Genebra – Alarmada com o crescente número de demonstrações de racismo no futebol, a ONU decide interferir no assunto e pede ações concretas da Fifa e de outras entidades para lidar com o problema. Em um relatório divulgado ontem, as Nações Unidas pedem aos governos que estudem maneiras de impedir atos de racismo e xenofobia nos estádios e alerta que o problema não está apenas nas torcidas, mas nos próprios dirigentes dos clubes, técnicos e jogadores. No Brasil, o caso do zagueiro Antônio Carlos, do Juventude, ganhou repercussão internacional (mais sobre o assunto na página 6).

Entre os motivos para o aumento dos incidentes de racismo, a ONU aponta para o fato de que os ideais de competição e de respeito mútuo estão sendo substituídos por uma "exacerbação dos nacionalismos" e por uma "comercialização excessiva do esporte".

Na avaliação dos peritos da ONU, que realizaram o levantamento, o problema é que esse fenômeno não está isolado nas arquibancadas dos estádios. Segundo o relatório, comentários e comportamentos de técnicos famosos estão "tornando triviais os atos de racismo e os legitimando".

Para completar, a ONU entende que as punições ainda não estão sendo exemplares. Por isso, governos e entidades esportivas precisam tomar medidas mais drásticas para evitar a proliferação desses atos.

A Fifa alega que está priorizando o assunto e que escolheu o atacante francês Thierry Henry como embaixador na luta contra o racismo. Mas a ONU quer mais e espera que os governos também atuem para combater o problema no futebol.

Para as Nações Unidas, a comunidade internacional precisa usar a Copa do Mundo da Alemanha para mandar uma "mensagem forte contra o racismo". A idéia seria organizar, paralelamente ao Mundial, um evento com políticos e a própria ONU para mobilizar a opinião pública internacional.

Outra medida seria exigir das federações nacionais que apresentem anualmente um relatório do que tem ocorrido em seus países, em questões como atos de racismo e xenofobia.