A crise financeira na maioria dos clubes de elite do Brasil fez com que as estrelas emigrassem e retraiu investimentos no mercado interno. Mais por necessidade do que por planejamento, a saída foi recorrer a pratas da casa ou a jovens desconhecidos em busca de afirmação. Em muitos casos  a solução tem dado certo e, nove rodadas após o início da Série A nacional, há vários candidatos a ídolo.

O Santos é um dos exemplos de reformulação com sucesso. O técnico Emerson Leão encantou-se com o futebol de dois adolescentes – o meia Diego (17 anos completados em fevereiro) e o atacante Robinho (18 anos comemorados em janeiro). Titulares recentíssimos, ambos já são fundamentais no esquema e ganharam a simpatia da torcida, sempre exigente. Há quem os veja como reedição dos ?Meninos da Vila?, a geração que vingou nos anos 70.

Nenê tem 21 anos de idade e pouco mais de dois meses de Palmeiras. Tempo suficiente para se transformar em ponto de referência no ataque. Os dribles ousados, o chute forte fizeram que ganhasse vaga no time titular e provocaram a ira dos ?palestrinos?, quando Murtosa o colocou na reserva.

Quem também tem motivos para festejar o aproveitamento de um jovem à procura de fama é Edu Marangon. O treinador da Lusa resolveu dar chance para o zagueiro César, de 22 anos, que o clube havia ?importado? do Bandeirante, de Birigüi. O garoto entrou na equipe sem medo, joga como se fosse veterano e não saiu mais. ?Ele marca bem e tem bom passe?, anima-se o treinador.

Há outros zagueiros bons de bola que despontam como candidatos a astros. Rodrigo, de 21 anos, tentar pôr ordem na defesa da Ponte Preta e está na mira de clubes grandes. O Goiás tem Renato e João Paulo, ambos com 19 anos e que vieram das equipes de base. Nelsinho Batista elogia o potencial da dupla, mas sugeriu a contratação do veterano André Cruz (33 anos) e de Fabão.

Ter a confiança do técnico não é problema para Fábio Santos. O volante, de 21 anos, trocou o Santo André pelo São Caetano, só para completar elenco, e se deu bem. Ele atua ao lado de Claudecir, de Magrão e só recebe elogios de Mário Sérgio. ?O Fábio é versátil e forte?, atesta o treinador.

Há também laterais que merecem ser acompanhados com atenção. Mineiro, do Juventude, está nesse grupo. Ele nasceu em Viçosa (MG), há 20 anos, mas está em Caxias do Sul desde 1998. O Fluminense recorreu ao Bangu, onde encontrou o lateral-esquerdo Marquinhos, que substituiu Paulo Sérgio, negociado para a França.

Nessa posição, o Coritiba não tem do que se queixar de Adriano, de apenas 17 anos. Ele ganhou a vaga na fase de preparação para o Brasileiro e não fez o técnico Paulo Bonamigo pensar duas vezes antes de confirmá-lo como titular. ?Estava pronto para jogar?, analisa o treinador.

O Paysandu vai mal das pernas, é o lanterna do campeonato, mas também tem seu candidato a ídolo. O meia Magnum, de 20 anos, é cria da casa, destacou-se na Série B nacional de 2001 e tem no técnico Givanildo um incentivador. ?É bom jogador  que pode atuar em qualquer clube?, atesta. O meia de talento do Atlético-MG é Paulinho, 20 anos, há quatro no clube. Ele teve oportunidade pouco tempo atrás, porém seu desempenho convenceu o técnico Geninho a mantê-lo no grupo.

Muricy Ramalho está apenas há duas semanas no Figueirense. Mesmo com pouco tempo para observações, não tem dúvida de que o time ainda poderá contar muito com os gols de Selmir, cearense de 23 anos. ?É um atacante moderno, tem velocidade, cabeceia bem e conclui as jogadas?, descreve o treinador. Selmir fez dois contra o Fluminense, na derrota por 4 a 3, e é o artilheiro da equipe catarinense, com 15 gols até agora na temporada.

Caso semelhante é o de Cleiton Xavier, meia-atacante de 19 anos que Celso Roth aos poucos procura tornar titular no Internacional. ?Tem visão de jogo, mas está em fase de amadurecimento?, diz.

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