Oito ?pilotos? paranaenses participam do GP do Brasil

Aficionados da velocidade sonham em chegar perto de um carro de Fórmula 1. Mais ainda em estar dentro do autódromo, ouvindo os motores roncarem a poucos metros de distância. Mas virar membro da equipe de organização e responsabilizar-se pelos primeiros cuidados com um carro avariado parece o máximo da utopia. Um privilégio que 8 funcionários de uma fábrica de Curitiba terão no Grande Prêmio do Brasil, neste final de semana, em Interlagos, em São Paulo.

A Federação Internacional de Automobilismo – FIA, credenciou a transnacional Case IH a utilizar tratores agrícolas no resgate de carros acidentados, ou com algum tipo de pane, que ficarem pelo caminho nos treinos ou na prova de Interlagos. Os tratores, chamados MXM Maxxum, não sofreram qualquer tipo de adaptação – apenas tiveram uma pá conectada, mesmo aparato usado para recolhimento de terra ou de bagaço de cana. Foram escolhidos pela agilidade e força, pois erguem até 3 toneladas, bem mais do que um F-1 (não mais que uma tonelada). Como a empresa tem duas fábricas no Brasil, e somente a da Cidade Industrial de Curitiba produz este tipo de máquina, empregados locais foram escolhidos para operá-las em São Paulo.

Cada um dos 8 funcionários fica no comando de um trator, colocados estrategicamente ao longo da pista. Se algum carro escapa do traçado, a máquina que estiver mais próxima entra em ação assim que o piloto deixa o cockpit. O operador, com auxílio de 4 voluntários contratados pela organização da prova, ergue os bólidos com uma pá e os leva a uma área de escape segura.

A remoção deve ser feita com a maior rapidez possível.

?A corrida não pára. E se um carro saiu numa curva, é possível que outro se acidente no mesmo local. Não há tempo a perder?, conta Sylvio Gumz, gerente de distribuição e desenvolvimento da Case IH e coordenador da equipe que trabalhará na prova. O serviço é voluntário e não dá direito a remuneração extra. Mesmo assim, e apesar do tempo gasto em simulações, viagem e na corrida em si, as oito vagas em Interlagos são disputadas a tapa pelos funcionários da empresa.

?Brinco que devem ir os caras que bebem gasolina. Eu, por exemplo, não troco meu lugar por dinheiro nenhum que me ofereçam?, diz Sylvio, que em 2005 socorreu a Williams de Antônio Pizzonia após um acidente no ?S? do Senna.

Funcionários da Case IH já são experientes em GPs do Brasil

Dos oito funcionários da Case IH que estarão este final de semana em Interlagos, sete participaram das provas de 2004 ou 2005. Mesmo assim, todos passaram novamente por um rígido treinamento, dividido em várias etapas.

A mais importante foi uma simulação durante uma prova de Fórmula 1.600, em 7 de outubro, que envolveu toda a equipe de apoio e Corpo de Bombeiros, com acidentes ou saídas de pista solicitadas pelos diretores apenas para testar a eficácia do socorro. Ontem houve o último ?ensaio geral? antes do início dos treinos livres de sexta-feira.

Em 2004, os operadores removeram uma Williams nos treinos e uma Jordan na corrida, além de ajudar a recuperar o guard-rail danificado por uma forte batida de Michael Schumacher. ?Nem era nossa função, mas o engenheiro da FIA pediu e usamos o trator para conserto?, conta Sylvio Gumz, da Case IH. No ano passado, os carros resgatados foram um Red Bull Racing (treinos) e a Williams, de Antonio Pizzonia (corrida).

As mesmas equipes de apoio atuam também na prova de Fórmula Renault, ?aperitivo? para o GP Brasil. ?É até mais movimentado, pois os novatos querem mostrar serviço para a nata da F1. Tem muito acidente e saída de pista?, lembra Gumz. No ponto alto do evento, os operadores de tratores se esmeram em cumprir as normas de segurança da FIA.

?Estamos resgatando uma coisa de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões). Por mais que tenha quebrado, não dá para continuar quebrando.?

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