Nobre defende fim da reeleição e sócio-torcedor como eleitor no Palmeiras

O processo de mudança do estatuto do Palmeiras começou em 2013 e não tem prazo para terminar. O fato é que o presidente Paulo Nobre defende uma série de mudanças no clube, mas as alterações não dependem apenas dele. O dirigente revela que é favorável ao aumento do mandato e o fim da reeleição para seu cargo e que o sócio Avanti tenha direito a voto, dentre outras mudanças.

“Gosto da ideia de três anos de mandato sem reeleição. É pouco, mas cria uma oxigenação no comando do clube. E, se ele for bem, um dia volta para o cargo. Três anos com reeleição pode ser interessante também, mas precisamos de um amadurecimento político. Não sei se essa ideia vai passar agora. O importante é pensarmos na instituição em primeiro lugar e não em seus próprios interesses”, disse o presidente, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo.

O mandatário palmeirense defende também que alguns sócios-torcedores do Avanti tenham direito a voto na eleição presidencial do clube. “Temos que ter respeito ao sócio do clube, que paga a mensalidade. Não pode dar o mesmo direito a quem paga menos, mas os planos mais caros do Avanti poderiam ter direito a votar. Isso é uma opinião minha e sou acompanhado por muitas pessoas da diretoria, mas sei que o tema é polêmico”, comentou Nobre, que ressaltou.

“Muita gente diz que se o Avanti tivesse direito a voto, eu não seria eleito no fim de 2014, mas tudo bem. Acredito que no futuro o Avanti vai poder votar, mas não acho que essa ideia vai passar nessa reforma que estamos fazendo, pois ainda temos muitas cabeças tradicionais no clube”, opinou o presidente.

Mostrando bom humor, Nobre nega que o clube esteja pacificado, mas sim, menos agitado. Ele espera por pressão na primeira derrota mais sofrida da equipe na próxima temporada e a volta de assuntos antigos no clube.

“A pressão não muda nunca e o clube não se pacificou. Quando você é persistente para um lado e esse lado tem sucesso esportivo, os críticos ficam sem ter o que falar. Mas não tenha dúvida que na primeira bola que pega na trave, a mediocridade vai falar: ‘Cadê o Barcos? Cadê o quinto jogador do Grêmio?’ Basta dar uma escorregada e esses assuntos voltarão”, brincou.

Nobre vê como positiva a democracia, apesar das dificuldades que ele enfrenta em alguns momentos no clube. “Acho o debate algo inteligente. Infelizmente, a gente sabe que tem gente que não sabe fazer o ‘O’ com o copo, mas temos que saber lidar e entender que estão vendo o lado deles, mesmo sem saber se esse é o melhor para o Palmeiras.”

Ele não projeta uma data para mudanças. Pelo contrário, ainda vê um longo caminho pela frente. “Temos uma comissão que está estudando o melhor para o clube. Depois, tudo será apresentado ao COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), onde terão emendas que podem ser colocadas. Ainda vai gerar muita discussão, pois existem muitos assuntos polêmicos”, comentou.

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