A longa novela em que se transformou o julgamento de Oscar Pistorius teve mais um capítulo nesta quinta-feira, quando uma nova testemunha de defesa declarou que o velocista biamputado, que matou a própria namorada, é um “paradoxo”. O testemunho foi dado pelo médico Wayne Derman, professor de medicina no esporte na Universidade de Cape Town.

Segundo Derman, as inúmeras vitórias e glórias do atleta sul-africano nas pistas contrastam com as diversas dificuldades e limitações físicas enfrentadas diariamente. Esse paradoxo citado pelo médico seria um dos causadores do estresse e da ansiedade que a defesa de Pistorius têm citado desde o início do julgamento para tentar explicar o motivo pelo qual ele teria atirado na modelo Reeva Steenkamp.

“Você tem um paradoxo em um indivíduo que é supremamente apto, mas que ao mesmo tempo é um indivíduo significantemente incapaz”, declarou o médico, que trabalhou com as equipes olímpicas e paralímpicas da África do Sul e tem tratado de Pistorius nos últimos seis anos. Ele ainda explicou que um dos resultados desta ansiedade excessiva do atleta é o medo de voar.

“Ele tem um medo específico de ser preso a algum lugar sem ser capaz de se mover muito rapidamente”, afirmou Derman. Sobre a decisão de Pistorius de confrontar um suposto bandido que estaria em sua casa na noite em que matou a namorada, o médico lembrou da deficiência física do atleta e apontou: “Fugir não era uma opção”.

Oscar Pistorius, de 27 anos, diz que matou Steenkamp no dia 14 de fevereiro do ano passado por engano. O atleta e sua defesa nos tribunais alegam que ele se assustou com um barulho e disparou quatro tiros na direção da mulher, através de uma porta fechada, pensando que tratava-se de um bandido que teria invadido sua residência.

A promotoria, no entanto, acusa Pistorius de assassinato. Ele teria discutido com a namorada por conta do dia dos namorados e atirado contra ela. O atleta pode ser condenado de 25 anos de prisão a prisão perpétua se for considerado culpado da acusação de assassinato premeditado. Ainda pode pegar anos de cadeia se for condenado por assassinato sem premeditação ou por negligência. Por enquanto, no entanto, responde em liberdade.