Levir Culpi tem mais cintura
para dirigir a equipe.

Quem chegar hoje ao CT do Caju poderá ver um Atlético completamente diferente daquele que disputou as finais do campeonato paranaense.

Apesar do clima frio de outono, as brincadeiras voltaram com tudo, o sorriso agora é fácil e espontâneo, o futebol em campo relembra alguns dos melhores times rubro-negros dos últimos anos e o técnico Levir Culpi ainda não sabe o que é perder em sua volta ao clube. Tudo isso movido a um ingrediente que radicalizou a postura dos atletas e já anima a torcida a esperar algo muito neste Brasileirão: a alegria de jogar.

Desde a saída de Mário Sérgio e, principalmente, desde a chegada do novo treinador, é indiscutível a melhora de ambiente no clube. A maior parte dos jogadores respirou aliviada pelo fim das “invenções”. “Depois do Mário Sérgio, o que vier é lucro”, disse um jogador sem querer se identificar. Na verdade pouca gente gostou das improvisações, das declarações do antigo técnico e das desculpas para tantas substituições e mudanças pouco criteriosas na equipe. Mesmo assim, a maioria prefere uma postura mais diplomática para tratar de Mário.

“Depois de uma seqüência de vitórias e empates, a equipe ficou mais leve, o clima não pesou e está sendo bom para trabalhar”, aponta o meia Jádson, guindado à posição de estrela após os três gols contra o Corinthians, domingo passado. Para ele, a chegada de Levir Culpi foi fundamental para essa virada. “O professor Levir chegou, teve comando, e nós conseguimos entender o pensamento dele e, com certeza, está tudo fluindo. Antes, tinha comando, mas com a saída de Mário Sérgio o time ficou meio balançado, mas hoje já está certinho”, explica o meia.

Está tão certinho que o Furacão repetiu a maior goleada do clube em nacional ao aplicar 5 a 0 no Timão, em pleno Pacaembu. Antes disso, já havia detonado o ABC, de Natal, pelo mesmo placar, no Brasileiro de 1984, jogando no Couto Pereira, segundo informações gentilmente cedidas por Osmar Rebolo Júnior.

O responsável por essa mudança de hábito no CT do Caju ou por trazer a alegria de volta diz que a alegria é uma meta a ser alcançada sempre. “É uma busca constante no trabalho. Você tem que ser regular o ano todo. Não adianta se deitar nos louros, como este do Corinthians, e temos ainda muito para fazer. Temos que ter regularidade porque o campeonato termina em dezembro” aponta Levir Culpi, evitando qualquer tipo de euforia.

Para ele, a idéia é voltar a montar um ciclo vencedor no clube. “É um grupo novo, num novo momento, com novos objetivos. Eu acho que nós temos as ferramentas, os jogadores têm um excelente nível, mas precisamos confirmar e isso nós vamos ver no final da temporada”, finalizou o treinador.

Time pode ter três atacantes

O técnico Levir Culpi vai trabalhar muito e testar mais ainda a formação com Ilan, Dagoberto e Washington antes de arriscar colocar os três em campo juntos pelo Atlético. O temor do treinador está no sistema defensivo, que pode ficar vulnerável com tanta ofensividade. No entanto, contra o Cruzeiro (às 18 horas de domingo, na Arena), o time poderá jogar com os três atacantes, dependendo dos trabalhos de hoje e amanhã no CT do Caju.

No trabalho de ontem, o treinador começou os trabalhos no 3-5-2 formando com Diego; Marinho, Fabiano e Rogério Correia; Raulen, Bruno Lança, William, Jádson e Marcão; Ilan e Dagoberto. No segundo período, o atacante Washington entrou e Rogério Correia saiu para o time ficar no 4-3-3. Apesar dessa possibilidade, a tendência é que a formação para enfrentar a Raposa seja o 4-4-2 como a que enfrentou o Corinthians ou o 3-5-2. Em qualquer caso, Washington, que vem de recuperação médica, ficaria como opção.