, quem é Rafinha? Aos 19 anos, ele teve uma trajetória meteórica nesta semana, subindo para os profissionais na quarta, sendo escalado por Antônio Lopes na sexta e jogando fora de casa no domingo.

Rafinha, na verdade Marco Rafael, aproveitou a brecha aberta pela escassez de laterais-esquerdos – por incrível que pareça, já que é a posição com mais jogadores do elenco. Hoje, além do titular de domingo, Ricardo e Lira disputam a posição que normalmente é de Adriano. Mas o destaque coxa está machucado e Lira com crise asmática.

Sobravam Ricardo e Rafinha. Como o primeiro não marca tão bem (e era necessário um lateral que se postasse na defesa), abriu-se a chance do jogador de 19 anos. “O professor Lopes me recrutou na quarta, e na sexta ele me chamou para uma conversa. Disse que eu poderia começar jogando, e foi o que aconteceu”, conta Rafinha, ainda meio assustado com a procura dos jornalistas.

Rafinha vê, após seu primeiro jogo como profissional, a possibilidade de ganhar maior espaço. Mas ele não tem pressa. “Eu sei que tem outros três jogadores de muita qualidade no elenco para a lateral. Eu estou muito feliz de, mesmo assim, ter ganho a confiança do Lopes para jogar. Espero continuar no grupo, e se isso acontecer agora vou ficar muito feliz”, finaliza.

Confirmado: não vem ninguém

Foi um dia de intensas reuniões no Couto Pereira. A diretoria do Coritiba chegou de Campinas e logo seguiu para a sede do clube, onde definiu-se, como falou o presidente Giovani Gionédis no domingo, que o Coxa não fará contratações. Mas não é uma posição definitiva, e sim apoiada no fato do mercado, segundo os dirigentes, estar escasso de bons valores.

A idéia é não inchar o elenco e, por conseqüência, a folha salarial. “Contratar jogadores simplesmente por contratar está totalmente fora de cogitação”, resume o vice-presidente Domingos Moro. Fica primordial, por enquanto, a posição de Gionédis, que prefere não trazer ninguém. “O elenco está fechado, não precisamos de mais jogadores”, disse ele, ainda em Campinas, em entrevista à rádio Transamérica.

O único passo admitido é a contratação de Tcheco – o meia encerra sua primeira temporada no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, no final do mês. “No caso do Tcheco, a gente abriria uma exceção. Mas é complicado, precisa de uma conjunção enorme de fatores”, afirmou Gionédis.

Além de falar sobre o futebol, a diretoria acabou decidindo por demitir o funcionário Fábio Zanetti, responsável pelos registros no clube. Involuntariamente, ele acabou envolvido no caso Ataliba, que chegou a tirar seis pontos do Coxa, recuperados na semana passada. Também foi demitido o assessor de imprensa Sandro Gusso – ainda não foi nomeado nenhum substituto.

Coxa é o recordista em cartões

Se depender do último critério de desempate do Campeonato Brasileiro, o Coritiba está em maus lençóis. Afinal, é a equipe que mais recebeu cartões amarelos até agora – são 21 ao todo. E, caso ocorra uma improvável igualdade de números em todos os critérios numéricos, a disciplina fará a diferença.

Está lá, no regulamento da CBF, em seu artigo 16. “Em caso de empate em pontos ganhos entre dois ou mais clubes ao final da competição, o desempate, para efeito de classificação, será efetuado observando-se os critérios abaixo: maior número de vitórias, maior saldo de gols, maior número de gols pró, confronto direto, menor número de cartões recebidos e sorteio”.

No parágrafo 3.º, a subdivisão do critério disciplinar: “Deverá ser considerado, inicialmente, o total de cartões vermelhos recebidos pelo clube na competição e, permanecendo o empate, o total de cartões amarelos”. Vale registrar que o Coritiba recebeu apenas um cartão vermelho, o de Vágner, no Atletiba da quarta rodada.

Mas o número de amarelos impressiona, principalmente quando se vê que o time já teve doze jogadores advertidos. Por isso, apenas três acabaram suspensos – Miranda e Rodrigo Batatinha, no jogo de domingo, e Reginaldo Nascimento, que levou o terceiro cartão contra a Ponte e desfalca o Coxa no sábado, contra o Atlético-MG.

Os três são os jogadores que mais receberam amarelos pelo Cori. Os outros advertidos são Márcio Egídio, Pepo, Aristizábal, Danilo, Josafá (com dois cartões, portanto, pendurados), Ataliba e Fernando (com um).