O que não faz uma estiagem de grandes pilotos… Sem saber ao certo quem vai guiar seus carros em 2005, a Williams partiu para a esculhambação. E vem alimentando a fábrica de boatos da Fórmula 1 com picardia. O mais recente nome incluído na lista de eventuais substitutos de Montoya e Ralf Schumacher é Mika Hakkinen.

Nürburgring – Aos 35 anos, o finlandês está afastado da categoria desde o final de 2001. Depois de conquistar dois títulos pela McLaren, em 1998 e 1999, Mika decidiu parar ao perceber que a Ferrari tinha pegado no breu. Parou, e parou de vez. No ano passado, apareceu em Mônaco gordo e com cara de aposentado. Consta que, como dizia aquela música, “cheirando álcool e fumando sem parar”.

Ocorre que Hakkinen emagreceu e está correndo. Fez a Mille Miglia de carros históricos há algumas semanas na Itália e, neste domingo, disputa na Finlândia uma prova a bordo de um Porsche. À imprensa de seu país, disse que não tem intenção nenhuma de testar carro de F-1 agora, e que os rumores são “sem sentido”.

Mas a Williams, de fato, considera Mika uma opção, assim como Jacques Villeneuve, outro aposentado, ao menos temporariamente. A última da “rádio paddock”, como é chamada a central de especulações da F-1 que ninguém sabe onde fica, “confirma” um teste de Jacques depois do GP da Europa, em Monza. Ele já teria feito o molde do banco.

A notícia de que Hakkinen teria sido contatado pela Williams explodiu ontem na imprensa alemã, que trata a equipe apenas como “BMW”, e daí seu interesse por tudo que se passa no time ? da mesma forma, a McLaren é chamada pelos tedescos apenas de “Mercedes”. E tem fundamento. Ele recebeu um convite para testar.

O jornal inglês The Sun, outro pródigo em transformar boatos em fatos, garante que Mika vai aceitar porque seu filho Hugo entra na escola em setembro “e ele não terá o que fazer com seus dias vazios”. Chega a ser engraçado, como engraçada é a incerteza da Williams para preencher seus lugares vazios.

A possível volta de Mika foi recebida de forma reticente em Nürburgring, na Alemanha, onde hoje começam os treinos para o GP da Europa, sétima etapa do Mundial. “Estando longe há tanto tempo, é difícil voltar. Ele tem um talento natural, e muia gente, eu inclusive, ficaria feliz de vê-lo por aqui. Mika sempre foi um grande adversário”, disse Michael Schumacher.

O alemão também acha que Villeneuve faria bem à F-1 se voltasse. “É um grande nome. E não tenho problema nenhum com ele. Nos encontramos na festa de domingo em Mônaco, conversamos um pouco e o ambiente entre nós foi tranqüilo e relaxado.”

Montoya, que deixa a Williams no ano que vem, acha que Hakkinen pode voltar a ser competitivo se fizer muitos testes. “O que você sabe fazer, não se esquece. É só treinar que ele será rápido de novo.” O colombiano aproveitou para desmentir boatos surgidos na semana passada em Mônaco, sobre uma possível rescisão com a McLaren para correr na BAR. “Estou 100% comprometido com a McLaren. É lá que vou correr no ano que vem.”

“Barbeiros” evitam polêmicas

Nürburgring – Os quatro pilotos envolvidos nos incidentes de Mônaco evitaram ampliar a polêmica ontem em Nürburgring, sobre culpas e responsabilidades. Schumacher, acertado por trás por Montoya no Túnel durante uma entrada do safety-car, conformou-se com a decisão dos comissários esportivos, que consideraram tudo um “acidente normal de corrida”.

“Estando na frente, eu nem olhei no espelho porque normalmente quem vem atrás deve tomar cuidado. Se eu tivesse olhado, talvez não brecasse e acelerasse daquele jeito para esquentar meus freios, ou talvez fosse por outra trajetória. Não esperava Juan ali. Mas já aconteceu, isso é história. Não dá para mudar nada. Aceitei a decisão, embora não concorde 100% com ela”, disse o alemão.

Montoya, o que bateu, garantiu que não gostou do que aconteceu. “Eu estava uma volta atrás, é muito ruim se envolver num acidente, ainda mais atrás do safety-car. Tentei evitar, mas não deu. Michael levou azar e foi a primeira vez que isso aconteceu. Não tinha interesse nenhum em tirá-lo da corrida.”

Os outros dois, Alonso e Ralf, mantiveram suas posições declaradas depois da corrida no Principado. O espanhol chamou o alemão de “pouco profissional” e o caçula dos Schumacher apenas retrucou: “Foi erro dele e ele quer me culpar, o que não levo a sério. Claro que perder um segundo ou terceiro lugar em Mônaco é chato, mas não é problema meu.”