Nove meses após o término da Olimpíada, o Complexo Esportivo de Deodoro, segunda maior área de disputa dos Jogos Olímpicos Rio-2016, está fechado e com suas instalações esportivas paradas. A promessa de transformar parte do local em um parque público não se confirmou, enquanto que a área administrada pelo Exército Brasileiro ainda carece de reformas que deveriam ter sido executadas logo após o evento mundial.

A prefeitura do Rio de Janeiro, desde janeiro comandada por Marcelo Crivella (PRB), afirma que o Parque Radical está fechado por falta de previsão orçamentária para a exploração da área. As instalações ficam no limite entre as zonas norte e oeste, junto a três municípios populosos do Grande Rio que não contam com muitas opções para o lazer: Nilópolis, Nova Iguaçu e Mesquita. A região é uma das mais pobres da capital.

“A atual gestão assumiu a Subsecretaria de Esportes e Lazer no dia 16 de janeiro e já encontrou o Parque Radical sem contrato e sem orçamento previsto. A gestão passada abriu o Parque Radical para o público em setembro e fechou em dezembro, quando terminou o contrato de gestão”, informou por nota a pasta ao jornal O Estado de S.Paulo.

Não há previsão de quando a área será reaberta ao público, mas dificilmente isso acontecerá no curto prazo, apesar dos protestos da população, que reclama sobretudo por não poderem mais ter acesso ao lago artificial que funcionava com uma espécie de piscinão.

A atual administração carioca pretende lançar apenas em junho um edital para conceder a exploração da área à iniciativa privada. A ação é semelhante ao que se tentou fazer com o Parque Olímpico da Barra – sem sucesso, por falta de interessados.

A tendência é que a conta seja empurrada para o governo federal. Foi o que aconteceu com o Parque Olímpico.

“Existe uma possibilidade de parceria com o Ministério do Esporte para redução dos custos de manutenção. Reduzimos o valor inicial de R$ 20 milhões para R$ 12 milhões e chegamos (agora) a um valor de R$ 7 milhões/ano”, informou a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer.

A construção e reforma – no caso de instalações que já existiam – do complexo consumiu R$ 820,9 milhões em recursos públicos. A região foi palco de disputa de 11 modalidades nos Jogos do Rio-2016 e deveria ter sediado outras quatro paraolímpicas. Isso não ocorreu, devido à necessidade de corte de custos para a realização dos Jogos Paralímpicos. No Parque Radical aconteceram competições de canoagem slalom, mountain bike e BMX.

LEGADO – Pelo plano original, após a Paralimpíada o Parque Radical, área administrada pela prefeitura do Rio, seria aberto à população. “Serão oferecidos ao público após 2016 equipamentos típicos de esportes extremos, numa imensa área de lazer, que será a segunda maior da cidade”, dizia o texto da Empresa Olímpica Municipal, órgão da prefeitura que concentrou as obras olímpicas.

A intenção era que até mesmo o rio artificial construído para as disputas de canoagem slalom estivesse à disposição dos moradores. Ao menos foi isso o que prometera o ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB) ao inaugurar o circuito de canoagem, em 2015.

“A razão de ser da Olimpíada não era construir um rio artificial para sei lá quantas pessoas que fazem canoagem slalom no Rio de Janeiro ou do Brasil terem uma pista com padrão olímpico. Acho até legal ter, mas não era o objetivo de trazer a Olimpíada. O objetivo era melhorar a condição de vida das pessoas”, discursou na ocasião.

De fato, o local esteve aberto ao público por alguns meses no ano passado – funcionou até março, quando foi fechado à população para ser utilizado na Olimpíada e reaberto por cerca de dois meses em setembro -, mas não funciona mais desde dezembro.

A reportagem esteve no local na quinta-feira passada e encontrou os dois acessos fechados. Uma guarda municipal fazia a vigilância em uma guarita do lado de dentro da entrada principal. De longe, era possível ver um jipe do exército circulando. Em outro ponto, funcionários aparavam a grama. Mais nada.

Procurada, a assessoria da administração de Eduardo Paes ressaltou que “o Parque Radical de Deodoro foi entregue à população como um legado oito meses antes da realização dos Jogos Olímpicos”.

Por meio de nota, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB), secretário da Casa Civil e de Governo na administração de Eduardo Paes, culpou o atual governo pelo fechamento do parque. “São sete meses desde que o Crivella ganhou a eleição – dois de transição e cinco de mandato. Estar fechado é uma decisão da atual administração”, disse.